Por Raíssa Vitória Vieira Leite

Publicado em 07 de novembro de 2018

 

A Cordylophora caspia é uma espécie aquática, originaria do Mar Cáspio e Mar Negro. Trata-se de um hidrozoário eurialino, encontrado desde ambientes marinhos até estuários e águas continentais.

Esse hidróide sobrevive a diferentes faixas de temperaturas, variando entre 5 ºC e 30 ºC. Entretanto, sua temperatura ótima para crescimento e desenvolvimento está entre 18 ºC e 26 ºC, podendo oscilar de acordo com a região e salinidade da água.

A C. caspia apresenta reprodução do tipo sexuada e assexuada, onde a partir daí, pode ocorrer a dispersão de pequenos fragmentos de tecidos (hidrorriza e hidrocaules) na coluna de água. Essas estruturas podem permanecer por longos períodos em estado de latência em condições desfavoráveis, conseguindo se regenerar a partir de regiões da sua própria colônia (Figura 1).

Figura 1: Colônia de Cordylophora caspia. Fonte: http://www.planetainvertebrados.com.br

 

Por apresentar alta capacidade reprodutiva e resistência a ambientes distintos, a C. caspia é considerada um organismo potencialmente invasor em diferentes localidades do mundo. Essa espécie, provavelmente, foi transportada da sua região de origem através de água de lastro e incrustação em casco de navios. A sua invasão é favorecida, na maioria das vezes, pela ausência de predadores, o que permite a sua multiplicação de forma rápida.

Esse invasor interfere nas comunidades aquáticas causando efeitos negativos para algumas espécies nativas, como organismos ciliados e briozoários.  Esse organismo acaba colonizando de forma rápida diversos tipos de substrato que poderiam ser essenciais para espécies nativas, gerando competição entre elas.

Além de afetar negativamente a ecologia dos habitats invadidos por essa espécie, o setor econômico vem sofrendo impactos significativos associados a bioincrustação sobre as mais diversas atividades econômicas, dentre elas a geração de energia hidrelétrica.

O acúmulo de colônias de C.caspia no sistema de resfriamento das usinas geradoras de energia vem causando uma sensível queda na eficiência dos trocadores de calor. O entupimento das tubulações ocasionado pela incrustação desse organismo faz com que o sistema fique indisponível por longos períodos e gerando altos custos de manutenção.

Quando incrustado, esse hidróide pode influenciar no assentamento de algumas outras espécies, como é o caso do Limnoperna fortunei (mexilhão dourado), também considerado uma espécie invasora incrustante.

 

Figura 2: Incrustação ocasionada por hidrozoários em grades de proteção de uma usina hidrelétrica. Fonte: http://www.planetainvertebrados.com.br

 

Referência consultada:

BORGES, P. D. Aspectos do ciclo de vida da espécie invasora Cordylophora caspia (Cnidaria) no reservatório da Usina Hidrelétrica Governador José Richa, Rio Iguaçu, Paraná.  2013.

BORGES, P. D.; LUDWIG, S.; BOEGER, W. A. Testing hypotheses on the origin and dispersion of Limnoperna fortunei (Bivalvia, Mytilidae) in the Iguassu River (Paraná, Brazil): molecular markers in larvae and adults. Limnology, v. 18, n. 1, p. 31-39,  2017. ISSN 1439-8621.

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