{"id":285,"date":"2017-09-29T18:33:12","date_gmt":"2017-09-29T18:33:12","guid":{"rendered":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/?p=285"},"modified":"2021-04-20T12:24:07","modified_gmt":"2021-04-20T15:24:07","slug":"ferramentas-para-o-controle-e-prevencao-de-doencas-na-carcinicultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/ferramentas-para-o-controle-e-prevencao-de-doencas-na-carcinicultura\/","title":{"rendered":"Ferramentas para o controle e preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as na carcinicultura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Gisela Castilho-Westphal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Publicado em 29 de setembro de 2017<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gia.org.br\/images\/galerias\/Pos-graduandos\/Gisela%20Toxicologia\/Fig.ura%201.jpg\" alt=\"Fig.ura 1\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Figura 1. Carcinicultura. Fonte: Santos\u00a0<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Instrumentos legais vigentes no Brasil<\/strong><\/h4>\n<div class=\"WordSection1\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>H\u00e1 em vig\u00eancia no Brasil uma s\u00e9rie de instrumentos legais que visam o controle sanit\u00e1rio e a preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as na carcinicultura, conforme descritos abaixo:<\/p>\n<ul>\n<li>INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA N\u00b0 10 24\/09\/2015\u00a0&#8211; Prorroga o prazo para implanta\u00e7\u00e3o da IN 4 MPA 04\/02\/2015 para 22 de setembro de 2017.<\/li>\n<li>INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA N\u00ba 04 04\/02\/2015\u00a0&#8211; Institui o Programa Nacional de Sanidade de Animais Aqu\u00e1ticos de Cultivo \u2013 \u201cAquicultura com Sanidade\u201d, com a finalidade de promover a sustentabilidade dos sistemas de produ\u00e7\u00e3o de animais aqu\u00e1ticos e a sanidade da mat\u00e9ria-prima obtida a partir dos cultivos nacionais.<\/li>\n<li>PORTARIA N\u00ba 19 04\/02\/2015\u00a0&#8211; Define na forma do anexo \u00e0 Portaria, a lista de doen\u00e7as de notifica\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de animais aqu\u00e1ticos ao Servi\u00e7o Veterin\u00e1rio Oficial.<\/li>\n<li>INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA N\u00b0 01 06\/01\/2015\u00a0&#8211; Altera a reda\u00e7\u00e3o do art. 3\u00ba da IN 23, de 11 de setembro de 2014. Esta altera\u00e7\u00e3o modifica o in\u00edcio da vig\u00eancia da IN 23 para 31 de agosto de 2015.<\/li>\n<li>INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA N\u00ba 30 30\/12\/2014\u00a0&#8211; Institui o Programa Nacional de Monitoramento de Resist\u00eancia a Antimicrobianos em Recursos Pesqueiros.<\/li>\n<li>INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA N\u00b0 29 22\/12\/2014\u00a0&#8211; Institui o Programa de Controle Higi\u00eanico-Sanit\u00e1rio de embarca\u00e7\u00f5es pesqueiras e infraestrutura de desembarque de pescado.<\/li>\n<li>INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA N\u00ba 26 12\/11\/2014\u00a0&#8211; Estabelece normas para a habilita\u00e7\u00e3o de profissionais privados para a realiza\u00e7\u00e3o de coleta e remessa de amostras oficiais para laborat\u00f3rios da Rede Nacional de Laborat\u00f3rios do Minist\u00e9rio da Pesca e Aquicultura \u2013 RENAQUA, e d\u00e1 outras provid\u00eancias.