Por Fabricio Salvador Vidal e Cesar Jun Hironaka Nakao
13 de junho de 2018

Na piscicultura a qualidade da água é fundamental para a manutenção e crescimento dos peixes. Por isso, o produtor deve ficar atento principalmente com as concentrações de amônia (NH3), pH e alcalinidade. O desequilíbrio dessas concentrações pode provocar diversos distúrbios, desequilibrando o sistema de homeostase, o que desencadeia ainda mais o estresse, podendo ocasionar alterações reprodutivas, retardo no crescimento e morte dos animais. A relação entre o pH, a alcalinidade e a amônia inicia-se a partir do acúmulo de matéria orgânica nos tanques e viveiros, praticamente inevitável para a maioria dos sistemas de criação utilizados na piscicultura.

Tudo se inicia com a excreção dos peixes e com as sobras de ração não consumidas, que aumentam os níveis de NH3 e de CO2 do meio aquaso, que em contra partida acabam acidificando o meio. Parte dessa amônia acaba sendo oxidada em nitrito (NO2-), principalmente por proteobactérias aeróbias do gênero Nitrosomonas, e por proteobactérias do gênero Nitrobacter que oxidam o nitrito em nitrato (NO3-), reduzindo a concentração de amônia na água. Esse nitrato produzido muitas vezes é utilizado pelo próprio fitoplâncton presente no meio através dos processos de fotossínteses, aumentando o consumo de CO2 e concomitantemente liberando íons bicarbonato e carbonato na água.

Bactérias desnitrificantes anaeróbias que se desenvolvem na ausência de luz, também contribuem no consumo de nitrato transformando-o em nitrogênio gasoso, que facilmente se dissipa do ambiente aquoso para a atmosfera. A diminuição dos níveis de CO2 eleva o pH do meio e, o aumento dos níveis de bicarbonato e carbonato, aumentam a alcalinidade da água. A alcalinidade ajuda a controlar as variações do pH da água ao longo do dia através de seu poder de tamponamento. Muitas vezes é preciso recorrer ao processo de calagem para corrigir a alcalinidade dos tanques e viveiros. Para os peixes, a forma mais tóxica da amônia é a não ionizada (NH3) que está diretamente relacionada com a temperatura da água e a concentração do pH. Quanto mais elevados forem a temperatura e o pH, maior será a concentração de NH3.

Essa relação da amônia não ionizada com o pH e a temperatura deve-se ao fato de que o processo de nitrificação tem melhor desempenho em ambiente pouco alcalino. Então, nos horários em que o pH está elevado o processo de nitrificação está reduzido. O pH atinge seu valor mais alto durante a tarde que é o horário de melhor temperatura e luminosidade para o fitoplâncton realizar a fotossíntese. Em compensação, no período da noite, por não haver fotossíntese, haverá somente o consumo de oxigênio e a liberação de CO2. Logo, no período da manhã, a água estará com o pH baixo e níveis mais altos de CO2, aumentando os processos de nitrificação.