Pós-doutoranda: Gisela Geraldine Castilho-Westphal

Projeto de Pesquisa: “Marcadores ecotoxicológicos em peixes nativos: aplicação e desenvolvimento de novas metodologias para o monitoramento de ambientes afetados por vazamento de petróleo e derivados”.

Quando o petróleo ou um subproduto entra em contato com a água, ocorre a solubilização de compostos polares e de baixo peso molecular, a evaporação dos componentes voláteis presentes na superfície da água ao mesmo tempo em que o óleo derramado se emulsifica na água e solubiliza parte do óleo derramado, formando a fração do petróleo solúvel em água ou a mesma fração solúvel de um derivado. A fração solúvel do petróleo é uma mistura complexa de HPA, BTEX, fenóis e compostos heterocíclicos contendo nitrogênio e enxofre. Essa fração é biodisponível para os organismos aquáticos e pode ocasionar sérios distúrbios em diversos níveis biológicos, sendo que os peixes podem entrar em contato com ela tanto de forma direta, pelo contato com as brânquias e a pele, quanto indiretamente, pela ingestão de alimento contaminado. Apesar da grande preocupação em relação à contaminação do ambiente com o petróleo, existem evidências que as frações solúveis de produtos refinados como a gasolina e o diesel comercial apresentam toxicidade até cinco vezes maior que a apresentada pelo produto bruto.

Dessa forma, a exposição aguda e crônica de peixes ao petróleo e derivados, ou à fração solúvel em água destes agentes, podem diminuir a eficiência alimentar, apesar do aumento no consumo de alimento, evidenciando alteração no metabolismo energético decorrente da exposição. Essa alteração metabólica causa redução no crescimento de peixes e, além disso, pode provocar distúrbios na habilidade respiratória, alterações hematológicas e prejuízos ao sistema imunológico.

Portanto, pelos motivos elencados acima, essa pesquisa tem por objetivo testar protocolos de ecotoxicologia aquática com espécies de peixes nativos, estabelecendo subsídios aos estudos de biomonitoramento, que permitirão identificar de forma mais precisa a interferência aguda e subcrônica de incidentes com petróleo e derivados, em especial em ambientes aquáticos continentais. Para tanto, pretende-se:

  • Avaliar espécies de peixes nativos dulcícolas em testes ecotoxicológicos, de modo a definir a espécie mais adequada para ensaios laboratoriais desta natureza.
  • Determinar a CL50 de derivados leves de petróleo para a espécie de peixe estudada;
  • Determinar alterações imunológicas nos espécimes frente à exposição aos derivados de petróleo;
  • Determinar alterações hematológicas nos espécimes frente à exposição aos derivados de petróleo.

Gisela Geraldine Castilho-Westphal possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Paraná (2003), mestrado em Ciências Veterinárias (2006), doutorado em Ciências Biológicas – Zoologia (2012) e pós-doutorado em Zootecnia em andamento, pela mesma instituição. Atualmente é pesquisadora do Grupo Integrado de Aquicultura e Estudos Ambientais (GIA/UFPR), onde também coordena o Laboratório de Histologia e Microbiologia desde 2003. Tem experiência nas áreas de Histologia, Histopatologia, Microbiologia e Aquicultura, atuando principalmente nos seguintes temas: microbiologia, histologia animal, produção e doenças de animais aquáticos e avaliação de impactos ambientais.

Pós-doutoranda: Luciana Rodrigues de Souza Bastos
Projeto de Pesquisa: “Avaliação ecotoxicológica dos efeitos de derivados de petróleo sobre as respostas fisiológicas e de estresse oxidativo de embriões e adultos de lambaris do rabo amarelo (Astyanax altiparanae)”.

O aumento dos níveis de poluição, sobretudo em ambientes aquáticos, é o principal problema ambiental em todo o mundo, uma vez que esta condição está diretamente relacionada ao aumento da industrialização e do crescimento demográfico. A deposição das mais diferentes classes de poluentes leva a alterações físicas, químicas e à alarmante redução na diversidade biológica.

