Macroalga (Kappaphycus alvarezzi)

A demanda por matéria prima, somada às dificuldades de produção das carragenófitas a partir de algas nativas, que não apresentariam grande potencial à maricultura por seu pequeno porte e limitada capacidade de produção, levou a Oliveira (1990) a propor a introdução de espécies exóticas de Eucheuma e de Kappaphycus para fins de maricultura no Brasil.

Por se tratarem espécies exóticas, a liberação para esse tipo de introdução levou alguns anos. Em 1995, após cumprimento de todas as condicionantes do IBAMA (Processo IBAMA 037/97 GABS/SUPES/SP) – incluindo a realização de estudos sobre o potencial econômico, antecedentes biológicos, ecológicos, de cultivo, e os riscos potenciais da introdução (Paula & Pereira, 1998) – um programa de introdução de espécies exóticas no Brasil foi iniciado, tendo como base a região de Ubatuba (SP).

Em 17 de julho de 2007, foi publicada a Instrução Normativa IBAMA Nº 165, que proibia novas introduções e limitava àqueles que já haviam realizado solicitação de concessão de área para cultivo de K. alvarezii até aquela data. Um ano depois, em 22 de julho de 2008 o IBAMA publicou a Instrução Normativa nº 185, liberando o cultivo de K. alvarezii no litoral dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, na área compreendida entre a Baía de Sepetiba – RJ e a Ilha Bela – SP.

Os resultados obtidos até aqui com K. alvarezzi  em condições de cultivo e constatação – embora ainda não definitiva – de que não existem grandes riscos ambientais associado, têm feito com que aumente o interesse por essa espécie em vários estados do Brasil. No entanto, com exceção de alguns poucos empreendimentos comerciais, a atividade ainda se desenvolve em escala experimental no Brasil. Não há uma cadeia produtiva suficientemente estruturada e articulada; há limitações de ordem legal que precisam ser superadas; e, acima de tudo, há necessidade de identificação correta das áreas para cultivo e de aperfeiçoamento das técnicas de manejo e de produção da espécie.

Os cultivos de K. alvarezii no Brasil começaram por São Paulo e Rio de Janeiro (Paula & Pereira, 1998; Góes, 2009). Mais recentemente, foram também relatadas atividades experimentais nos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará (Oliveira, 2005), Bahia (Castelar, 2009) e, desde 2008, em Santa Catarina (FAPESC, 2009).

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Castelar, B. M. 2009. Monitoramento ambiental das atividades de cultivo da macroalga exótica Kappaphycus alvarezii (Doty) Doty ex P.C.Silva, no sul do Estado do Rio de Janeiro, Brasil / Beatriz. Dissertação de mestrado. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro/ Escola Nacional de Botânica Tropical. 48 p.

Góes, H. G. 2009.  Monitoramento da produção e do rendimento de carragena da macroalga exótica Kappaphycus alvarezii (Doty) Doty ex P.C. Silva e avaliação de técnicas de produção, em cultivo comercial na Baía de Sepetiba, RJ, Brasil. Dissertação de mestrado. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro/ Escola Nacional de Botânica Tropical. 59 p.

FAPESC. 2009. UFSC e Epagri estudam macroalgas para ampliar maricultura catarinense. Disponível em: http://www.fapesc.rct-sc.br/noticias.php?id=755. Acessado em 11/04/2010.

Oliveira, E. C. 1990. The rationale for seaweed cultivation in South America. In E. C. Oliveira & N. Kautsky (Eds). Cultivation of seaweeds in Latin America. Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil, pp. 135-141.

Oliveira, E.C. 2005. Considerações sobre o impacto ambiental do cultivo da alga Kappaphycus alvarezii na costa sudeste do Brasil. Boletim Ficológico, Ano 24.

Paula, E. J. & Pereira, R. T. L. 1998. Cultivo de Algas. Panorama da Aquicultura, Rio de Janeiro 8(48): 10-15.