<\/li>\n<li>INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA MPA N\u00ba 23 11\/06\/2014\u00a0&#8211; Determina a obrigatoriedade da Guia de Tr\u00e2nsito Animal (GTA) para amparar o transporte de animais aqu\u00e1ticos e mat\u00e9rias-primas de animais aqu\u00e1ticos provenientes de estabelecimentos de aquicultura e estabelecimentos registrados em \u00f3rg\u00e3o oficial de inspe\u00e7\u00e3o e aprova o modelo de Boletim de Produ\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA MPA N\u00ba 22 11\/09\/2014\u00a0&#8211; Institui o Plano Nacional de Certifica\u00e7\u00e3o Sanit\u00e1ria de Estabelecimentos de Aquicultura &#8211; Produtores de Formas Jovens de Animais Aqu\u00e1ticos \u2013 \u201cPlano Forma Jovem Segura\u201d.<\/li>\n<li>INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA N\u00ba 21 11\/09\/2014\u00a0&#8211; Estabelece crit\u00e9rios e procedimentos para o controle do tr\u00e2nsito de organismos aqu\u00e1ticos com fins de ornamenta\u00e7\u00e3o e aquariofilia no territ\u00f3rio nacional.<\/li>\n<li>INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA N\u00ba 17 11\/08\/2014\u00a0&#8211; Disp\u00f5e sobre a Licen\u00e7a de Empresa que Comercializa Organismos Aqu\u00e1ticos Vivos \u2013 ECOAV, no Registro Geral da Atividade Pesqueira \u2013 RGP.<\/li>\n<li>INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA N\u00ba 4 30\/05\/2014\u00a0&#8211; Estabelece a Nota Fiscal do Pescado, proveniente da atividade de pesca ou de aquicultura.<\/li>\n<li>INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA N\u00b010 11\/07\/2013\u00a0&#8211; Institui a Rede de Colabora\u00e7\u00e3o em Epidemiologia Veterin\u00e1ria do Minist\u00e9rio da Pesca e Aquicultura &#8211; AquaEpi.<\/li>\n<li>INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA N\u00b0 03 13\/04\/2012\u00a0&#8211; Institui a Rede Nacional de Laborat\u00f3rios do Minist\u00e9rio da Pesca e Aquicultura &#8211; RENAQUA.<\/li>\n<li>INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA N\u00ba 18 13\/05\/2008\u00a0&#8211; Estabelece os procedimentos para importa\u00e7\u00e3o de animais aqu\u00e1ticos para fins ornamentais e destinados \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA N\u00ba 53 02\/07\/2003\u00a0&#8211; Aprova o Regulamento T\u00e9cnico do Programa Nacional de Sanidade de Animais Aqu\u00e1ticos.<\/li>\n<li>PORTARIA N\u00ba 573, de 04\/06\/2003\u00a0&#8211; Institui o Programa Nacional de Sanidade de Animais Aqu\u00e1ticos.<\/li>\n<li>INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA N\u00ba 39 04\/11\/1999\u00a0&#8211; Suspende temporariamente a entrada no territ\u00f3rio nacional de todas as esp\u00e9cies de crust\u00e1ceos, seja de \u00e1gua doce ou salgada, em qualquer etapa do seu ciclo biol\u00f3gico, inclusive seus produtos frescos e congelados, assim como os cozidos, quando inteiro em suas carapa\u00e7as ou partes delas, de qualquer proced\u00eancia.<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Programa Nacional de Sanidade de Animais Aqu\u00e1ticos (PNSAA)<\/h4>\n<p>O PNSAA trata da sanidade de organismos aqu\u00e1ticos, independente de qual regime e qual sistema sejam cultivados.<\/p>\n<p>Este programa foi institu\u00eddo pelo Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (MAPA), pela\u00a0Portaria n\u00b0573, de 4 de junho de 2003\u00a0e posteriormente aprovado pela\u00a0Instru\u00e7\u00e3o Normativa MAPA n\u00ba53, de 2 de julho de 2003. O programa prev\u00ea o controle sanit\u00e1rio de estabelecimentos de aquicultura que desenvolvem atividades relacionadas com a reprodu\u00e7\u00e3o, o cultivo, a comercializa\u00e7\u00e3o e outras atividades dos animais aqu\u00e1ticos, bem como impedir a introdu\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as ex\u00f3ticas e controlar ou erradicar aquelas existentes