Por: Luciana de Souza Bastos

17 de janeiro de 2017

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A utilização de sal (cloreto de sódio, NaCl) na piscicultura de água doce tem se tornado uma prática cada vez mais comum devido ao fato deste produto ser de baixo custo, de fácil disponibilidade, seguro para o manipulador e, especialmente, porque reduz a utilização de outros produtos químicos, propiciando melhores condições ao desenvolvimento dos peixes e maior segurança com relação à qualidade do produto oferecido ao consumidor. O sal pode ser aplicado, de forma bastante eficaz, em diferentes procedimentos, tais como: na redução de estresse (anestésico) em procedimentos de transporte, de despesca, de manejo; na prevenção e tratamento de doenças como a ictiofitiríase (doença dos pontos brancos) ou aquelas causadas por fungos ou helmintos monogenóides; ou ainda, como agente redutor da toxicidade de contaminantes ambientais como, por exemplo, o nitrito.

Ao ser inserido no ambiente de água doce, o sal reduz o gradiente osmótico existente entre o fluido interno dos peixes e a água externa, estimulando a produção de muco, reduzindo a agitação e, consequentemente, o estresse dos mesmos. No entanto, para garantir essa eficácia, é essencial que a utilização do sal seja feita de forma adequada, levando-se em consideração não somente o tempo de exposição, mas principalmente a quantidade tolerável e compatível com a espécie e estágio de desenvolvimento.

O não cumprimento destas recomendações faz com que o efeito seja exatamente o contrário, ou seja, desencadeia respostas de estresse e prejudica o bem estar dos animais. Isso porque peixes de água doce quando expostos a uma concentração elevada de sal apresentam drásticos prejuízos à sua homeostasia (estado de equilíbrio para o funcionamento orgânico) levando uma série de danos à saúde, crescimento e até mesmo incapacidade de sobrevivência destes animais.

Embora o sal, quando utilizado adequadamente, exerça um efeito na redução do estresse em diferentes práticas de manejo, o mesmo não resolve problemas relacionados a outras práticas inadequadas como: baixa oxigenação, baixo suprimento proteico, alta densidade de estocagem, baixa qualidade da água, entre outras. O sucesso produtivo depende da redução de fatores de estresse e de prejuízos econômicos ao produtor, portanto, é imprescindível o cuidado com a utilização de diferentes práticas de manejo de modo a não comprometer a produção bem como a qualidade do produto.