Por

Diego J. Stevanato e Diogo B. Hungria

 16 de junho de 2016

 

 O mexilhão dourado Limnoperna fortunei é um molusco de água doce nativa de rios e arroios chineses e do sudoeste asiático, inserido em meio aquático brasileiro de maneira acidental por meio do despejo da água de lastro de navios cargueiros na bacia do Prata, por volta da década de 90. Sua adaptação foi rápida e hoje, devido sua altíssima taxa de disseminação, está presente nas principais bacias hidrográficas sul-americanas, ocupando rios da Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia. Esta é a terceira espécie de bivalves de água doce não nativa brasileira que coloniza rios brasileiros por meio da bacia do Prata. Sua disseminação é extremamente rápida e pode ser, dentre outras, via transporte de água por barcos pesqueiros, caminhões pipas, por retirada de areia de rios já colonizados para rios e “prainhas” artificiais, equipamentos de monitoramento hídrico de grupos de pesquisas, embarcações de esporte/laser e até mesmo por aves aquáticas.  

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Figura 1. Colonização de mexilhão dourado em um reservatório do médio rio Iguaçu.

 

O potencial impactante desta espécie no meio aquático brasileiro dá-se pelas alterações dos ecossistemas naturais, o mesmo já observado por outra espécie de mexilhão Dreissena polymorpha (mexilhão zebra) na América do Norte. Esses bivalves possuem altas taxas de reprodução e se fixam nos mais variados substratos, competindo de forma injusta e agressivamente com mexilhões nativos. Para o setor elétrico, o impacto ocasionado é extremamente econômico, voltado principalmente aos gastos com a manutenção de equipamentos obstruídos pela constante colonização do mexilhão. 

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Figura 2. Guincho da comporta de uma usina hidrelétrica com mexilhões dourados fixados, mostrando que os mesmos não possuem um substrato de fixação único, podendo ser encontrado em qualquer objeto que entre em contato com a água.

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Figura 3. Mexilhão dourado colonizando a comporta de uma usina hidrelétrica.

 

Maneiras de prevenir:

Não precisa ser nenhum especialista para ajudar na prevenção do mexilhão dourado. A contaminação pode ser evitada deixando equipamentos e barcos de quarentena ou até mesmo quando realizamos uma lavagem, sempre devemos lembrar que, a limpeza gera resíduos, e esses devem ficar em terra e não entrar em contato com o meio aquático.

Órgãos ambientais precisam fazer sua parte também, muitas pessoas ainda desconhecem o mexilhão-dourado e os riscos de sua proliferação nos rios brasileiros.