no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O PNSAA tamb\u00e9m visa padronizar as a\u00e7\u00f5es profil\u00e1ticas, m\u00e9todos de diagn\u00f3sticos e o saneamento dos estabelecimentos de aquicultura\u00a0<sup>2<\/sup>. Cont\u00e9m ainda, informa\u00e7\u00f5es sobre a caracteriza\u00e7\u00e3o e o cadastro de estabelecimentos de aquicultura, a notifica\u00e7\u00e3o de suspeita ou ocorr\u00eancia de doen\u00e7a, a fiscaliza\u00e7\u00e3o e o controle sanit\u00e1rio de estabelecimentos de aquicultura sobre a importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de animais, os procedimentos a serem adotados em um foco de doen\u00e7a e sobre o tr\u00e2nsito dos animais.<\/p>\n<p>Na\u00a0IN n\u00ba53\u00a0s\u00e3o apresentadas as compet\u00eancias do PNSAA, cabendo ao Departamento de Defesa Animal (DDA), da Secretaria de Defesa Agropecu\u00e1ria (DAS), do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (MAPA) sua normaliza\u00e7\u00e3o, coordena\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o das atividades do programa. As a\u00e7\u00f5es de campo s\u00e3o de responsabilidade do Servi\u00e7o\/Se\u00e7\u00e3o\/Setor de Sanidade Animal, da Delegacia Federal de Agricultura &#8211; DFA, e das Secretarias Estaduais de Agricultura ou de seus \u00f3rg\u00e3os de defesa sanit\u00e1ria animal, por meio de conv\u00eanios firmados com o MAPA.<\/p>\n<p>S\u00e3o disposi\u00e7\u00f5es do PNSAA:<\/p>\n<ul>\n<li>O DDA coordena medidas de preven\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as de notifica\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria pela\u00a0Portaria n\u00b019, de 04 de fevereiro de 2015, para impedir a introdu\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as ex\u00f3ticas e controlar ou erradicar as existentes no territ\u00f3rio nacional.<\/li>\n<li>Pro\u00edbe a entrada em todo o territ\u00f3rio nacional de animais aqu\u00e1ticos acometidos ou suspeitos de estarem acometidos de doen\u00e7as, direta ou indiretamente transmiss\u00edveis, mesmo estando aparentemente h\u00edgidos (saud\u00e1veis) e, ainda, dos portadores de parasitos externos ou internos, cuja dissemina\u00e7\u00e3o possa constituir amea\u00e7a \u00e0 popula\u00e7\u00e3o nacional de animais aqu\u00e1ticos.<\/li>\n<li>Pro\u00edbe o ingresso em territ\u00f3rio nacional de produtos, subprodutos, despojos de animais aqu\u00e1ticos, v\u00edsceras, alimento vivo ou qualquer outro material presum\u00edvel veiculador dos agentes etiol\u00f3gicos de doen\u00e7as contagiosas.<\/li>\n<li>Animais aqu\u00e1ticos procedentes de pa\u00edses onde haja doen\u00e7as end\u00eamicas de notifica\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria pela\u00a0Portaria n\u00b019, de 04 de fevereiro de 2015,s\u00f3 poder\u00e3o ingressar no pa\u00eds mediante pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o do DDA.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Todo o estabelecimento de aquicultura est\u00e1 sujeito \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o do SVO e caso sejam identificados casos de inobserv\u00e2ncia das exig\u00eancias da\u00a0Instru\u00e7\u00e3o Normativa MAPA n\u00ba53, de 2 de julho de 2003, poder\u00e3o ser adotadas as seguintes san\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<ul>\n<li>Suspens\u00e3o da autoriza\u00e7\u00e3o para importa\u00e7\u00e3o, exporta\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e da emiss\u00e3o da Guia de Tr\u00e2nsito Animal (GTA).<\/li>\n<li>Interdi\u00e7\u00e3o do estabelecimento.<\/li>\n<li>Aplica\u00e7\u00e3o de outras medidas sanit\u00e1rias estabelecidas pelo DDA.