Por Aline Horodesky, Camila Tavares e Nathieli Cozer

Entre uma palestra e outra na XIV FENACAM, a equipe do GIA teve a oportunidade de visitar a primeira fazenda de aquicultura orgânica multitrófica de camarão e ostra do Brasil, a fazenda PRIMAR. Localizada às margens do estuário da Lagoa de Guaríras em Tibau do Sul, no litoral sul do Estado do Rio Grande do Norte, a PRIMAR possui cerca de 40 hectares de área de viveiros dedicados ao cultivo do camarão-da-pata-branca (Litopenaeus vannamei) e a ostra nativa (Crassostrea gasar) (Figura 1).

Figura 1. Imagem da Fazenda Primar, localizada no Rio Grande do Norte.

 

A PRIMAR adota o Cultivo Multitrófico Integrado (IMTA – Integrated Multitrofic Aquaculture), em que a produção combina nas proporções adequadas o cultivo de várias espécies para criar sistemas equilibrados, que favorecem a sustentabilidade ambiental e econômica. A ostra orgânica é criada nos mesmos viveiros em que os camarões, em cultivo consorciado onde a produção beneficia as diferentes espécies pela via natural da cadeia alimentar. Além dos camarões e das ostras, algumas espécies de siris e peixes marinhos crescem num mesmo ambiente, criando um ecossistema natural que aumenta e protege a biodiversidade (Figura 2).

Figura 2. Cultivo multitrófico integrado de camarão e ostra.

 

Desde 2003, a PRIMAR possui a certificação orgânica, emitida pelo IBD – Instituto Biodinâmico, e adota as práticas do “Sistema PRIMAR de Aquicultura Orgânica” de acordo com as diretrizes do IFOAM – International Forum of Organic Associations and Movements.​ Na fazenda, os cultivos são isentos de produtos químicos, pesticidas, transgênicos, antibióticos e hormônios. Além disso, o que surpreende é o fato dos animais se alimentarem somente da alimentação natural, sem fornecimento de alimento externo. Por este motivo, a comercialização de camarões e ostras cultivados na PRIMAR vem se desenvolvendo cada vez mais na região e expandindo-se no mercado brasileiro.

Além da preocupação em conservar os recursos naturais de maneira sustentável, de modo a reduzir os impactos ambientais no entorno e interior da propriedade. A PRIMAR também efetua monitoramento constante das variáveis de qualidade da água por análises laboratoriais, garantindo a inocuidade microbiológica dos seus produtos.

A PRIMAR também possui um laboratório de reprodução de ostras nativas, Crassostrea gasar, com capacidade para a produção de até 6 milhões de sementes por safra, e as sementes produzidas abastecem o próprio cultivo de ostras nos viveiros. E a mais recente atividade da empresa é o cultivo do cavalo marinho Hippocampus heidi para aquarismo.

Figura 3. Entrada da Fazenda PRIMAR.

 

A PRIMAR foi idealizada há anos pelo biólogo marinho Alexandre Alter Wainberg (Figura 4), e após quase dois anos do seu falecimento a fazenda se tornou um legado para a sua esposa Marcia Kafensztok que hoje gerencia toda a fazenda (Figura 5).

Figura 4. Biólogo marinho Alexandre Alter Wainberg, fundador da PRIMAR.

Figura 5. Visita técnica da equipe do GIA com a presença da responsável pela PRIMAR, Marcia Kafensztok.