{"id":1688,"date":"2017-08-14T18:46:45","date_gmt":"2017-08-14T21:46:45","guid":{"rendered":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/problemas-em-sua-piscicultura-entenda-as-principais-causas-e-medidas-para-evitar-maiores-prejuizos\/"},"modified":"2021-04-20T12:24:07","modified_gmt":"2021-04-20T15:24:07","slug":"problemas-em-sua-piscicultura-entenda-as-principais-causas-e-medidas-para-evitar-maiores-prejuizos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/problemas-em-sua-piscicultura-entenda-as-principais-causas-e-medidas-para-evitar-maiores-prejuizos\/","title":{"rendered":"Problemas em sua piscicultura? Entenda as principais causas e medidas para evitar maiores preju\u00edzos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Luciana Rodrigues de Souza Bastos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Publicado em 14 de agosto de 2017<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.8; margin-top: 0pt; margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.4pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Calibri; background-color: transparent; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;\">Tem sido crescente o interesse na instala\u00e7\u00e3o de viveiros de peixes em pequenas propriedades por todo o Brasil, como uma alternativa \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimento para utiliza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria ou para comercializa\u00e7\u00e3o. No entanto, em conjunto a esta expans\u00e3o n\u00e3o \u00e9 incomum reclama\u00e7\u00f5es de produtores sobre problemas e preju\u00edzos, como por exemplo, o aparecimento de parasitas e doen\u00e7as, a grande quantidade de algas e plantas nos viveiros, altera\u00e7\u00f5es no pH (que avalia se a \u00e1gua \u00e9 \u00e1cida, neutra ou alcalina), na turbidez da \u00e1gua (que indica o quanto h\u00e1 de material suspenso na \u00e1gua) e elevados \u00edndices de mortalidade. A maior parte destes acontecimentos est\u00e1 relacionada com o desconhecimento quanto aos procedimentos de instala\u00e7\u00e3o e manejo necess\u00e1rios ao processo de cria\u00e7\u00e3o. O primeiro (e grande) fator a ser levado em considera\u00e7\u00e3o \u00e9 a esp\u00e9cie que ser\u00e1 cultivada, as tecnologias, dificuldades e benef\u00edcios da cria\u00e7\u00e3o, bem como, a aceita\u00e7\u00e3o da mesma no mercado. O segundo fator \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de onde o viveiro ser\u00e1 implantado. A escolha do local, o conhecimento sobre a topografia da regi\u00e3o, as caracter\u00edsticas do solo, a qualidade e quantidade da \u00e1gua que ir\u00e1 abastecer o sistema, a profundidade da escava\u00e7\u00e3o e o tipo de vegeta\u00e7\u00e3o do local, s\u00e3o de suma import\u00e2ncia para o in\u00edcio do projeto. Todos esses fatores s\u00e3o determinantes para a defini\u00e7\u00e3o da viabilidade e qualidade do processo de instala\u00e7\u00e3o e dever\u00e3o ser previamente estabelecidos por meio da avalia\u00e7\u00e3o dos custos. De modo bem geral, terrenos pouco inclinados (menos de 5%), pr\u00f3ximos e mais baixos em rela\u00e7\u00e3o ao ponto de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, com solo em condi\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias entre argiloso e arenoso (m\u00ednimo de 40% de argila) s\u00e3o os ideais. Al\u00e9m disso, \u00e9 essencial conhecer o n\u00edvel de acidez deste solo, e, proceder com a corre\u00e7\u00e3o deste, de modo a n\u00e3o interferir no pH da \u00e1gua. O tamanho do viveiro, por sua vez, depender\u00e1 da oferta de espa\u00e7o e \u00e1gua dentro da propriedade e da esp\u00e9cie de peixe a ser cultivada.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.8; margin-top: 0pt; margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.4pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Calibri; background-color: transparent; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;\">Uma vez escolhido o local, a \u00e1rea dever\u00e1 ser limpa para total remo\u00e7\u00e3o de galhos, ra\u00edzes e restos de vegeta\u00e7\u00e3o. Procede-se a escava\u00e7\u00e3o, instala\u00e7\u00e3o e a prepara\u00e7\u00e3o dos viveiros para a recep\u00e7\u00e3o dos animais. O preparo do viveiro consiste basicamente na calagem e nas aduba\u00e7\u00f5es. A calagem deve ser realizada em viveiros cujo pH do solo \u00e9 inferior a 7,0. Depois de calado, o viveiro dever\u00e1 