{"id":2584,"date":"2018-01-22T09:02:55","date_gmt":"2018-01-22T11:02:55","guid":{"rendered":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/?p=2584"},"modified":"2021-04-20T12:24:07","modified_gmt":"2021-04-20T15:24:07","slug":"como-a-amonia-presente-na-agua-pode-afetar-os-camaroes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/como-a-amonia-presente-na-agua-pode-afetar-os-camaroes\/","title":{"rendered":"Como a am\u00f4nia presente na \u00e1gua pode afetar os camar\u00f5es?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Gisela G. Castilho-Westphal &amp; Marcus V. F. Girotto <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 05 de outubro de 2008, um grave acidente ocorrido na F\u00e1brica de Fertilizantes Nitrogenados (FAFEN), localizada em Laranjeiras, Sergipe, Brasil, levou ao vazamento de am\u00f4nia para o rio Sergipe.\u00a0 Durante 24 horas foi registrada a mortalidade de toneladas de organismos aqu\u00e1ticos (muitos de interesse comercial) na regi\u00e3o do acidente, afetando inclusive fazendas de cultivo de camar\u00e3o que eram abastecidas com \u00e1gua dos ambientes contaminados. Ap\u00f3s esse per\u00edodo, com a intensa renova\u00e7\u00e3o de \u00e1gua provocada pelas mar\u00e9s, a mortalidade praticamente cessou.<\/p>\n<p>Uma das esp\u00e9cies afetadas por esse acidente ambiental foi o camar\u00e3o <em>Litopenaeus vannamei, <\/em>que tem grande import\u00e2ncia econ\u00f4mica por ser uma das esp\u00e9cies mais cultivadas no mundo, com uma crescente produ\u00e7\u00e3o mundial, que no ano de 2014 chegou pr\u00f3ximo a 4 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>A am\u00f4nia \u00e9 um composto que ocorre naturalmente no ambiente, especialmente em ambientes aqu\u00e1ticos. Ela \u00e9 subproduto da decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica por microrganismos e o produto final do catabolismo proteico de crust\u00e1ceos, sendo respons\u00e1vel por cerca de 40 a 90% de sua excre\u00e7\u00e3o nitrogenada. A am\u00f4nia tamb\u00e9m pode ser oriunda da polui\u00e7\u00e3o industrial, do lan\u00e7amento de efluentes dom\u00e9sticos e agr\u00edcolas, de atividade vulc\u00e2nica e de processos associados a mudan\u00e7as ambientais e, como no caso citado, de acidentes ambientais.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2582 aligncenter\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Figura-1_Gis.jpg\" alt=\"\" width=\"636\" height=\"457\" srcset=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Figura-1_Gis.jpg 636w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Figura-1_Gis-120x86.jpg 120w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Figura-1_Gis-350x250.jpg 350w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Figura-1_Gis-300x216.jpg 300w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Figura-1_Gis-440x316.jpg 440w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Figura-1_Gis-627x451.jpg 627w\" sizes=\"(max-width: 636px) 100vw, 636px\" \/><\/p>\n<p>Figura 1. Camar\u00e3o da esp\u00e9cie <em>Litopenaeus vannamei<\/em>, origin\u00e1rio do oceano Pac\u00edfico, cultivado no Brasil e em outros pa\u00edses do mundo. Fonte: http:\/\/bioaqua.vn\/en\/biosecurity-in-shrimp-farming\/<\/p>\n<p>A despeito da sua ampla distribui\u00e7\u00e3o nos ambientes aqu\u00e1ticos, esse composto \u00e9 t\u00f3xico e pode afetar diretamente esp\u00e9cies de crust\u00e1ceos comercialmente cultivadas. Sabe-se que animais bent\u00f4nicos podem apresentar uma alta toler\u00e2ncia a am\u00f4nia devido a adapta\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gica. Mesmo assim, camar\u00f5es como <em>L. vannamei<\/em> sofrem com a toxicidade da am\u00f4nia, que em concentra\u00e7\u00f5es subletais podem causar altera\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas, fisiol\u00f3gicas (ex.: \u00a0redu\u00e7\u00e3o na reprodu\u00e7\u00e3o e no crescimento, baixa sobreviv\u00eancia e redu\u00e7\u00e3o do percentual de muda) e comportamentais (ex.: anorexia, altera\u00e7\u00e3o no equil\u00edbrio e na nata\u00e7\u00e3o). Em concentra\u00e7\u00f5es elevadas ela pode provocar a mortalidade de camar\u00f5es pene\u00eddeos.