Da genética ao Sabor

Diego Junqueira Stevanato (29/06/2014)

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia-UFPR.

 

A aquicultura no Brasil é privilegiada pelo clima favorável e grandes reservatórios de água ainda não explorados. Em média no país, o consumo de peixes é de 9 quilos/ per capita ano, sendo que, segundo FAO, recomenda-se um consumo acima de 15 quilos/ habitante ao ano.

Os estoques pesqueiros mundiais de extrativismo estão se esgotando, não suprindo a crescente demanda do mercado, além de potencializarem impactos no ecossistema aquático. A piscicultura, tanto continental como marítima, impulsionou a cadeia do peixe dentro do contexto mundial na última década.

O peixe em destaque é a Tilápia, considerada como “frango d´água”, é a espécie de água doce mais cultivada no país desde 2002. A espécie é exótica, possui alta rusticidade, crescimento rápido e excelente qualidade em sua carne, desde que sejam adotadas medidas sanitárias dentro de toda cadeia produtiva. Esta já apresenta resultados de lucratividade compensatória a curto prazo, além de ser fonte de renda extra a pequenos e médios aquicultores.

 

Figura 1: Beneficiamento da Tilápia

Tanto sucesso veio dos estudos genéticos aplicados à aquicultura. O melhoramento genético dentro da espécie sofre melhorias constantemente. Outro ponto importante é o sistema de confinamento em estruturas flutuantes (tanques-rede). O peixe não tem contato com o fundo das represas, o fluxo de água é contínuo e o mesmo, praticamente não se movimenta. Assim, o alimento chega sem que haja gasto calórico, gerando um filé mais espesso e macio.

A ração ofertada é balanceada conforme as fases do ciclo de produção. Uma grande vantagem desse modelo de criação é o fato de, em pouco espaço, produzir grandes quantidades de proteína de origem animal. Os métodos de despesca são ágeis, não necessitando redes de arrasto ou métodos tradicionais usados em viveiros escavados.

A despesca pode ser programada, distribuídas ao longo do ano de acordo com a necessidade do produtor. Em média, se adotado padrões zootécnicos de produção, pode-se produzir até 3 safras distintas durante o período de 12 meses. A maior produção é em torno das espécies GIFT, GST e Saint Peter.

 

Figura 2: Filé, praticidade na mesa do consumidor.

A tecnificação de toda cadeia produtiva ainda é precisa, muito ainda há de ser estudado. O setor ainda tem muito a crescer, e a metodologia que melhor atende aos interesses da indústria e do consumidor ainda não foram descritos, mais sempre deve-se levar em consideração a qualidade do produto.