Por Rosana do Nascimento Ribeiro

A aquariofilia ou aquarismo trata-se da prática de cultivar peixes, plantas e outros organismos aquáticos e essa atividade vem crescendo consideravelmente nas últimas  décadas, tanto em âmbito nacional quanto internacional [1].

Verificou-se um aumento na demanda de peixes ornamentais de água doce, principalmente de espécies neotropicais da Bacia Amazônica, como exemplo o acará-disco (Symphysodon spp.) e o cardinal tetra (Paracheirodon axelrodi) que representa mais de 80% do volume de peixes ornamentais comercializados nessa região [1].

Figura 1. Acará-disco (Symphysodon spp.) [6].
Figura 2. Cardinal tetra (Paracheirodon axelrodi) [7].

Para suprir a demanda mundial, por parte de países Europeus, Asiáticos e pelos Estados Unidos da América, destes peixes de água doce, além do Brasil, países como Colômbia, Venezuela e Peru praticam extração desses animais, principalmente em rios da Amazônia, essa prática está contribuindo diretamente para a redução dessas populações em seu ambiente natural [1].

A Amazônia é um dos principais exportadores de peixes ornamentais de água doce do país, e depende, quase que unicamente do extrativismo realizado em diversas áreas da Bacia Amazônica. Mesmo sendo o terceiro produto extrativista mais exportado do estado, a fiscalização do seu comércio é quase nenhuma [2].

O Rio Negro é responsável por aproximadamente 90% do fornecimento de peixes ornamentais para o comércio do Amazonas. A pesca ocorre principalmente nas regiões dos municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira. Outras regiões, como as bacias dos rios Juruá e Purus colaboram diretamente para as exportações, principalmente das espécies de Callichthyidae (Corydoras spp.) e Loricariidae (Otocinclus spp.). As bacias dos rios Tapajós e Xingu no estado do Pará, também colaboram principalmente com espécies da família Loricariidae (Ancistrus spp.; Peckoltia spp.; Hypostomus spp., entre outros) e as áreas do médio rio Solimões (Reservas Mamirauá e Anamã), rios Madeira e Uatumã, contribuem com espécies da família Cichlidae (Symphysodon aequifasciatus; Apistogramma spp.) e Callichthydae (Corydoras spp.) [2].

Figura 3. Principais áreas de pesca ornamental da Amazônia. Os círculos em vermelho representam as porcentagens aproximadas de exemplares capturados por bacia hidrográfica, de acordo com os números declarados por atacadistas autorizados, e a distribuição das espécies verificadas em literatura. Outros 0,5% não incluso no mapa representam áreas com pouca importância à pesca ornamental [3].

Segundo as instruções normativas 202 e 203 de 2008 do IBAMA, há uma lista com 178 espécies de peixes de água doce nativos brasileiros que podem ser capturados e comercializados para fins ornamentais [4]. A pesca de peixes ornamentais é considerada uma das atividades extrativistas ambientalmente mais “sustentáveis”, quando compara com a extração de madeira e mineração.

Todavia, essa prática corre um alto risco de se extinguir, devido à alta mortalidade dos peixes desde a sua captura até seu destino final e também a competição com peixes produzidos pela aquicultura; são esses os principais fatores que parecem influenciar na diminuição do comércio de peixes oriundos do extrativismo [5].

Além do extrativismo, como sabemos, a aquicultura exerce papel importante na produção desses peixes no território brasileiro, para melhor entendimento não só das formas de produção como da concentração do mercado consumidor em termos de importação e exportação assim como a distribuição interna segue abaixo o mapa de produção de peixes ornamentais no Brasil [5].

Figura 4. Mapa da produção de peixes ornamentais no Brasil [5].

A cadeia produtiva de organismos aquáticos ornamentais no Brasil, especialmente para exportações, se baseia exclusivamente no extrativismo. A pesca de peixes ornamentais deve ser monitorada de maneira que os recursos não sejam ameaçados por excessiva exploração, assegurando uma atividade sustentável [4].

Referências

1 – Disponível em: <http://www.diadecampo.com.br/zpublisherColunasArtigos>. Acesso em: 14 mai. 2019.

2 – Disponível em: <https://www.pesca.sp.gov.br/35_2_259-274.pdf>. Acesso em 14 mai. 2019.

3 – ANJOS, H. D. B., AMORIM, R. M. S., SIQUEIRA, J. A., ANJOS, C. R. Exportação de peixes ornamentais do estado do Amazonas, Bacia Amazônica, Brasil. B. Inst. Pesca, São Paulo, 35(2): 259-274, 2009.

4 – Disponível em http://ablimno.org.br/boletins/pdf/bol_38(2-3).pdf>. Acesso em: 15 mai. 2019.

5 – Disponível em: <https://panoramadaaquicultura.com.br/comercio-brasileiro-de-peixes-ornamentais>. Acesso em: 15 mai. 2019.

6 – Disponível em: <https://opulodogobio.com.br/acara-disco-symphysodon-discus/#prettyPhoto>. Acesso em: 15 mai. 2019.

7 – Disponível em: <https://keralapet.blogspot.com/2017/10/cardinal-tetra-paracheirodon-axelrodi.html>. Acesso em: 15 mai. 2019.