Camarão-rosa (Farfantepenaeus paulensis), Camarão-branco (Litopenaeus schmitti) e Camarão-cinza (Litopenaeus vannamei)

Os cultivos de camarão são o grande destaque da aquicultura brasileira e talvez aqueles que mais despertem a atenção de eventuais investidores que pensam em ingressar na atividade. Quando se fala em atrair o interesse das comunidades pesqueiras para a maricultura, também são os cultivos de camarões que parecem mais atrativos a esse público, afinal, o camarão é um dos nossos mais valiosos recursos pesqueiros.

No entanto, a tecnologia verdadeiramente desenvolvida, testadas, validadas e prontas para a aplicação nas mais diferentes escalas de produção e níveis de tecnificação dizem respeito aos cultivos realizados em viveiros. Muito pouca tecnologia está disponível em nível suficiente ou então os resultados ainda são muito inconstantes para que se possa fomentar o investimento em escala comercial quando se trata da produção em outros sistemas. No âmbito dos PLDM, os camarões poderiam, ao menos teoricamente, ser cultivados em dois sistemas: tanques-rede ou cercados.

A tecnologia para cultivo em tanques-rede começou a ser desenvolvida no Brasil, na Bahia, durante a década de 80, graças à iniciativa e aos investimentos da empresa Sansuy S/A, que vislumbrou na atividade uma oportunidade de envolvimento de pequenos produtores na carcinicultura. Naquele caso, depois de anos de tentativas, os tanques-rede se mostraram somente eficientes para a formação de plantel de reprodutores, ou seja, mantendo-se densidades de povoamento muito baixas. Se, por um lado, o povoamento em baixas densidades pode inviabilizar a produção de animais destinados ao consumo humano, por outro, torna viável, tanto técnica quanto economicamente, o cultivo e a comercialização de reprodutores destinados aos laboratórios de produção de pós-larvas.

No Paraná, no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, com a carcinicultura apresentando grande destaque no país, produção de camarão marinho em tanque-rede começou a atrair o interesse de investidores e produtores (Pereira, 2004). No entanto, depois de envolver com mais de 80 investidores e cerca de 600 tanques-rede instalados na baía de Guaratuba para cultivo do camarão-cinza, L. vannamei, a falta de uma tecnologia consistente para enfrentar os problemas técnicos e econômicos naturais de qualquer atividade nova provocou um colapso total do empreendimento e os cultivos em tanques-rede foram definitivamente abandonados. A partir de então, ao menos do estado do Paraná, tanques-rede só são utilizados por vendedores de camarões para isca-viva. Neste caso, os juvenis são apenas estocados nos tanques por alguns dias (no máximo 10-15), enquanto esperam por compradores, não chega a haver de fato um cultivo.  No entanto, os cultivos em escala experimental continuam a ser realizados no país.

Desde 1994, pesquisadores da Fundação Universidade Federal do Rio Grande – FURG vêm trabalhando para o desenvolvimento de um pacote tecnológico para o cultivo do camarão-rosa F. paulensis em estruturas alternativas de baixo custo – gaiolas e cercados. Neste sentido, já foram realizadas diversas pesquisas que vão desde a indução à maturação dos reprodutores até a engorda dos camarões em gaiolas, viveiros e cercados (Cavalli et al., 1997; Cavalli et al., 1998; Wasielesky et al., 1999). Entretanto ainda existem muitas lacunas a serem preenchidas para estabelecer as melhores condições para o seu crescimento nesses sistemas.

Já os cultivos de L. schmitti foram realizados em algumas regiões durante as décadas de 1970 e 1980. Com a entrada de L. vannamei no país, os cultivos do camarão-branco foram abandonados, pois não havia tecnologia apropriada para o cultivo da espécie, nem formação de planteis selecionados de reprodutores ou insumos específicos para este camarão, o que proporcionava uma competição totalmente desigual com L. vannamei. No Paraná, a espécie foi cultivada na Fazenda Borges, mas os índices zootécnicos obtidos nunca chegaram também a rivalizar com os alcançados nos cultivos de L. vannamei. Não foram encontrados registros do cultivo desta espécie em cercados ou em tanques-rede.

Pode-se afirmar que atualmente não existe ainda tecnologia suficientemente desenvolvida para cultivo em escala comercial em tanques-rede ou em cercados para nenhuma das três espécies potencialmente cultiváveis de camarão no litoral paranaense (F. paulensis, L. schmitti e L. vannamei). Sem o domínio dessa tecnologia e da viabilização comercial dos sistemas de produção de camarão em áreas da União, é absolutamente prematura a demarcação de áreas para cultivo de no âmbito dos PLDM. Por essa razão, as três espécies são aqui apresentadas apenas como “espécies potenciais”.

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Cavalli, R. O.; Scardua, M. & Wasielewsky Jr., W. 1997. Reproductive performance of different-sized wild and pond reared Penaeus paulensis females. J. World Aquac. Soc.28(3): 260-267.

Cavalli, R. O.; Peixoto, S. M.  & Wasielewsky Jr, W. 1998. Performance of Penaeus paulensis (Pérez-Farfante) broodstock under long-term exposure to ammonia. Aquaculture Research, 29:815-822.

Pereira, L. A. 2004. Cultivo do camarão branco do Pacífico, Litopenaeus vannamei (Boone, 1931), em tanques-rede no litoral paranaense: estudo de caso. Dissertação de mestrado. Curso de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias. Curitiba, PR. 104 p.

Wasielesky Jr. W.; Jensen, L.; Peixoto, S.; Poersch, L. H. & Bianchini, A. 1999. Cultivo do camarão-rosa Farfantepenaeus paulensis em cercados no estuário da Lagoa dos Patos. Resumos Expandidos/XII Semana Nacional de Oceanografia. Rio de Janeiro: UERJ, 1:325-327.