aguardar por, pelo menos 15 dias, para ser adubado. A aduba\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada por meio da adi\u00e7\u00e3o de adubos qu\u00edmicos, dispon\u00edveis em diferentes composi\u00e7\u00f5es no mercado, em combina\u00e7\u00e3o com f\u00f3sforo, nitrog\u00eanio e calc\u00e1rio. A partir deste momento, o produtor poder\u00e1 dar inicio ao enchimento do viveiro para o recebimento dos alevinos. Nesta etapa, o produtor deve ter em mente que a atividade de piscicultura demanda grande quantidade e alta qualidade de \u00e1gua. Para se ter uma ideia, um viveiro de 1 ha e com 1,5 m de profundidade necessita de 15.000 m<\/span><span style=\"font-size: 6.6pt; font-family: Calibri; background-color: transparent; vertical-align: super; white-space: pre-wrap;\">3 <\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Calibri; background-color: transparent; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;\">de \u00e1gua. Uma vez que houve o enchimento do viveiro, a reposi\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no mesmo deve ocorrer exclusivamente quando houver elevada perda por evapora\u00e7\u00e3o ou infiltra\u00e7\u00f5es e, para equilibrar o pH e n\u00edveis de oxig\u00eanio alterados em decorr\u00eancia da degrada\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica, como vegeta\u00e7\u00e3o aqu\u00e1tica ou restos de ra\u00e7\u00e3o. O ideal \u00e9 que o sistema de abastecimento dos viveiros seja individualizado, ou seja, evitar a transfer\u00eancia de \u00e1gua entre os viveiros existentes na propriedade. <\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1687\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Imagem-texto-agosto-2017.png\" alt=\"Imagem texto agosto 2017\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" width=\"600\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Imagem-texto-agosto-2017.png 600w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Imagem-texto-agosto-2017-75x75.png 75w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Imagem-texto-agosto-2017-350x350.png 350w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Imagem-texto-agosto-2017-200x200.png 200w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Imagem-texto-agosto-2017-300x300.png 300w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Imagem-texto-agosto-2017-440x440.png 440w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Imagem-texto-agosto-2017-100x100.png 100w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.8; margin-top: 0pt; margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.4pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Calibri; background-color: transparent; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;\">T\u00e3o importante quanto os cuidados na instala\u00e7\u00e3o e preparo dos viveiros \u00e9 a proced\u00eancia e aloca\u00e7\u00e3o dos alevinos. Procurar adquirir alevinos de fazendas de cria\u00e7\u00e3o que primam pela qualidade das matrizes e que ofere\u00e7am alevinos de boa qualidade gen\u00e9tica, pois este \u00e9 um passo importante para uma produ\u00e7\u00e3o adequada. Al\u00e9m disso, \u00e9 imprescind\u00edvel que os alevinos sejam aclimatados (ainda nas embalagens onde foram transportados) \u00e0 temperatura da \u00e1gua do viveiro, por cerca de 30 a 60 min. Os alevinos n\u00e3o podem ser soltos no viveiro imediatamente ap\u00f3s sua chegada. O choque t\u00e9rmico resultante da diferen\u00e7a entre a temperatura do transporte e a da \u00e1gua do viveiro pode dizimar o lote adquirido. Uma vez que os alevinos foram soltos no viveiro, o produtor dever\u00e1 proceder com a nutri\u00e7\u00e3o dos mesmos, cuja frequ\u00eancia de fornecimento e caracter\u00edstica nutricional da ra\u00e7\u00e3o (quantidade de prote\u00edna) \u00e9 bastante vari\u00e1vel e dependente da esp\u00e9cie. De modo geral, alevinos necessitam de ra\u00e7\u00e3o com elevado teor proteico, a qual dever\u00e1 ser fornecida na forma farelada ou granulada. Conforme os peixes forem crescendo a ra\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser substitu\u00edda para formula\u00e7\u00f5es com menor \u00edndice proteico nas formas peletizada (n\u00e3o flutuantes) ou extrusada (flutuantes). A quantidade a ser lan\u00e7ada poder\u00e1 variar de 1 a 4% da biomassa do viveiro, ou seja, do peso total de peixes no viveiro e, a frequ\u00eancia \u00e9 de uma a seis vezes no dia, dependendo da esp\u00e9cie e da finalidade da cria\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito importante o fornecimento da ra\u00e7\u00e3o em quantidade adequada para n\u00e3o sobrecarregar o sistema de mat\u00e9ria org\u00e2nica, cuja degrada\u00e7\u00e3o resulta em n\u00edveis altamente t\u00f3xicos de compostos como a am\u00f4nia e nitrito.