Projeto de Pesquisa“Citometria de fluxo como ferramenta para a avaliação dos efeitos tóxicos causados pelo óleo diesel e suas frações sobre espécies nativas de peixes de ambientes dulcícolas do estado do Paraná”.

A intensificação da atividade humana, tanto urbana quanto industrial, vem aumentando os aportes dos mais diferentes tipos de produtos químicos nos rios. Os hidrocarbonetos de petróleo e poluentes orgânicos são exemplos de substâncias que podem afetar os corpos de água e, dessa forma, prejudicar o funcionamento desses ecossistemas. Acidentes ambientais, como derramamentos de petróleo, agravam este problema e geram uma demanda por estudos de biomonitoramento, com o objetivo de avaliar os efeitos negativos sobre o ambiente.

A poluição resultante da liberação de óleo para o ambiente aquático, devido acidentes recentes, tornou-se uma preocupação mundial por consequência de seus efeitos sobre os ecossistemas aquáticos. No estado do Paraná, recentemente dois graves acidentes foram registrados. Em julho de 2000 aproximadamente quatro milhões de litros, ou cerca 25 mil barris de óleo cru, vazaram do oleoduto OSPAR, proveniente da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR) localizada no município de Araucária, Paraná. Mesmo com o uso de contenção, para evitar a dispersão, o óleo alcançou 45 km, a jusante do arroio Saldanha, contaminando o Rio Barigui e o Rio Iguaçu. Alguns meses após este acidente, em fevereiro de 2001, ocorreu o rompimento do poliduto OLAPA, liberando derivados leves de petróleo na Serra do Mar Paranaense.

Poluentes de diferentes grupos químicos presentes no petróleo como, metais pesados, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs), bifenóis policlorados (PCBs) e surfactantes são capazes de alterar diferentes etapas da resposta imune inata de diferentes espécies de peixes. Como resultado deste efeito, populações inteiras de peixes podem apresentar doenças ocasionadas pela imunossupressão induzida por esses agentes tóxicos.

A exposição aguda e crônica de peixes ao petróleo também pode causar a diminuição da conversão alimentar resultando em redução do crescimento; alteração no metabolismo energético; distúrbios na habilidade respiratória, por alterações hematológicas e por injúrias ao sistema imunológico; e, alterações morfológicas, fisiológicas e genéticas.

Entre os métodos existentes de avaliação da resposta imune, a citometria de fluxo (CF) tem sido testada no estudo de populações de peixes com sucesso. A CF é um método preciso, rápido e eficaz na avaliação de múltiplos parâmetros celulares, tanto estruturais como funcionais, propiciando a separação e o estudo de diferentes populações e subpopulações celulares. Há algumas décadas esta ferramenta de análise tem sido rotineiramente utilizada na hematologia, imunologia e oncologia. Recentemente, estudos tem utilizado esta ferramenta para a avaliação de impactos resultantes da exposição de peixes a compostos derivados do petróleo.

Portanto, esse projeto de pós-doutorado irá testar protocolos de CF em peixes de ambiente dulcícola do estado do Paraná expostos a óleo diesel e suas frações, para estabelecer subsídios para estudos de biomonitoramento. Permitindo, desta forma, identificar de forma mais precisa a interferência de incidentes com óleo diesel, em ambientes aquáticos continentais. Além disso, pretende-se interpretar o mecanismo de ação do óleo diesel e suas frações sobre a capacidade de resposta imune de peixes e avaliar a relação entre a presença de Proteínas de Estresse e a exposição de peixes de ambientes dulcícolas ao óleo diesel e suas frações.

Gisela Geraldine Castilho-Westphal possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Paraná (2003), mestrado em Ciências Veterinárias (2006), doutorado em Ciências Biológicas – Zoologia (2012) e pós-doutorado em Zoologia em andamento, pela mesma instituição. Atualmente é pesquisadora do Grupo Integrado de Aquicultura e Estudos Ambientais (GIA/UFPR), onde também coordena o Laboratório de Histologia e Microbiologia. Tem experiência nas áreas de Microbiologia, Histopatologia e Aquicultura, atuando principalmente nos seguintes temas: microbiologia, produção e doenças de animais aquáticos, avaliação de impactos ambientais, sanidade animal e saúde pública.

[widgetkit id=16]