“Efeito da exposição aguda ao petróleo em larvas de Astyanax altiparanae (Pisces, Characidade)”.

Acidentes envolvendo petróleo e seus derivados estão cada vez mais frequentes e este tipo de acidente teve um considerável aumento no final do século XX. Desde 1930, o tema petróleo vem sendo amplamente discutido no país. Involuntariamente o petróleo é liberado no ambiente através, principalmente, de incidentes durante o transporte.

Uma vez no meio, esse pode sofrer diversas transformações como volatilização, hidrólise, biodegradação e outros. Os ambientes aquáticos continentais, por possuírem em grande parte pouca movimentação hidrológica, quando submetidos às grandes concentrações de hidrocarbonetos, podem ser considerados mais castigados em relação aos ambientes marinhos.

Em função dos efeitos biológicos e ecológicos ocasionados pelo vazamento desses compostos gera-se uma igualdade na demanda de pesquisas que determinam os possíveis efeitos tóxicos dos hidrocarbonetos do petróleo em meio aquático.

Apesar do crescente número de estudos na área, pouco se sabe sobre os efeitos dos derivados do petróleo sobre peixes da ictiofauna dulcícola brasileira. Além disso, grande parte dos trabalhos utilizam peixes exóticos como biomarcadores de impacto, não ressaltando a importância de peixes nativos da região dos ocorridos acidentes.

Para isso, objetiva-se investigar os possíveis impactos ocasionados pela exposição aguda à fração solúvel do petróleo sobre as características morfofisiológicas de larvas de lambaris-do-rabo-amarelo (Astyanax altiparanae), conduzida por estudos com:

  • Influência da temperatura no desenvolvimento larval da espécie:

Nesse estudo, será registrado o padrão normal da espécie, em influência da temperatura sob os efeitos no desenvolvimento da fase larval. Para isso serão testadas três diferentes temperaturas (20, 25 e 30°C), passíveis de ocorrer em meio aquático natural.

  • Efeitos da exposição direta à fração solúvel do óleo mineral sobre a taxa de sobrevivência das larvas de Astyanax altiparanae em diferentes temperaturas:

Nesse estudo, os animais serão submetidos aos mesmos procedimentos metodológicos aplicados no desenvolvimento de influência da temperatura, porém com exposição direta com a fração solúvel do petróleo na água.

  • Possíveis alterações no desenvolvimento morfológico de larvas expostas à fração solúvel do óleo mineral:

Serão comparados e avaliados os efeitos encontrados na exposição ao petróleo em relação ao padrão normal de desenvolvimento, possibilitando mitigar os possíveis impactos ocasionados pela exposição dos animais em meio aquático natural.

 

Diego Junqueira Stevanato possui graduação em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista – Julio de Mesquita Filho (UNESP, 2012). Atualmente é integrante do Grupo Integrado de Aquicultura e Estudos Ambientais – GIA, na Universidade Federal do Paraná, na avaliação, monitoramento e na adoção de medidas de mitigação de impactos ambientais, com ênfase em ecotoxicologia aquática com derivados leves de petróleo.

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