Por Aline Horodesk

Publicado em 24 de outubro de 2016

 

Os cirripédios são organismos sésseis que vivem fixos a substratos, geralmente encontrados em zonas entre-marés, e são representados pelas cracas (Figura 1) e percebes (Figura 2).

Figura 1 (1)

Figura 1. Craca

Figura 2

Figura 2. Percebe. Fonte: Hans Hillewaert

 

Os cirripédios apresentam três estágios distintos durante seu desenvolvimento, (I) sua fase larval fica presente no plâncton e vive à deriva nas correntes oceânicas; (II) no segundo estágio larvar, os cirripédios procuram um substrato para sua fixação; (III) após fixadas, estas larvas se desenvolvem e tornam-se adultas, fixando-se nos substratos a partir da cimentação ou da presença de um pedúnculo carnoso.

As cracas, em especial, são consideradas colonizadoras primárias, que exercem influência sobre a intensidade e sobre o sucesso de fixação de espécies subsequentes nos substratos. Além disso, fixam-se sobre qualquer superfície sólida, como nas estruturas de cultivo e nas conchas de ostras, e vivem amplamente distribuídas em densas aglomerações nos mesmos locais ocupados pelas ostras (Figura 3).

Figura 3

Figura 3. Formação de uma colônia de cracas sobre as conchas de ostras

 

Para a ostreicultura, ao se fixarem nas estruturas de sustentação dos cultivos marinhos (long line) (Figura 4), esses organismos podem comprometer a durabilidade das mesmas por ocasionar um dano ao material; ocasionar o aumento do peso das estruturas dificultando o manejo e os trabalhos de despesca; reduzir a qualidade do produto causando deformações nas conchas; competir pelo espaço com espécies de interesse comercial e chegar a causar a mortalidade dos animais cultivados. Além disso, é estimado um aumento de cerca de 30% nos custos operacionais do cultivo para a realização do manejo das estruturas de cultivo e das ostras cultivadas.

Figura 4

Figura 4. Aglomeração de cracas nas estruturas de sustentação dos cultivos de ostras

 

A insuficiência de manejo em cultivos de ostras para a retirada de cracas pode ocasionar altas taxas de mortalidade das ostras e até mesmo, redução do crescimento das conchas, levando a um elevado prejuízo econômico aos ostreicultores em decorrência desses problemas.

 

Referências

Schuster-Pinto, F. M. V. 2007. Efeito de organismos sobre o crescimento e a sobrevivência de ostras nativas do gênero Crassostrea em um cultivo suspenso na baía de Guaratuba (Paraná – Brasil). Monografia. Universidade Federal do Paraná.

Mohammad, M. B. M. 1976. Relationship between biofouling and growth of the pearl oyster Pinctada fucata (Gould) in Kuwait, Arabian Gulf. Hydrobiologia, v. 51 (2), p. 129–138.

Alvarenga, L.; Nalesso, R. C. 2006. Preliminary assessment of the potential for mangrove oyster cultivation in Piraquê-açu river estuary (Aracruz, ES). Braz. Arch. Biol. Technol, vol. 49 (1), p. 163-169.

Claereboudt, M. R.; Bureau, D.; Cote, J.; Himmelman, J. H. 1994. Fouling development and its effects on the growth of juvenile giant scallops (Placopecten magellanicus) in suspended culture. Aquaculture, v. 121, p. 327–342.

Ruwa, R. S.; Polk, P. 1994. Patterns of spat settlement recorded for tropical oyster Crassostrea cucullata (Born 1778) and the barnacles, Balanus amphitrite (Darwin 1854) in the mangrove Creek. Trop. Zool., 7(1): 121-130.