{"id":2605,"date":"2018-01-30T09:21:23","date_gmt":"2018-01-30T11:21:23","guid":{"rendered":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/?p=2605"},"modified":"2021-04-20T12:24:07","modified_gmt":"2021-04-20T15:24:07","slug":"bioconcentracao-de-metais-no-tecido-branquial-de-peixes-e-a-relevancia-no-uso-dos-modelos-bioticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/bioconcentracao-de-metais-no-tecido-branquial-de-peixes-e-a-relevancia-no-uso-dos-modelos-bioticos\/","title":{"rendered":"Bioconcentra\u00e7\u00e3o de metais no tecido branquial de peixes e a relev\u00e2ncia no uso dos modelos bi\u00f3ticos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Giorgi Dal Pont<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bioacumula\u00e7\u00e3o e bioconcentra\u00e7\u00e3o s\u00e3o termos que descrevem a transfer\u00eancia de contaminantes de um ambiente externo para um organismo. Em organismos aqu\u00e1ticos a bioacumula\u00e7\u00e3o pode ocorrer pela exposi\u00e7\u00e3o a sedimentos contaminados ou pela via tr\u00f3fica. J\u00e1 a bioconcentra\u00e7\u00e3o \u00e9 definida como o ac\u00famulo de contaminantes, pela exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua, por vias n\u00e3o alimentares. Essas vias podem ser o epit\u00e9lio, mucosas, e membranas, sendo que a principal membrana \u00e9 a br\u00e2nquia.<\/p>\n<p>As br\u00e2nquias s\u00e3o extensos \u00f3rg\u00e3os de interface do peixe com o ambiente aqu\u00e1tico e s\u00e3o respons\u00e1veis principalmente pela respira\u00e7\u00e3o e pelo transporte i\u00f4nico. \u00a0Quando entram em contato com altas concentra\u00e7\u00f5es de cobre tem seu epit\u00e9lio alterado ocasionando rapidamente a morte por hip\u00f3xia e\/ou desbalan\u00e7o i\u00f4nico, devido, principalmente, a diminui\u00e7\u00e3o da afinidade com transportadores de \u00edons e uma diminui\u00e7\u00e3o da capacidade de absor\u00e7\u00e3o de \u00edons.<\/p>\n<p>Um dos principais fatores que interfere na bioconcentra\u00e7\u00e3o de metais nas br\u00e2nquias dos peixes \u00e9 a biodisponibilidade do metal no meio. Nesse sentido, a presen\u00e7a e quantidade de subst\u00e2ncias como o carbono org\u00e2nico dissolvido, argila e sais dissolvidos, al\u00e9m da influ\u00eancia do pH e da capacidade de trocas cati\u00f4nicas da \u00e1gua, ir\u00e3o modular a quantidade de metal biodispon\u00edvel que pode ser absorvido pela br\u00e2nquia.<\/p>\n<p>Crit\u00e9rios que definem a qualidade da \u00e1gua podem, \u00e0s vezes, ser considerados super protetores, pois s\u00e3o definidos a partir de experimentos laboratorialmente controlados e que n\u00e3o consideram a prote\u00e7\u00e3o natural do ambiente, como as caracter\u00edsticas f\u00edsico-qu\u00edmicas da \u00e1gua, no diagn\u00f3stico da toxicidade de metais. A partir dessa premissa, foram desenvolvidos, primordialmente, modelos que consideravam as caracter\u00edsticas f\u00edsico-qu\u00edmicas da \u00e1gua e a capacidade de ader\u00eancia dos agentes t\u00f3xicos \u00e0s br\u00e2nquias dos peixes. Baseado nesses modelos um grupo de pesquisadores desenvolveram o Modelo do Ligante Bi\u00f3tico (BLM) que tem como objetivo predizer a toxicidade do cobre e da prata por meio da determina\u00e7\u00e3o da quantidade de metal livre capaz de se ligar nas br\u00e2nquias dos animais considerando as caracter\u00edsticas f\u00edsico-qu\u00edmicas da \u00e1gua.<\/p>\n<p>O BLM \u00e9 um modelo fundamentado no equil\u00edbrio qu\u00edmico. No entanto, um dos componentes deste modelo \u00e9 o local de a\u00e7\u00e3o da toxicidade no organismo. Este s\u00edtio de a\u00e7\u00e3o de toxicidade, que corresponde ao ligante bi\u00f3tico (br\u00e2nquia), \u00e9 mostrado no centro da Figura 1. O BLM \u00e9 utilizado para prever a taxa de metal que pode se associar ao ligante bi\u00f3tico considerando os processos de complexa\u00e7\u00e3o com ligantes qu\u00edmicos bem como a competi\u00e7\u00e3o de ligantes abi\u00f3ticos com os s\u00edtios de liga\u00e7\u00e3o no organismo. A rela\u00e7\u00e3o entre a exposi\u00e7\u00e3o e o efeito pode ser matematicamente determinada.<\/p>\n<p>Muitos estudos t\u00eam investigado a influ\u00eancia dos compostos dissolvidos na \u00e1gua na toxicidade de metais. Nos \u00faltimos anos, o Modelo do Ligante Bi\u00f3tico (BLM), tem sido proposto como uma ferramenta para avaliar quantitativamente a forma pela qual a especia\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da \u00e1gua afeta a disponibilidade biol\u00f3gica e metais em sistemas aqu\u00e1ticos. A abordagem do BLM foi adotada pela Ag\u00eancia Americana de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental U.S.EPA e vem ganhando um interesse generalizado devido ao seu potencial para uso no desenvolvimento de crit\u00e9rios de qualidade da \u00e1gua e na avalia\u00e7\u00e3o de risco dos organismos aqu\u00e1ticos em rela\u00e7\u00e3o aos metais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2607 aligncenter\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/giorgi-29-01-2018-1.png\" alt=\"\" width=\"684\" height=\"412\" srcset=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/giorgi-29-01-2018-1.png 1212w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/giorgi-29-01-2018-1-750x452.png 750w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/giorgi-29-01-2018-1-1140x687.png 1140w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/giorgi-29-01-2018-1-300x181.png 300w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/giorgi-29-01-2018-1-768x463.png 768w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/giorgi-29-01-2018-1-1024x617.png 1024w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/giorgi-29-01-2018-1-440x265.png 440w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/giorgi-29-01-2018-1-627x378.png 627w\" sizes=\"(max-width: 684px) 100vw, 684px\" \/><\/p>\n<p>Figura 1. Representa\u00e7\u00e3o esquem\u00e1tica do modelo do ligante bi\u00f3tico considerando as inter-rela\u00e7\u00f5es do metal com meio e suas consequ\u00eancias: qu\u00edmica, fisiol\u00f3gica e toxicol\u00f3gica. Fonte: adaptado de Paquin <em>et al<\/em>., 2002.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Giorgi Dal Pont &nbsp; Bioacumula\u00e7\u00e3o e bioconcentra\u00e7\u00e3o s\u00e3o termos que descrevem a transfer\u00eancia de contaminantes de um ambiente externo para um organismo. Em organismos aqu\u00e1ticos a bioacumula\u00e7\u00e3o pode ocorrer pela exposi\u00e7\u00e3o a sedimentos contaminados ou pela via tr\u00f3fica. 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