O termo “Capacidade de Suporte” vem sendo utilizado por pesquisadores desde o final do século 19. Seu conceito tem sido empregado por diversos profissionais, para o desenvolvimento atividades nas áreas de biologia, sanitarismo, antropologia, geografia, manejo de pastagens, pesca, aquicultura, turismo, manejo da vida silvestre, entre outros (Starling et al., 2005).

Apesar de receber várias definições, a “Capacidade Suporte”, tem sido historicamente abordada por cientistas das mais diversas áreas como um indicador ambiental. O termo, que começou a ser empregado na década de 1950, é uma tentativa de se definir uma unidade de grandeza que estime a quantidade de determinado elemento ou de organismos que podem ser mantidos em um dado espaço ou ambiente, sem deteriorar ou modificar significativamente as características elementares desse ambiente.

Em áreas onde se pratica a aquicultura, a capacidade de suporte pode ser compreendida como sendo a biomassa máxima que pode ser mantida em um ecossistema, a fim de maximizar a produção, sem afetar negativamente a sua taxa de crescimento. Tem-se, portanto, que o conceito de capacidade de suporte aplicado à produção de organismos aquáticos enfatiza os danos ambientais oriundos da aquicultura (Smaal et al., 1998).

Entretanto, o uso de indicadores da capacidade suporte de ecossistemas aquáticos capazes de estabelecer medidas e cenários confiáveis à implantação de atividades e seu gerenciamento é fundamental e indiscutível. Contudo, dados os aspectos dinâmicos do ambiente, tornam-se recomendáveis estudos de longa duração e que considerem os processos biogeoquímicos que controlam o fluxo e a ciclagem de substâncias que ingressam no recurso hídrico, as diferentes fontes, fluxos de água e materiais, indicadores biológicos e tendências de mudanças nos usos do entorno, além dos fatores climáticos.

De modo geral, a metodologia utilizada foi coleta, processamento e análise de dados ambientais (dados primários e secundários de qualidade da água), dados zootécnicos e avaliação de composição de rações comerciais e composição estimada de excreta, e os resultados obtidos encontram-se em formato de tabelas no trabalho completo e foram utilizados na modelagem para demarcação dos parques aquícolas.

Smaal, A. C.; Prins, T. C.; Dankers, N.; Ball, B. 1998. Minimum requirements for modeling bivalve carrying capacity. Aquatic Ecology, v. 31, p. 423-428.

Starling, F. L. R. M.; Pereira, C. E.; Angelini, R. 2005. Definição da capacidade suporte do reservatório de furnas para cultivo intensivo de peixes em tanques-redes: Estudo técnico-científico visando a delimitação de parques aquícolas no lago da usina hidroelétrica de Furnas-MG. UFMG.