<\/p>\n<p>Em um estudo que buscou avaliar os efeitos da am\u00f4nia sobre dois \u00f3rg\u00e3os dos camar\u00f5es (as branquiais, que atuam na respira\u00e7\u00e3o e na excre\u00e7\u00e3o, e o hepatopancreas, que faz parte do aparelho digest\u00f3rio dos camar\u00f5es), juvenis de camar\u00f5es L. vannamei foram expostos a diferentes concentra\u00e7\u00f5es de am\u00f4nia, dilu\u00edda em \u00e1gua e foram observados durante 24 horas. Ap\u00f3s este per\u00edodo, amostras dos dois \u00f3rg\u00e3os foram coletadas e analisadas em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-2583 aligncenter\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Figura-2_Gis-1024x753.jpg\" alt=\"\" width=\"633\" height=\"466\" srcset=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Figura-2_Gis-1024x753.jpg 1024w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Figura-2_Gis-750x552.jpg 750w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Figura-2_Gis-1140x838.jpg 1140w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Figura-2_Gis-300x221.jpg 300w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Figura-2_Gis-768x565.jpg 768w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Figura-2_Gis-440x324.jpg 440w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Figura-2_Gis-627x461.jpg 627w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Figura-2_Gis.jpg 1334w\" sizes=\"(max-width: 633px) 100vw, 633px\" \/><\/p>\n<p>Figura 2. Indica\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os analisados em um camar\u00e3o <em>Litopenaeus vannamei<\/em>: br\u00e2nquias e hepatop\u00e2ncreas. Fonte: adaptado de https:\/\/www.biolib.cz\/en\/image\/id25438\/<\/p>\n<p>Nesse estudo verificou-se que os camar\u00f5es expostos a am\u00f4nia modificaram o comportamento natat\u00f3rio (nadaram mais r\u00e1pido, de lado ou verticalmente ou mesmo deitavam-se no fundo do tanque) e os expostos a altas concentra\u00e7\u00f5es de am\u00f4nia (100 mg de am\u00f4nia total por litro de \u00e1gua) acabaram morrendo.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises laboratoriais mostraram que a am\u00f4nia reduziu a capacidade das br\u00e2nquias de se protegerem da a\u00e7\u00e3o da am\u00f4nia, ocasionando uma maior predisposi\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento de les\u00f5es e a perda de fun\u00e7\u00e3o. Levando ainda \u00e0 disfuncionalidade ou mesmo eventual parada de funcionamento das br\u00e2nquias, resultando em asfixia. J\u00e1 as altera\u00e7\u00f5es hepatopancre\u00e1ticas podem ter sido secundariamente desencadeadas pelo processo de an\u00f3xia, induzido pelas les\u00f5es branquiais, que levaram a destrui\u00e7\u00e3o de parte do hepatop\u00e2ncreas.<\/p>\n<p>Se tiver interesse em conhecer mais sobre este trabalho, acesse: <a href=\"http:\/\/acervodigital.ufpr.br\/bitstream\/handle\/1884\/24058\/Dissertacao%20marcus%20girotto.pdf?sequence=1\">http:\/\/acervodigital.ufpr.br\/bitstream\/handle\/1884\/24058\/Dissertacao%20marcus%20girotto.pdf?sequence=1<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gisela G. Castilho-Westphal &amp; Marcus V. F. 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