Por: Luciana Rodrigues de Souza Bastos

Publicado em: 12 de outubro de 2016

 

São recorrentes as queixas de produtores sobre o alto índice de mortalidade de peixes em tanques de cultivo, a qual, frequentemente, está relacionada ao aumento na concentração de amônia na água. A concentração de amônia na água é, de fato, um fator limitante para a produtividade do sistema. A mesma é facilmente encontrada no ambiente aquático, pois é proveniente de processos metabólicos de plantas e animais, da decomposição de organismos e restos orgânicos, da degradação de adubos, da emissão industrial, da atividade vulcânica. Adicionalmente, nos dias atuais, cada vez mais moléculas de amônia estão sendo sintetizadas como produto base da produção de fertilizantes, os quais atingem o ambiente aquático através dos lençóis freáticos. A amônia é encontrada no ambiente aquático na forma ionizada (NH 4 + ; amônio) ou não ionizada (NH 3 ).

Destas, a forma não ionizada é a mais tóxica. Baseado no conhecimento dos efeitos tóxicos desta forma de amônia sobre os peixes recomenda-se como níveis seguros a concentração máxima de 0,05 mg/l para peixes tropicais e 0,012 mg/l para salmonídeos. A exposição de peixes às concentrações acima das sugeridas são altamente prejudiciais à eficiência alimentar, saúde, crescimento e sobrevivência dos peixes. A manutenção das concentrações adequadas de amônia é dependente da qualidade da água, mais especificamente do pH e da temperatura (ver tabela).

GIA 3

O pH deverá ser mantido sempre em uma faixa neutra ou ligeiramente ácida (entre 6.0 e 7.0), uma vez que a concentração de amônia tóxica aumenta com a elevação (neutralidade) do pH. Assim, é imprescindível um nacompanhamento adequado e constante da qualidade da água, bem como o controle da quantidade de ração fornecida. Sim! A quantidade de amônia excretada pelos peixes pode (e deve) ser calculada com base na quantidade de proteína consumida. Em média cerca de 40% da proteína bruta (PB) presente em uma ração completa é utilizada como energia, resultando na produção de amônia. Então, mãos à obra! Controlar a quantidade de ração e monitorar a qualidade da água vai resultar em menor concentração de amônia e, consequentemente, menores prejuízos ao sistema e ao produtor.