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Na\u00a0IN 53\u00a0s\u00e3o definidas as regras para a importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o e o tr\u00e2nsito de animais, bem como as medidas a serem tomadas sempre que houver a notifica\u00e7\u00e3o de suspeita de foco de doen\u00e7a de notifica\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria. Sendo estas:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Visita ao foco:<\/strong>\u00a0visita inicial, coleta de material e remessa ao laborat\u00f3rio, com preenchimento de formul\u00e1rios pr\u00f3prios;<\/li>\n<li><strong>Rastreamento epidemiol\u00f3gico:<\/strong>\u00a0baseado na obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es que levem o profissional m\u00e9dico veterin\u00e1rio a encontrar a origem do foco, visando definir sua extens\u00e3o, evolu\u00e7\u00e3o, difus\u00e3o e consequ\u00eancias;<\/li>\n<li><strong>Interdi\u00e7\u00e3o da \u00e1rea focal e perifocal:<\/strong>\u00a0conforme a gravidade da doen\u00e7a, os estabelecimentos ou zonas de cultivo ser\u00e3o interditados, assim como as propriedades vizinhas e microbacias;<\/li>\n<li><strong>Comunica\u00e7\u00e3o do foco:<\/strong>\u00a0o foco ser\u00e1 comunicado ao SVO local e este comunicar\u00e1 ao estadual, por meio de formul\u00e1rio pr\u00f3prio, para a aprecia\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica e tomada de decis\u00e3o frente \u00e0 gravidade requerida; a comunica\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser imediata quando a suspeita for de doen\u00e7as previstas no art. 8\u00ba da\u00a0IN 53;<\/li>\n<li><strong>Abate sanit\u00e1rio:<\/strong>\u00a0dependendo da doen\u00e7a, os animais existentes no estabelecimento ou zona de cultivo ser\u00e3o abatidos e o aproveitamento condicional ser\u00e1 definido pelo SVO;<\/li>\n<li><strong>Tratamento terap\u00eautico:<\/strong>\u00a0nos casos em que for vi\u00e1vel, ir\u00e1 se proceder o tratamento dos animais doentes;<\/li>\n<li><strong>Desinfec\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0constatando-se a necessidade de desinfec\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 feita a despesca, com esvaziamento completo e desinfec\u00e7\u00e3o adequada, pelo per\u00edodo necess\u00e1rio ao exterm\u00ednio do agente causador da doen\u00e7a, tomando-se todas as medidas necess\u00e1rias para impedir que este agente chegue aos corpos d\u2019\u00e1gua naturais;<\/li>\n<li><strong>Acompanhamento do foco:<\/strong>\u00a0o estabelecimento ou zona de cultivo, bem como os demais estabelecimentos pertencentes \u00e0 \u00e1rea perifocal e microbacia, dever\u00e3o ser periodicamente visitados para monitorar \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e \u00e0 execu\u00e7\u00e3o das medidas que foram recomendadas bem como \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de outras provid\u00eancias, visando o controle ou erradica\u00e7\u00e3o total da doen\u00e7a existente;<\/li>\n<li><strong>Encerramento do foco:<\/strong>\u00a0uma vez constatada a inexist\u00eancia de agentes patog\u00eanicos, bem como o tempo de despovoamento dos estabelecimentos (vazio sanit\u00e1rio) ou zona de cultivo e o sucesso das desinfec\u00e7\u00f5es realizadas, o foco ser\u00e1 encerrado e a interdi\u00e7\u00e3o suspensa.<\/li>\n<\/ol>\n<h4>Benef\u00edcios da Produ\u00e7\u00e3o Integrada para o controle e a preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as na carcinicultura:<\/h4>\n<p>Existem v\u00e1rios fatores que est\u00e3o relacionados \u00e0 sanidade de camar\u00f5es. Dentre eles, pode-se destacar a incapacidade biol\u00f3gica do grupo em desenvolver mem\u00f3ria imunol\u00f3gica e, associado a isto, a grande variedade de enfermidades infecciosas relatadas. Por estes motivos, enfermidades em camar\u00f5es podem se disseminar com rapidez, principalmente em situa\u00e7\u00f5es de estresse ambiental.