Hidrocarbonetos derivados de petróleo são facilmente encontrados nos ambientes aquáticos por serem provenientes de várias atividades antrópicas, mas principalmente, em consequência de acidentes ambientais. A ocorrência destes acidentes traz grandes consequências devido às características extremamente tóxicas destes compostos, mas principalmente devido ao fato destes serem muito resistentes à degradação biológica e persistirem por um longo período de tempo no ambiente.

Animais aquáticos são totalmente dependentes da qualidade da água para sua sobrevivência. Entretanto, estão cada vez mais sujeitos a águas contaminadas ou de baixa qualidade, nos mais variados habitats (de água doce, marinho e estuarino) em que se distribuem. A exposição a um contaminante ou a mistura complexa dos mesmos causam respostas de estresse nesses animais. Estresse é definido como perturbação da homeostase (equilíbrio) interna pela exposição a um estressor químico, físico ou biológico. A maior parte dos estressores afeta a estrutura branquial de peixes, devido sua grande área e necessariamente maior permeabilidade, por causa das trocas gasosas. Devido a isso, a ocorrência de alterações fisiológicas é subsequente. Estressores muitas vezes afetam a homeostasia por terem efeito direto sobre determinadas enzimas atuantes na manutenção da homeostase orgânica. Adicionalmente, muitos estressores quando metabolizados levam a formação de espécies reativas de oxigênio (ROS), as quais são capazes de levar os animais a um quadro de estresse oxidativo.

Devido a esta exposição, abundância, diversidade e ao vasto conhecimento das respostas fisiológicas e bioquímicas de peixes, os mesmos têm sido cada vez mais utilizados como bioindicadores em estudo de avaliação dos efeitos decorrentes da contaminação e da alteração na qualidade da água. Mais especificamente, a espécie Astyanax altiparanae foi escolhida como bioindicadora neste estudo por apresentar grande relevância ecológica (utilizada intensamente na pesca recreativa e na alimentação humana), além de ser facilmente produzida artificialmente. No entanto pouco é conhecido sobre as respostas fisiológicas e de estresse oxidativo desta espécie diante da exposição a hidrocarbonetos de petróleo, especialmente, no que diz respeito aos efeitos destes poluentes nas diferentes fases de desenvolvimento (embriões e adultos) desta espécie.

Diante de todo este quadro, apresenta-se como proposta geral deste estudo conhecer mais sobre a fisiologia e respostas de estresse oxidativo da espécie Astyanax altiparanae, quando embriões e adultos, de modo a fornecer informações sobre os efeitos de derivados de petróleo sobre esta espécie em diferentes fases de desenvolvimento. Adicionalmente, espera-se que os resultados obtidos nos permitam comparar as respostas desta a outras espécies de água doce.

Luciana Rodrigues de Souza Bastos possui Graduação (Licenciatura Plena) em Ciências Biológicas pelas Faculdades Integradas Espírita (2004). Fez Mestrado (2006) e Doutorado (2011) pela Universidade Federal do Paraná. Fez parte de seu doutorado (doutorado sanduiche) no Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR), em Portugal (2010). Possui Pós-Doutorado em Ciências Biológicas -Zoologia (2012) e Ciências Biológicas-Fisiologia (2014) realizados na Universidade Federal do Paraná. Possui ainda Pós-Doutorado em Ecofisiologia (2015) realizado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) em associação com a Universidade British Columbia (UBC-Canadá). Atua nas áreas de Fisiologia, Zoologia, Aquicultura, Ecotoxicologia e Ecofisiologia, especificamente nos seguintes temas: Fisiologia animal comparada, Fisiologia da osmorregulação, Ecofisiologia, Ecotoxicologia aquática e Aquicultura, usando peixes, crustáceos e moluscos como modelos.ossui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Paraná (2003), mestrado em Ciências Veterinárias (2006), doutorado em Ciências Biológicas – Zoologia (2012) e pós-doutorado em Zootecnia em andamento, pela mesma instituição. Atualmente é pesquisadora do Grupo Integrado de Aquicultura e Estudos Ambientais (GIA/UFPR), onde também coordena o Laboratório de Histologia e Microbiologia desde 2003. Tem experiência nas áreas de Histologia, Histopatologia, Microbiologia e Aquicultura, atuando principalmente nos seguintes temas: microbiologia, histologia animal, produção e doenças de animais aquáticos e avaliação de impactos ambientais.