Por Camila Prestes dos Santos Tavares

Publicado em 19 de outubro de 2016

 

Em muitos sistemas de cultivo, os organismos cultivados realizam uma série de rituais de acasalamento para atrair um companheiro, e finalmente, alcançar a cópula. Estes rituais envolvem uma variedade de sinais, incluindo visual, tátil e química.

Os sinais trocados em espécies agressivas e competitivas, como os crustáceos portunídeos, devem permitir que cada animal identifique a espécie e o sexo claramente. Muitas espécies de crustáceos desenvolveram bem sistemas visuais, e nestas espécies estímulos visuais podem desempenhar um grande papel na comunicação durante o comportamento de acasalamento. 

Um exemplo é o siri-azul Callinectes sapidus (Figura 1), é uma espécie com ampla distribuição geográfica, valor econômico e importância ecológica. A espécie é conhecida por ser um excelente predador visual, que até mesmo enterra-se até a altura dos olhos para emboscar a presa. E sua visão é capaz de discernir cores, como o azul, amarelo e o vermelho.

Figura 1

Figura 1. Visão dorsal de Callinectes sapidus. Fonte: Harriet Perry

 

Durante o período reprodutivo, quando um macho maduro encontra uma fêmea que está próxima da muda para a maturação sexual, o macho realiza o ritual de acasalamento, para chamar a atenção da fêmea. No momento do contato inicial, o macho sobe nas pontas dos apêndices (pereiópodes), exibe suas quelas (ou seja, suas garras) (Figura 2), e libera ferormônios contidos em sua urina para atrair a fêmea em potencial, a fêmea por sua vez, mostra seu interesse agitando suas quelas, a partir disso, o macho se aproxima da fêmea e inicia o processo de cópula (assista ao vídeo abaixo).

Figura 2

Figura 2. A quela e o dáctilo de Callinectes sapidus. Fonte: National Aquarium (aqua.org/explore/animals/blue-crab)

 

Além de posturas e movimentos, C. sapidus apresenta dimorfismo sexual visível no abdômen e nas quelas (Figura 3). Os machos têm um abdômen branco estreito, enquanto as fêmeas maduras têm um abdômen arredondado com bandas de cor laranja, azul e preta que contrastam com a carapaça ventral, e as fêmeas imaturas têm abdômen triangular com faixas laranja ou azul. Mais aparente do que o dimorfismo abdominal, é a diferença marcante na cor das quelas. Nos machos as quelas e os dáctilos são brancos e azuis, enquanto que as fêmeas têm quelas azuis e brancas com dáctilos vermelhos, porém para ambos os sexos, a intensidade das cores variam entre indivíduos.

Figura 3

Figura 3. Visão ventral de macho e fêmea de Callinectes sapidus e visão interna e externa das quelas. Escala 2cm. Fonte: Baldwin e Johnsen (2009)

 

O papel da visualização das cores das quelas e dos dáctilos no comportamento de acasalamento destes animais tem sido estudado nos últimos anos. Baldwin e Johnsen (2009) conduziram experimentos de escolha binária para investigar se machos de C. sapidus respondem a estímulos visuais das fêmeas e se eles demonstram uma preferência por coloração da quela e do dáctilo.

Os resultados mostraram que, dos 16 testes, em 14 os machos perceberam e preferiram as fêmeas que possuíam dáctilos vermelhos do que as fêmeas com outras cores (p <0,005). Confirmando que os sinais de cor são potencialmente importantes durante o comportamento de acasalamento em siris da espécie C. sapidus.

Figura 4

Figura 4. Os resultados das experiências de escolha. (A) Machos de Callinectes sapidus escolheram as quelas vermelhas do que as brancas em 14 dos 16 testes (p<0,005). B) Machos de C. sapidus também escolheram as quelas vermelhas do que as pretas em 13 dos 15 testes (p<0,01). FONTE: Baldwin e Johnsen (2009)

 

REFERÊNCIAS CONSULTADAS

BALDWIN, J.; JOHNSEN, S. The importance of color in mate choice of the blue crab Callinectes sapidus. Journal of Experimental Biology, v. 212, n. 22, p. 3762-3768, 2009-11- 15 00:00:00 2009. Disponível em: < http://jeb.biologists.org/jexbio/212/22/3762.full.pdf >.