<\/p>\n<p>As doen\u00e7as de notifica\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria, quando introduzida em um cultivo, geralmente resultam em perdas econ\u00f4micas e restri\u00e7\u00f5es de mercado, j\u00e1 que na maioria dos casos n\u00e3o s\u00e3o trat\u00e1veis. Neste cen\u00e1rio, o controle e a preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as na carcinicultura t\u00eam papel fundamental na redu\u00e7\u00e3o de perdas e desperd\u00edcios por mortalidades ou desuniformidade dos camar\u00f5es produzidos.<\/p>\n<p>Para reduzir tais problemas, a produ\u00e7\u00e3o deve ser sustentada por princ\u00edpios fundamentais relacionados \u00e0 qualidade ambiental, laboral e \u00e0 gest\u00e3o do processo produtivo. Entretanto, cada um dos princ\u00edpios b\u00e1sicos da Produ\u00e7\u00e3o Integrada (PI) pode promover a higidez dos camar\u00f5es durante o cultivo, minimizando perdas, conforme apresentado na Tabela 6.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"WordSection2\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Tabela 1. Princ\u00edpios fundamentais da Produ\u00e7\u00e3o Integrada (PI) na carcinicultura e seus benef\u00edcios para a sanidade dos animais produzidos.<\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<thead>\n<tr>\n<td width=\"14%\"><strong>Princ\u00edpios b\u00e1sicos<\/strong><\/td>\n<td width=\"41%\"><strong>Descri\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td width=\"44%\"><strong>Benef\u00edcios<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"14%\">\n<ol>\n<li>Estabilidade ambiental<\/li>\n<\/ol>\n<\/td>\n<td width=\"41%\">A PI deve assegurar a estabiliza\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, isto \u00e9, garantir a menor perturba\u00e7\u00e3o poss\u00edvel desses recursos para que seu equil\u00edbrio possa ser mantido.<\/td>\n<td width=\"44%\">Com o equil\u00edbrio ambiental, o efeito imunossupressor da exposi\u00e7\u00e3o a fatores estressantes para os camar\u00f5es produzidos passa a ser menor e, consequentemente, a predisposi\u00e7\u00e3o \u00e0s doen\u00e7as oportunistas \u00e9 reduzida. Ao mesmo tempo, tamb\u00e9m s\u00e3o reduzidas as altera\u00e7\u00f5es na qualidade da \u00e1gua da \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o e do entorno, bem como o desequil\u00edbrio da cadeia tr\u00f3fica no entorno do cultivo, que poderiam facilitar o aparecimento de pat\u00f3genos emergentes.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"14%\">\n<ol>\n<li>Redu\u00e7\u00e3o de perdas e desperd\u00edcios<\/li>\n<\/ol>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"41%\">O regime de PI deve garantir a melhoria e o desenvolvimento cont\u00ednuo do empreendimento, assegurar efici\u00eancia e efic\u00e1cia do sistema de produ\u00e7\u00e3o, reduzir perdas no processo produtivo e melhorar a sua gest\u00e3o e ainda, tornar a organiza\u00e7\u00e3o altamente competitiva, com produtos em conformidade com as normas t\u00e9cnicas.<\/td>\n<td width=\"44%\">O aumento da efici\u00eancia e efic\u00e1cia produtivas envolve a adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s boas pr\u00e1ticas de manejo e \u00e0 nutri\u00e7\u00e3o equilibrada, por exemplo, resultado na produ\u00e7\u00e3o de animais saud\u00e1veis e, consequentemente, menos suscet\u00edveis a enfermidades.