{"id":3442,"date":"2018-10-18T15:30:35","date_gmt":"2018-10-18T18:30:35","guid":{"rendered":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/?p=3442"},"modified":"2021-04-20T12:24:07","modified_gmt":"2021-04-20T15:24:07","slug":"resposta-imune-humoral-de-moluscos-bivalves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/resposta-imune-humoral-de-moluscos-bivalves\/","title":{"rendered":"Resposta Imune Humoral de Moluscos Bivalves"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Fabr\u00edcio Salvador Vidal<\/strong><\/p>\n<p><strong>Publicado em 18 de outubro de 2018<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O cultivo de moluscos bivalves, no panorama mundial da aquicultura \u00e9 crescente (FAO, 2016) e, aliado a este crescimento, aumentam, tamb\u00e9m, os riscos relacionados \u00e0 sa\u00fade desses organismos. O fato de serem animais filtradores, filtrando grandes volumes de \u00e1gua diariamente, faz com que se tornem vulner\u00e1veis \u00e0 a\u00e7\u00e3o de agentes estressores existentes no ambiente.<\/p>\n<p>Considerando a classifica\u00e7\u00e3o estabelecida por Cooper (2010), o sistema imune pode ser dividido em tr\u00eas categorias:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Barreiras externas:<\/strong> atuam impedindo a entrada de agentes patog\u00eanicos atuando, normalmente, como uma primeira linha de defesa. Nos bivalves, as conchas constituem uma barreira f\u00edsica que desempenham esta fun\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Resposta celular:<\/strong> consiste em uma rede de ativa\u00e7\u00e3o celular e enzim\u00e1tica que atua de forma menos espec\u00edfica e sem mem\u00f3ria imunol\u00f3gica, n\u00e3o produzindo anticorpos espec\u00edficos de imunidade adaptativa, conferindo aos moluscos bivalves uma imunidade definida como inata ou natural desencadeada por padr\u00f5es moleculares associados a pat\u00f3genos (PAMPs). A imunidade inata dos bivalves \u00e9 constitu\u00edda por c\u00e9lulas imunoefetoras denominadas hem\u00f3citos, presentes na hemolinfa. A hemolinfa constitui em um fluido semelhante ao sangue dos vertebrados que percorre um sistema circulat\u00f3rio aberto. A resposta imune pode ser observada a partir de mecanismos fundamentais, tais como: Fagocitose, complexo de receptores (Toll-like) de reconhecimento de PAMPs e o sistema complemento ancestral. A fagocitose consiste na primeira resposta celular contra v\u00e1rios pat\u00f3genos e ocorre em etapas que se sucedem: a quimiotaxia consiste na primeira etapa, que constitui no movimento dos hem\u00f3citos em dire\u00e7\u00e3o ao est\u00edmulo qu\u00edmico por gradiente de concentra\u00e7\u00e3o, oferecido pelo agente infeccioso; a pr\u00f3xima etapa refere-se ao reconhecimento do microrganismo invasor mediante as mol\u00e9culas PAMPs , este mecanismo decorre da a\u00e7\u00e3o de receptores espec\u00edficos encontrados na membrana dos hem\u00f3citos ou disperso na hemolinfa. Estes receptores s\u00e3o estimulados pelos lipopolissacar\u00eddeos bacterianos (LPS) induzindo a libera\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas similares ao fator de necrose tumoral (TNF) e as interleucinas (IL-1 e IL-6). A fase seguinte consiste no englobamento do agente microbiol\u00f3gico originando um fagossomo que, a seguir, passa por um processo de degrada\u00e7\u00e3o intracelular. As vias de degrada\u00e7\u00e3o como produ\u00e7\u00e3o de pept\u00eddeos antimicrobianos (PAM), produ\u00e7\u00e3o de enzimas hidrol\u00edticas, produ\u00e7\u00e3o de enzimas lisoss\u00f4micas (peroxidases), produ\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies reativas de nitrog\u00eanio (RNS) e produ\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies reativas de oxig\u00eanio (ROS) podem ser ativadas, sendo esta \u00faltima a via degradativa mais importante nos invertebrados. Ainda, segundo Marig\u00f3mez et al. (2002), a fun\u00e7\u00e3o dos hem\u00f3citos pode estar relacionada, tamb\u00e9m, \u00e0 remo\u00e7\u00e3o de metais t\u00f3xicos por interm\u00e9dio de processos como fagocitose e pinocitose. Essas part\u00edculas ser\u00e3o transportadas para as br\u00e2nquias e gl\u00e2ndulas digestivas onde ser\u00e3o eliminadas.<\/li>\n<li><strong>Imunidade humoral: <\/strong>consiste em uma resposta imunol\u00f3gica exercida por mol\u00e9culas existentes na hemolinfa dos bivalves. As aglutininas, por exemplo, estimulam a gera\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas que ir\u00e3o auxiliar na resposta imunol\u00f3gica. As lisinas s\u00e3o enzimas proteol\u00edticas que atuam em mol\u00e9culas de peptideoglicanos, essencial na estrutura da parede celular bacteriana.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O entendimento das respostas imunol\u00f3gicas dos bivalves ir\u00e1 contribuir para o reconhecimento de poss\u00edveis pat\u00f3genos que possam afetar o processo produtivo desses organismos e, consequentemente, permitir\u00e1 a ado\u00e7\u00e3o de medidas e estrat\u00e9gias preventivas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade desses organismos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>COOPER, Max D .;\u00a0HERRIN, Brantley R. Como nosso complexo sistema imunol\u00f3gico evoluiu ?.\u00a0<strong>Nature Reviews Immunology<\/strong>\u00a0, v. 10, n.\u00a01, p.\u00a02, 2010.<\/p>\n<p>MARIG\u00d3MEZ, Ionan et al. Cellular and subcellular distribution of metals in molluscs.\u00a0<strong>Microscopy research and technique<\/strong>, v. 56, n. 5, p. 358-392, 2002.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fabr\u00edcio Salvador Vidal Publicado em 18 de outubro de 2018 &nbsp; O cultivo de moluscos bivalves, no panorama mundial da aquicultura \u00e9 crescente (FAO, 2016) e, aliado a este crescimento, aumentam, tamb\u00e9m, os riscos relacionados \u00e0 sa\u00fade desses organismos. 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