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.8; margin-top: 0pt; margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.4pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Calibri; background-color: transparent; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;\">O monitoramento da qualidade da \u00e1gua (n\u00edveis de oxig\u00eanio, pH, temperatura, concentra\u00e7\u00e3o de am\u00f4nia, e nitrito) \u00e9 essencial e independente da esp\u00e9cie que ser\u00e1 cultivada. A aten\u00e7\u00e3o a estes fatores garante a sa\u00fade dos peixes, prevenindo e controlando o aparecimento de doen\u00e7as e a morte dos animais. A maior parte das infesta\u00e7\u00f5es por protozo\u00e1rios, bact\u00e9rias e outros agentes patog\u00eanicos (como os fungos e v\u00edrus), bem como as perdas mais significativas dos estoques est\u00e3o, normalmente, associadas ao inadequado controle da qualidade da \u00e1gua e o manejo. Dentre os principais fatores que contribuem para o aparecimento de enfermidades e\/ou perda de parte ou de todo o lote de peixes est\u00e3o: a) elevada densidade de peixes, incompat\u00edvel ao tamanho do viveiro; b) dieta pouco nutritiva ou inadequada; c) manipula\u00e7\u00e3o intensa e frequente (como classifica\u00e7\u00f5es e transfer\u00eancias constantes); d) presen\u00e7a de predadores pr\u00f3ximos ao viveiro (especialmente aves); e) temperaturas inadequadas \u00e0 esp\u00e9cie (baixas ou excessivamente elevadas); f) baixo n\u00edvel de oxig\u00eanio dissolvido; g) elevada concentra\u00e7\u00e3o de produtos nitrogenados (am\u00f4nia e nitrito); h) excesso de mat\u00e9ria org\u00e2nica e i) eutrofiza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.8; margin-top: 0pt; margin-bottom: 6pt; text-indent: 35.4pt; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Calibri; background-color: transparent; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;\">As manifesta\u00e7\u00f5es comportamentais das diferentes patologias que acometem os peixes s\u00e3o diversas, mas geralmente resultam em: forma\u00e7\u00e3o de cardumes na superf\u00edcie da \u00e1gua, ac\u00famulo de peixes abaixo da entrada de \u00e1gua, ocorr\u00eancia de indiv\u00edduos com colora\u00e7\u00e3o alterada, nata\u00e7\u00e3o alterada ou aparecimento de exemplares mortos. A ocorr\u00eancia de qualquer uma dessas manifesta\u00e7\u00f5es indica, fortemente, a necessidade de checar a qualidade da \u00e1gua e de amostrar um n\u00famero de indiv\u00edduos para inspe\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 presen\u00e7a de parasitas ou sinais de infec\u00e7\u00f5es. De modo geral, para se obter sucesso no processo de cria\u00e7\u00e3o, qualquer piscicultura depende da ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de gest\u00e3o e manejo que minimizem o risco da infesta\u00e7\u00e3o por pat\u00f3genos, bem como a severidade do impacto das doen\u00e7as nos viveiros e, consequentemente, preju\u00edzos ao produtor. Para isso, \u00e9 essencial o estabelecimento de uma rotina de monitoramento da qualidade da \u00e1gua e de monitoramento parasitol\u00f3gico. Profissionais capacitados podem orientar e auxiliar quanto \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas de gest\u00e3o e manejo, prevenindo e, principalmente, indicando tratamentos adequados \u00e0s enfermidades, uma vez que a utiliza\u00e7\u00e3o de alguns medicamentos pode comprometer a qualidade do pescado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Calibri; background-color: transparent; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;\"><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Luciana Rodrigues de Souza Bastos Publicado em 14 de agosto de 2017 &nbsp; Tem sido crescente o interesse na instala\u00e7\u00e3o de viveiros de peixes em pequenas propriedades por todo o Brasil, como uma alternativa \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimento para utiliza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria ou para comercializa\u00e7\u00e3o. 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