Rastreabilidade na Aquicultura

Por: Diego Junqueira Stevanato

Publicado em 08/01/15

 

O setor aquícola encontra-se em plena expansão, não apenas no Brasil, mas no mundo como um todo, impulsionando assim a criação de novos modelos produtivos, mais intensivos, capazes de suprir em quantidade, sem comprometer os padrões de qualidade exigidos pelo consumidor.

Nesse contexto e como já implantadas em outros setores do país, a rastreabilidade tornou-se uma ferramenta fundamental para o crescimento e fortalecimento do setor aquícola brasileiro. O pacote tecnológico da rastreabilidade possibilita ao consumidor o acesso de qualquer alimento já inserido dentro da rastreabilidade através da leitura de um código de barras.

 

Entendendo como acontece o processo de rastreabilidade:

 A sistemática aplicada para a rastreabilidade percorre dois caminhos opostos que, tanto podem seguir o sentido produtor-consumidor, sendo registradas todas as informações decorridas durante as etapas de produção, beneficiamento, transporte e comercialização dos produtos, como consumidor-produtor, que com essas informações geradas pode se privilegiar ou até mudar métodos de produção visando assegurar a qualidade do produto final.

 As informações podem ser acessíveis pela leitura de código de barras em duas dimensões (Código Bidimensional QRCODE). Sistemas mais modernos possuem etiquetas com chip de leitura. Os produtos são chamados de unidades de expedição, esses passam por diversos processamentos antes da venda para o consumidor final. Uma unidade de expedição pode ser de um produto individual ou conjunto de produtos embalados.

 O código de barras é a digital do produto e nele existem pontos cruciais: variável logística, código do país, código da empresa, código do produto e dígito controle. Muitos produtos já possuem esse código em seu rótulo, e o consumidor pode acessar a origem desses alimentos por meio do seu smartfone. A leitura é realizada pela câmera e posteriormente são convertidas em textos ou endereços na internet por softwares específicos. Aos consumidores que não possuem esses modelos de celulares, grande parte dos supermercados já possuem equipamentos que realizam a leitura e já oferecem ao consumidor todos os dados de procedência do produto.

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Figura 1 – Temática das etapas do processo de rastreabilidade

 

Vitrine para a Aquicultura:

A rastreabilidade não é uma ferramenta de controle de qualidade, mas possibilita a localização de pontos críticos de produção, minimizando falhas dentro do processo produtivo. Essa tecnologia tem se tornado uma necessidade já que, desde 2002, a União Europeia já exige a rastreabilidade de produtos importados do setor aquícola.

Para se adaptar à nova tecnologia, nos softwares de leitura as empresas podem disponibilizar aos consumidores dados sobre a certificação de origem do produto, das etapas do processamento, pode salientar a qualidade da água do cultivo, da quantidade microbiológica do filé, informação nutricional e também oferecer sugestões gastronômicas, sendo um diferencial entre produtos de outros países.

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Figura 2 – Temática da rastreabilidade de produtos da aquicultura

O produtor também pode usufruir da rastreabilidade para potencializar sua produção. Há possibilidade de programar a despesca, bem como saber se há consumo e do seu produto dentro da rede de comercialização. As indústrias de beneficiamento podem se planejar para recebimento da matéria prima, os insumos utilizados pelo produtor no campo são registrados dentro do sistema e assim, o consumidor final poderá ter acesso a todas as informações geradas ao longo de todo processo produtivo do setor aquícola.

Vale ressaltar que a rastreabilidade por si só não garante a qualidade do produto, todo o processo produtivo (produtor, indústrias de beneficiamento, setor de transporte e comercialização) deve-se atentar às boas práticas de produção. O produtor pode adquirir a nova tecnologia junto à cooperativas e frigoríficos, e o produto rastreado pode ter ser preço diferenciado dentro do mercado interno ou até mesmo atender as exigências do mercado externo.