Por Nathieli Cozer
Publicado em 23 de maio de 2018

O cultivo do camarão marinho, em águas oligohalinas (baixa salinidade), é considerada uma atividade recente no Brasil em relação à carcinicultura mundial. A interiorização da carcinicultura (Figura 1) foi impulsionada por um aumento na demanda do mercado internacional por camarão cultivado, adensamento das fazendas nos estuários e da especulação imobiliária no litoral. Além disso, extensas faixas de áreas salinizadas localizadas em regiões interiores e a capacidade de adaptação do Litopenaeus vannamei, principal espécie de camarão cultivada no mundo, a águas com baixa salinidade, despertaram o interesse de vários empreendedores sugerindo boas perspectivas de expansão deste novo segmento.


Figura 1. Fazenda em água oligohalina. Fonte: http://fenacam.com.br/pdf/fenacam2014/carcinicultura/18-oportunidades-e-desafios-do-cultivo-de-l.-vannamei-em-aguas-oligohalinas-no-brasil-_-itamar-rocha.pdf

Em geral, alguns cuidados são requeridos antes e durante a engorda do L. vannamei em águas oligohalinas:

I) deve-se se realizar o acondicionamento/aclimatação das pós-larvas, em águas com baixa salinidade, antes do povoamento em viveiros:

A aclimatação permite que os animais se adaptem gradativamente as novas condições impostas e alcancem seu equilíbrio osmótico. Isto se torna possível, por meio de reduções sucessivas na salinidade da água enquanto o camarão ainda está no seu estágio pós-larval.
Para realizar o acondicionamento das pós-larvas à baixas salinidades, os tanques de aclimatação com água salgada são esvaziados até a metade, aproximadamente, para possibilitar a diluição com a adição gradual de água doce ou vice-versa. Apesar deste ser o método mais empregado, a diluição por renovação constante é mais recomendada, pois possibilita que as larvas sejam mantidas na densidade original de estocagem, evitando assim problemas com o canibalismo. Durante este procedimento podem ser alcançados níveis de sobrevivência próximos a 100%. A aclimatação pode ocorrer na larvicultura ou na própria fazenda de cultivo.

II) a água de cultivo deve apresentar certas condições qualitativas:

Em baixa salinidade, além dos parâmetros já reconhecidos como sendo essenciais para o crescimento e sobrevivência do L. vannamei, a dureza, a alcalinidade e a concentração de sódio e cloretos são considerados primordiais. Em águas oligohalinas, estas variáveis podem tornar-se restritivas, pois afetam diretamente a osmoregulação e a formação do exoesqueleto dos camarões, além do equilíbrio químico e iônico da água.
Pode-se afirmar que esse tipo de cultivo encontra-se no patamar da sua consolidação e existem poucas informações sobre o assunto sendo, imprescindível as ações de apoio aos produtores, considerando que as condições edafoclimáticas encontradas nas regiões interioranas diferem daquelas observadas em regiões costeiras de influência do mar.

REFERÊNCIAS CONSULTADAS

NUNES, A. O Cultivo do camarão Litopenaeus vannamei em águas oligohalinas. Panorama da Aquicultura, v. 11, n. 66, p. 26-35, 2001.
MENDES, P. PRODUÇÃO DE JUVENIS DO CAMARÃO Litopenaeus vannamei COM DIFERENTES DENSIDADES DE ESTOCAGEM EM BAIXA SALINIDADE E MEIO HETEROTRÓFICO.
LOPES, Y. et al. CULTIVO DO CAMARÃO Litopenaeus vannamei, EM MEIO HETEROTRÓFICO COM ADIÇÃO DE SUBSTRATO. Revista Brasileira de Engenharia de Pesca, v. 3, n. 3, p. 51-53, 2009. ISSN 2175-3008.