Crustáceos parasitos

 

Diego Junqueira Stevanato (28/06/2014)

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia-UFPR.

 

Popularmente conhecidos como “piolho de peixe”, crustáceos da subclasse Branchiua (Argulus¹ e Dolops sp.) estão cada vez mais frequentes parasitando várias espécies de peixes, aderidos às nadadeiras, brânquias ou até mesmo por todo segmento da superfície corporal. Outros microcustáceos encontrados frequentemente em brânquias são os Ergasilus sp, conhecido como “larvas das brânquias”, podem ocasionar asfixia em peixes mesmo quando em condições ideais de oxigênio dissolvido. ALernaea sp., um dos parasitos mais encontrados nos sistemas de cultivos, penetram na musculatura dos peixes e deixam sua região caudal para fora semelhante a um verme.

Ambos são causadores de um relevante número de prejuízos econômicos e perdas dentro da aquicultura. Esses parasitos não possuem um hospedeiro preferencial, o ciclo de vida é direto, sendo os ovos depositados em qualquer substrato, que em até dois meses, transformam-se em jovens parasitos semelhantes aos indivíduos adultos.

No Brasil, o maior índice reprodutivo desses parasitos ocorrem entre Abril e Setembro, época em que diminui a temperatura da água. Outro ponto crucial a ser observado é o controle de matéria orgânica no viveiro, atentando-se ao excesso do mesmo.

Figura 1.  1 Argulus japonicus

Esses parasitos fixam-se nos hospedeiros através de ações altamente violentas de penetração dos ganchos presentes em seu aparelho bucal. Uma vez fixado, o parasita causa sérios traumas ao infectado pois esses, mudam constantemente de lugar no corpo do hospedeiro, repetindo as ações de penetração em cada mudança. No caso da Lernaea², essas ações são ainda mais violentas pois podem atingir órgãos internos dos peixes, além de ambos serem porta de entrada para fungos e bactérias.

Notavelmente, os peixes executam movimentos bruscos e erráticos, raspando-se em paredes ou objetos dentro dos viveiros, na tentativa de se livrar do incômodo. Isso agrava ainda mais a situação, pois agora além dos traumas ocasionados pelas penetrações, os peixes começam a apresentar hemorragia puntiforme em seu tecido muscular, uma excessiva produção de muco e, quando em pisciculturas ornamentais, uma desvalorização do produto pela mudança de coloração dos peixes ocasionada pelo estresse.

Figura 2. 2Lernaea cyprinacea– certeza de prejuízos aos aquicultores.

 

Até o momento, não há na legislação, parâmetros para o uso de produtos químicos em organismos aquáticos, nem referência sobre as possíveis alterações ambientais, que podem ser catastróficas e irreversíveis. Sendo assim, seu uso deve ser restrito e fora do ambiente de criação, preferencialmente em ambientes quarentenários e sob orientação técnica. Deve-se também respeitar ao máximo o tempo de carência pós-tratamento, não utilizando esses produtos quando nos referimos à produção de peixes para alimentação humana.

O melhor mecanismo de controle, sem dúvidas, é através de ações profiláticas, como controle de matéria orgânica no viveiro, quarentena de lotes oriundos de outras pisciculturas e fornecimento de rações de boa qualidade.