{"id":2917,"date":"2018-06-15T12:21:46","date_gmt":"2018-06-15T15:21:46","guid":{"rendered":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/?p=2917"},"modified":"2021-04-20T12:24:07","modified_gmt":"2021-04-20T15:24:07","slug":"problemas-com-a-importacao-do-camarao-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/problemas-com-a-importacao-do-camarao-no-brasil\/","title":{"rendered":"Problemas com a importa\u00e7\u00e3o do camar\u00e3o no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Diego Stevanato, Felipe Kacham e Nathieli Cozer<\/strong><br \/>\n<strong>15 de junho de 2018<\/strong><\/p>\n<p>O cultivo de camar\u00e3o \u00e9 uma atividade secular, que teve in\u00edcio na \u00c1sia, com pescadores artesanais, que aprisionavam camar\u00f5es adultos e p\u00f3s-larvas  em de diques, constru\u00eddos no pr\u00f3prio mangue, que eram abastecidos pela varia\u00e7\u00e3o das mar\u00e9s  (Silva and Souza 1998, Goularti-Filho 2013). J\u00e1 na d\u00e9cada de 30, no Jap\u00e3o, o pesquisador Motosaku Fujinaga, desenvolveu t\u00e9cnicas que permitiram reprodu\u00e7\u00e3o, a larvicultura e obten\u00e7\u00e3o de p\u00f3s-larvas em laborat\u00f3rio (Lucchese , Coelho de Ara\u00fajo 2003). Posteriormente, no in\u00edcio dos anos 70, v\u00e1rios estudos passaram a ser desenvolvido, tendo como foco a defini\u00e7\u00e3o da melhor esp\u00e9cie a ser cultivada *(Briggs, Funge-Smith et al. 2005, Persyn 2011) e a nutri\u00e7\u00e3o dos animais cultivados (Zendejas 2000, Briggs, Funge-Smith et al. 2005, Persyn 2011). Tamb\u00e9m nessa \u00e9poca, o cultivo de camar\u00e3o come\u00e7ou a ser realizado comercialmente, estimulado pelo decl\u00ednio dos estoques naturais de camar\u00e3o (Naylor, Goldburg et al. 1999, Naylor, Goldburg et al. 2000, FAO 2002), somado a um aumento de renda da popula\u00e7\u00e3o, o  que impulsionou a demanda por esse pescado (DPA\/MAPA\/ABCC 2001).<\/p>\n<p>Inicialmente, as fazendas prosperaram no M\u00e9xico, Am\u00e9rica Central (Panam\u00e1 e Honduras) e Am\u00e9rica do Sul (Equador, Col\u00f4mbia e Venezuela) (Briggs, Funge-Smith et al. 2005) e tamb\u00e9m na \u00c1sia (principalmente, na China, Tail\u00e2ndia, Taiwan, Indon\u00e9sia e Filipinas) (DPA\/MAPA\/ABCC 2001). Atualmente, segundo dados da FAO (2016b), s\u00e3o justamente pa\u00edses asi\u00e1ticos os maiores produtores mundiais desse crust\u00e1ceo (pela ordem,  China, Tail\u00e2ndia, Vietnam e Indon\u00e9sia). Hoje existem pelo menos 3 esp\u00e9cies de camar\u00f5es que s\u00e3o amplamente cultivadas, mas juntas, n\u00e3o possuem a mesma import\u00e2ncia econ\u00f4mica que o camar\u00e3o <em>Litopenaeus vannamei<\/em> tem, que sozinha, representa cerca de 50% de toda produ\u00e7\u00e3o mundial de crust\u00e1ceos (FIGURA 1).<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Capturar.png\" alt=\"\" width=\"697\" height=\"463\" class=\"alignnone size-full wp-image-2921\" srcset=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Capturar.png 697w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Capturar-300x199.png 300w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Capturar-440x292.png 440w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Capturar-627x417.png 627w\" sizes=\"(max-width: 697px) 100vw, 697px\" \/><br \/>\nFigura 1. Participa\u00e7\u00e3o do<em> Litopenaeus vannamei<\/em> na produ\u00e7\u00e3o mundial de pescados Fonte: FAO 2010-2016.