A BR-135 é uma rodovia longitudinal, prevista no Plano Rodoviário Federal de 1973. Com extensão total de 2.446 km, inicia-se em São Luiz/MA, passando por Peritotó, Pastos Bons, no Maranhão; Bertolínia, Bom Jesus, Corrente, no Piauí; Barreiras, São Desidério, Correntina, Coribe, Cocos no Estado da Bahia; e em Montalvânia, Manga, Itacarambi, Januária, Montes Claros, Curvelo, Cordisburgo, terminando no entroncamento com a BR-040, em Minas Gerais.

Essa BR é um importante corredor de transporte rodoviário no país, interligando as regiões Sul e Sudeste ao Norte e Nordeste do Brasil, desde o entroncamento com a BR-040/MG até a capital do Maranhão.

O Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura (ITTI), como parte integrante do Termo de Cooperação nº 1103/2013-DPP, celebrado entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), é responsável pela realização da Supervisão Ambiental e execução de programas ambientais referentes ao Lote 5, subtrecho entre Cocos/BA (km 443,9) e a Divisa/BA/MG (km 466,8), para as obras de implantação e pavimentação da BR 135/BA/MG.

Os trabalhos de campo para amostragem da ictiofauna e da macrofauna bentônica foram realizados nos cursos d’água que estão sendo interceptados pela rodovia BR-135/BA, durante o período de 29/01/2019 a 06/02/2019, no subtrecho referente ao Lote 5. Ressalta-se que o rio Cocos intercepta o empreendimento em dois pontos, definidos previamente como rio Cocos 1 e rio Cocos II, devidamente georreferenciados, através de um GPS da marca Garmin (Brasil), e apresentados na tabela abaixo.

Tabela 1. Localização dos cursos d’água onde houve coletas para obtenção de amostras da ictiofauna e de macroinvertebrados bentônicos.

Estação

Amostral

Localização na BR-135 (km)

Coordenadas (UTM)

X

Y

Rio Cocos II

449,2

549327

8429707

Rio Cocos I

453,7

551198

8425735

Rio Itaguari

456,6

551541

8422997

Rio Carinhanha

466,8

558743

8417787

Localização dos rios interceptados pela BR-135 Fonte: ITTI/UFPR, 2016

O Plano Amostral seguiu a metodologia apresentada na IN nº13/2013 do IBAMA.  Foram realizadas coletas da ictiofauna durante quatro dias em cada ponto amostral. As artes de pesca e os procedimentos amostrais adotados nos pontos de coleta incluíram diversas artes de pesca, como jogo de redes de espera, tarrafas de diversas malhas, redes de arrastos e peneira.

Os animais coletados foram imediatamente identificados no próprio local e, logo após, liberados novamente no rio de origem. Isso foi feito com base na experiência e no conhecimento técnico da equipe de campo e em estudos prévios sobre os peixes da região. Fotos representativas das espécies que seriam possivelmente encontradas foram impressas em fichas de campo, que foram posteriormente plastificadas, permitindo seu uso mesmo em condições adversas.

Os exemplares cuja identificação sistemática não foi possível de ser realizada em campo, ou sobre os quais havia dúvidas em relação à sua identificação sistemática,  passaram pelo processo de anestesia em uma solução de benzocaína. Posteriormente, foram insensibilizados com secção medular e, a seguir, fixados em formol 10%. Em seguida, esses peixes foram acondicionados em sacos plásticos devidamente etiquetados, armazenados em galões e encaminhados para identificação no Museu de História Natural Capão da Imbuia (Curitiba/PR).

Ainda em campo, foram realizadas amostragem de macroinvertebrados bentônicos, com duração efetiva de quatro dias por ponto amostral. Os organismos presentes no sedimento foram coletados através da metodologia kick-sampling, aplicando o coletor tipo kick com malha de 0,05 mm.  Para isso, foram realizadas amostragens, em triplicatas, padronizando uma área coberta de aproximadamente 1 m2.

Nesta campanha foram coletados milhares de exemplares de peixes, divididos em mais de cinquenta espécies e dezoito famílias. As espécies mais abundantes foram Astyanax fasciatus, Hisonotus cf. vespucci_sp. e Serrapinnus heterodon. Até o presente momento, observou-se que a ictiofauna ainda se encontra diversificada e que sua a estrutura foi pouco ou nada afetada pelas obras já realizadas nesse trecho da rodovia. 

O trabalho terá continuidade nos próximos meses de 2019 e além da parte de amostragem, os técnicos explicavam para moradores locais e para alguns alunos de uma escola localizada próxima ao rio Itaguari sobre a importância da preservação dos rios e do monitoramento ambiental.