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"14%\">\n<ol>\n<li>Capacita\u00e7\u00e3o<\/li>\n<\/ol>\n<\/td>\n<td width=\"41%\">A atualiza\u00e7\u00e3o e a capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica dos produtores e demais profissionais envolvidos com a PI devem ser continuas.<\/td>\n<td width=\"44%\">Os t\u00e9cnicos devem transmitir aos produtores conhecimento sobre educa\u00e7\u00e3o ambiental, princ\u00edpios da produ\u00e7\u00e3o integrada e avan\u00e7os nos processos das cadeias produtivas como pr\u00e9 e p\u00f3s-colheita, com o intuito de obter e manter a certifica\u00e7\u00e3o de qualidade dos produtos. Ao aprimorar o conhecimento dos produtores \u00e9 poss\u00edvel n\u00e3o s\u00f3 enfatizar a import\u00e2ncia de uma produ\u00e7\u00e3o de camar\u00f5es que atenda aos padr\u00f5es de qualidade sanit\u00e1ria, mas tamb\u00e9m implement\u00e1-la.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"14%\">\n<ol>\n<li>Manejo Integrado<\/li>\n<\/ol>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"41%\">A aplica\u00e7\u00e3o de medidas de controle deve dispor das ferramentas mais avan\u00e7adas dispon\u00edveis, como por exemplo, os m\u00e9todos de progn\u00f3stico e os limiares cientificamente validados.<\/td>\n<td width=\"44%\">O uso de fertilizantes, pesticidas, antibi\u00f3ticos, entre outros, deve ser o \u00faltimo recurso, utilizado unicamente se as perdas forem economicamente inaceit\u00e1veis e n\u00e3o puderem ser impedidas por mecanismos reguladores naturais. Deste modo, os animais produzidos ter\u00e3o m\u00ednimo risco de contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica em seu organismo e, portanto, menor influ\u00eancia negativa destes compostos sobre par\u00e2metros fisiol\u00f3gicos e imunol\u00f3gicos.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"14%\">\n<ol>\n<li>Diversidade biol\u00f3gica<\/li>\n<\/ol>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"41%\">A diversidade biol\u00f3gica, que inclui a diversidade gen\u00e9tica das esp\u00e9cies e das comunidades biol\u00f3gicas, na \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o e em seu entorno devem ser consideradas em um regime de PI.<\/td>\n<td width=\"44%\">Isso n\u00e3o significa, por exemplo, que n\u00e3o se possa utilizar esp\u00e9cies ex\u00f3ticas em um sistema da PI, mas que devem ser assegurados mecanismos para garantir que as esp\u00e9cies cultivadas n\u00e3o interfiram na diversidade biol\u00f3gica natural local ou regional. Havendo, em consequ\u00eancia desta interfer\u00eancia, interc\u00e2mbio de agentes patog\u00eanicos.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"14%\">\n<ol>\n<li>Excel\u00eancia<\/li>\n<\/ol>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"41%\">A PI deve estimular a busca pela excel\u00eancia, levando em considera\u00e7\u00e3o os par\u00e2metros ecol\u00f3gicos, sociais e econ\u00f4micos do sistema de produ\u00e7\u00e3o e os requisitos estabelecidos para a certifica\u00e7\u00e3o do processo.<\/td>\n<td width=\"44%\">Com a excel\u00eancia na PI, haver\u00e1 maior qualidade e inocuidade do produto final, do processo produtivo, de uso dos recursos naturais, de abate, de transporte dos produtos ao longo da cadeia produtiva e das condi\u00e7\u00f5es de trabalho das pessoas envolvidas no processo.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"14%\">\n<ol>\n<li>Rastreabilidade<\/li>\n<\/ol>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"41%\">A PI deve ser realizada e operada de forma hol\u00edstica, ou seja, as cadeias de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o devem ser gerenciadas de maneira sist\u00eamica, com o monitoramento, a caracteriza\u00e7\u00e3o e a rastreabilidade de todas as etapas que as envolvem (desde a produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 o consumidor final).