<\/p>\n<p>O camar\u00e3o <em>L. vannamei<\/em>, vulgarmente chamado de camar\u00e3o-da-pata-branca ou camar\u00e3o-branco-do-pac\u00edfico \u00e9 uma esp\u00e9cie ex\u00f3tica no Brasil e tem sua origem e distribui\u00e7\u00e3o natural desde as \u00e1guas do oceano pac\u00edfico, na prov\u00edncia de Sonora, no M\u00e9xico, at\u00e9 o Sul de Tumbes, no Peru (Figura 2). Segundo dados da FAO, o desempenho dessa esp\u00e9cie em cativeiro \u00e9 extraordin\u00e1rio e contribui expressivamente para manter o camar\u00e3o como a commodity que gera as maiores transa\u00e7\u00f5es financeiras (US$ 25,0 bilh\u00f5es) no mercado mundial do pescado. <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figure-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1831\" height=\"1475\" class=\"alignnone size-full wp-image-2924\" srcset=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figure-2.jpg 1831w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figure-2-750x604.jpg 750w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figure-2-1140x918.jpg 1140w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figure-2-300x242.jpg 300w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figure-2-768x619.jpg 768w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figure-2-1024x825.jpg 1024w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figure-2-440x354.jpg 440w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Figure-2-627x505.jpg 627w\" sizes=\"(max-width: 1831px) 100vw, 1831px\" \/><br \/>\nFigura 2. Distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do <em>Litopenaeus vannamei<\/em>. Fonte FAO 2016.<\/p>\n<p>Desde 2017 diversas entidades brasileiras ligadas \u00e0 carcinicultura enfrentam problemas judiciais evitando-se a entrada (via importa\u00e7\u00e3o) de camar\u00f5es oriundos do Equador. A carcinicultura brasileira por si s\u00f3 j\u00e1 enfrenta grandes problemas ambientais, sociais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos, e com a importa\u00e7\u00e3o desse produto do Equador, o quadro ainda piora. Isso porque existem pelo menos 10 tipos de doen\u00e7as l\u00e1 que ainda n\u00e3o est\u00e3o nos cultivos brasileiros. A introdu\u00e7\u00e3o dessa doen\u00e7as pode causar danos e transtornos irrepar\u00e1veis em territ\u00f3rio brasileiro. Os preju\u00edzos se expandiriam ao ambienta natural, a sa\u00fade p\u00fablica e na economia estatal.<\/p>\n<p>At\u00e9 o presente momento o que mais precisamos \u00e9 de bom senso. No Equador essas doen\u00e7as tamb\u00e9m atingem os cultivos, mas a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 subsidiada pelo Governo e que, aliada a falta de leis trabalhistas, despertam grande interesse para os exportadores que vislumbram o mercado brasileiro. A Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra C\u00e1rmen L\u00facia, suspendeu a importa\u00e7\u00e3o do camar\u00e3o marinho da esp\u00e9cie <em>Litopenaeus vannamei<\/em>, pois n\u00e3o houve uma An\u00e1lise de Risco de Importa\u00e7\u00e3o (ARI). A decis\u00e3o judicial afirma que \u00e9 obrigat\u00f3ria a realiza\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise de risco de importa\u00e7\u00e3o (ARI) para a compra do crust\u00e1ceo equatoriano e que a medida \u00e9 imprescind\u00edvel para se evitar a prolifera\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as na fauna nacional como por exemplo a mancha branca, podendo ocasionar esfor\u00e7os, gastos e consequ\u00eancias nefastas para o meio ambiente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Diego Stevanato, Felipe Kacham e Nathieli Cozer 15 de junho de 2018 O cultivo de camar\u00e3o \u00e9 uma atividade secular, que teve in\u00edcio na \u00c1sia, com pescadores artesanais, que aprisionavam camar\u00f5es adultos e p\u00f3s-larvas em de diques, constru\u00eddos no pr\u00f3prio mangue, que eram abastecidos pela varia\u00e7\u00e3o das mar\u00e9s (Silva and Souza 1998, Goularti-Filho 2013). 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