Aline Horodesky

 

Ostras são usualmente cultivadas em ambientes estuarinos, regiões com alta concentração de nutriente e grande quantidade de material particulado em suspensão, decorrentes da produção primária, da lixiviação continental ou de fontes antrópicas [1] (Figura 1).

Figura 1. Ambiente de cultivo de ostras em mesas.

Em um sistema de cultivo, as estruturas utilizadas (telas, cordas e flutuadores, lanternas japonesas) (Figura 2), além da grande quantidade de ostras confinadas em um espaço relativamente pequeno, criam condições ideais para que outros organismos se estabeleçam sobre as estruturas e sobre os animais [2]. Esses organismos são conhecidos como epibiontes ou biofouling [3].

Figura 2. Estruturas de cultivo (lanternas) de ostras em sistema long-line.

Os epibiontes são competidores das ostras cultivadas, podendo causar-lhes danos por concorrerem por alimento, espaço, oxigênio e, até mesmo, provocarem doenças [5-7]. Além disso, o excesso de epibiontes, provocado pelo manejo inadequado dos sistemas de cultivo pode afetar negativamente as taxas de crescimento, o rendimento em carne e as taxas de sobrevivência [8], podendo ainda comprometer a aparência visual do produto comercializado com concha [9]. Ao se fixarem sobre as estruturas de cultivo, os epibiontes podem ainda aumentar o peso dessas estruturas, comprometer a sua resistência e durabilidade, danificar o material, dificultar o manejo e a despesca [10]. Todas essas consequências podem implicar, por sua vez, no comprometimento da viabilidade econômica do empreendimento [11].

Figura 3. Ostras sem manejo de limpeza.

Figura 4. Fixação de epibiontes sobre a concha da ostra.

Para reduzir a quantidade de epibiontes presentes sobre as estruturas e principalmente sobre as próprias ostras, elas devem ser submetidas à limpeza periódica.

Os métodos e técnicas de limpeza de ostras durante os cultivos, por sua vez, precisam ser o mais simples, rápido, eficiente, seguro (tanto para o operador, quanto para as ostras ou para o ambiente) e não-residuais possível. Atualmente, três métodos principais de manejo são aplicados na tentativa de redução da quantidade de organismos epibiontes em ostras: controle mecânico/físico (método de retirada manual, hidrojateamento, exposição ao ar, exposição a temperaturas elevadas) [12], controle químico (com a exposição a água doce, hipersalina, hipoclorito de sódio, amônia quaternária, ácido acético, cal hidratada e hidróxido de sódio) [13, 14] e controle biológico (inserção de predadores de epibiontes dentro das estruturas de cultivo) [15] (Figura 5 e 6).

Figura 5. Método de limpeza para redução de epibiontes sobre as conchas de ostras (hidrojateamento).

Figura 6. Método de limpeza para redução de epibiontes sobre as conchas de ostras (controle químico).

 

Referências consultadas

  1. Walsh, J., Importance of continental margins in the marine biogeochemical cycling of carbon and nitrogen. Nature, 1991. 350: p. 53-55.
  2. Adams, C.M., et al., Biofouling in marine molluscan shellfish aquaculture: A survey assessing the business and economic implications of mitigation. Journal of the world aquaculture society, 2011. 42(2): p. 242-252.
  3. Marshall, R.D. and A. Dunham, Effects of culture media and stocking density on biofouling, shell shape, growth, and survival of the Pacific oyster (Crassostrea gigas) and the Manila clam (Venerupis philippinarum) in suspended culture. Aquaculture, 2013. 406: p. 68-78.
  4. Arakawa, K.Y., Competitors and fouling organisms in the hanging culture of the Pacific oyster, Crassostrea gigas (Thunberg). Marine Behaviour and Physiology, 1990. 17: p. 67-94.
  5. Mohammad, M.B.M., Relationship between biofouling and growth of the pearl oyster Pinctada fucata (Gould) in Kuwait, Arabian Gulf. Hydrobiologia, 1976. 51(2): p. 129-138.
  6. Taylor, J.J.S., P. C.; Rose, R. A., Fouling animals and their effect on the growth of silver-lip pearl oysters, Pinctada maxima (Jameson) in suspended culture. Aquaculture, 1997. 153: p. 31-40.
  7. Guenther, J.S., P. C.; Nys, R., The effect of age and shell size on accumulation of fouling organisms on the Akoya pearl oyster Pinctada fucata (Gould). Aquaculture, 2006. 252: p. 366-373.
  8. Pauley, G.B.V.D.R., B.; Troutt, D., Species profiles: life histories and environmental requirementsof costal fishes and invertebrates (Pacific Northwest) – Pacific Oyster. Fish and Wildlife Service Biology, 1988: p. 28.
  9. Doroudi, M.S., Infestation of pearl oysters by boring and fouling organisms in northern Persian Gulf. Indian Journal of Marine Sciences, 1996. 25: p. 168-169.
  10. Fitridge, I., et al., The impact and control of biofouling in marine aquaculture: a review. Biofouling, 2012. 28(7): p. 649-669.
  11. Pit, J.H. and P.C. Southgate, Fouling and predation, how do they affect growth and survival of the blacklip pearl oyster, Pinctada margaritifera, during nursery culture? Aquaculture International, 2003. 11: p. 545-555.
  12. Cheney, D.P., Bivalve shellfish quality in the USA: from the hatchery to the consumer. Journal of the world aquaculture society, 2010. 41(2): p. 192-206.
  13. Rolheiser, K.C., et al., Assessment of chemical treatments for controlling Didemnum vexillum, other biofouling, and predatory sea stars in Pacific oyster aquaculture. Aquaculture, 2012. 364-365: p. 53-60.
  14. Piola, R.F., R.A. Dunmore, and B.M. Forrest, Assessing the efficacy of spray delivered ‘ecofriendly’ chemicals for the control and eradication of marine fouling pests. Biofouling, 2010. 26: p. 187-203.
  15. McEnnulty, F.R., et al., A literature review of rapid response options for the control of ABWMAC listed species and related taxa in Australia. CSIRO Marine Research, 2001: p. 13-56.