<\/td>\n<td width=\"44%\">Dessa forma, quando ocorrer algum problema com lotes do produto, ser\u00e1 poss\u00edvel identificar onde e porque esse problema ocorreu, viabilizando a sua corre\u00e7\u00e3o.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, com a produ\u00e7\u00e3o integrada pode-se reduzir problemas com doen\u00e7as pela implanta\u00e7\u00e3o das Boas Pr\u00e1ticas de Manejo (BPM), redu\u00e7\u00e3o da carga ambiental, arra\u00e7oamento correto e eficiente balan\u00e7o nutricional da ra\u00e7\u00e3o, monitoramento e preserva\u00e7\u00e3o da \u00e1rea do entorno a propriedade, diminuindo a probabilidade de dissemina\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e garantindo a sustentabilidade da atividade. Em outras palavras, a ocorr\u00eancia de doen\u00e7as \u00e9 ainda mais grave e elas s\u00e3o mais facilmente disseminadas quando os cultivos s\u00e3o realizados em alta densidade, defici\u00eancia na implanta\u00e7\u00e3o das BPM, falta de rastreabilidade da cadeia produtiva, defici\u00eancia no manejo higi\u00eanico-sanit\u00e1rio com produ\u00e7\u00e3o e lan\u00e7amento de altas cargas de efluentes no ambiente, por exemplo.\u00a0Ao integrar o cultivo com o ambiente, melhorando sua qualidade, haver\u00e1 um menor n\u00edvel de estresse e, consequentemente, os camar\u00f5es ser\u00e3o mais saud\u00e1veis e ter\u00e3o um sistema imune mais eficiente. Minimizando, assim, as perdas decorrentes de enfermidades.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias:<\/h4>\n<p class=\"EndNoteBibliography\" style=\"text-align: justify;\"><sup>1\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/sup>SANTOS, J.\u00a0<strong>Viveiros de camar\u00e3o em Canguaretama<\/strong>.\u00a0<a href=\"http:\/\/grupocernov.com.br\/brasilaquicultura\/2016\/04\/03\/historia-da-carcinicultura-no-brasil\/\">http:\/\/grupocernov.com.br\/brasilaquicultura\/2016\/04\/03\/historia-da-carcinicultura-no-brasil\/<\/a>\u00a02016.<\/p>\n<p class=\"EndNoteBibliography\" style=\"text-align: justify;\"><sup>2\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/sup>MINIST\u00c9RIO DA AGRICULTURA, P. E. A.\u00a0<strong>Instru\u00e7\u00e3o Normativa N\u00ba 53<\/strong>. AGROPECU\u00c1RIA, S. D. D. Bras\u00edlia<strong>:\u00a0<\/strong>14 p. 02 de julho de 2003.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Gisela Castilho-Westphal Publicado em 29 de setembro de 2017 Figura 1. Carcinicultura. Fonte: Santos\u00a01. Instrumentos legais vigentes no Brasil H\u00e1 em vig\u00eancia no Brasil uma s\u00e9rie de instrumentos legais que visam o controle sanit\u00e1rio e a preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as na carcinicultura, conforme descritos abaixo: INSTRU\u00c7\u00c3O NORMATIVA N\u00b0 10 24\/09\/2015\u00a0&#8211; Prorroga o prazo para implanta\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":286,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"footnotes":""},"categories":[258,1],"tags":[],"class_list":["post-285","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-divulgacao-cientifica","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/285","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=285"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/285\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/286"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}