Sistemas de cultivo em meios heterotróficos (Bioflocos) – PARTE 2

Por: Diego Junqueira Stevanato e Vitor Gomes Rossi

Publicado em: 19/11/2015.

Atualmente, a produção mundial de pescado está em torno de 140 milhões de toneladas e ainda existe uma demanda adicional de consumo de peixe. Concomitantemente a este crescimento, procura-se aprimorar as técnicas de cultivo a fim de tornar a piscicultura uma atividade mais sustentável e sem que haja prejuízo nos parâmetros zootécnicos. Dentro deste contexto insere-se a tecnologia de bioflocos (TBF), que é uma técnica que pauta o controle da qualidade da água de cultivo através do correto balanceamento entre as concentrações de carbono e nitrogênio, bem como a presença intensa de atividade microbiana, criando um ambiente rico em proteína proveniente dos microrganismos.

Esta produção proteica realizada por seres heterotróficos se dá utilizando matéria orgânica resultante tanto dos dejetos dos peixes, quanto do montante que advêm da ração não consumida e se acumula no ambiente. Desta forma ocorre uma reciclagem da matéria orgânica que compõem o sistema de produção. Reciclagem esta que somente é possível se houver uma proporção ideal de carbono:nitrogênio dentro do sistema, sendo preconizado tal razão em ao menos 10:1, respectivamente. Com isso, as bactérias são capazes de assimilar os compostos nitrogenados do meio e sintetizarem flocos que servirão de substrato para as mesmas bem como depósito de matéria proteica produzida por estes seres. Todas estas condições, aliadas a uma forte aeração e movimentação da água, levam à formação dos bioflocos, que, em conjunto com outros organismos presentes (protozoários, oligoquetas, leveduras e microalgas), servem de fonte nutricional para os peixes do cultivo.

Outras vantagens que cerceiam esta tecnologia são: possibilidade de reaproveitar a água advinda do ciclo produtivo anterior para aquele que virá, servindo a mesma de inoculo para que uma nova leva de animais seja introduzida; menor possibilidade de introdução e proliferação de microrganismos maléficos à sanidade dos peixes, pois a população microbiana presente é capaz de atuar dificultando e até mesmo inibindo possíveis patógenos; alta densidade de produção, uma vez que o alimento se encontra disperso por toda a coluna de água, o que minimiza a competição entre os animais e aumenta a eficácia de captura do alimento pelos mesmos; menor volume e concentração proteica das rações utilizadas, o que leva a uma diminuição nos custos envolvendo a alimentação, que podem significar em uma piscicultura à considerável fatia de 70% do custo total de produção.

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Figura 1 – Temática do estímulo do crescimento bacteriano heterotrófico através do ciclo dos resíduos nitrogenados, utilização do C02, adição de fontes de carbono e oxigenação.