{"id":1558,"date":"2016-09-19T18:15:16","date_gmt":"2016-09-19T21:15:16","guid":{"rendered":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/a-biorremediacao-como-ferramenta-para-recuperacao-de-ecossistemas-aquaticos-contaminados-por-hidrocarbonetos-de-petroleo\/"},"modified":"2021-04-20T12:24:08","modified_gmt":"2021-04-20T15:24:08","slug":"a-biorremediacao-como-ferramenta-para-recuperacao-de-ecossistemas-aquaticos-contaminados-por-hidrocarbonetos-de-petroleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/a-biorremediacao-como-ferramenta-para-recuperacao-de-ecossistemas-aquaticos-contaminados-por-hidrocarbonetos-de-petroleo\/","title":{"rendered":"A biorremedia\u00e7\u00e3o como ferramenta para recupera\u00e7\u00e3o de ecossistemas aqu\u00e1ticos contaminados por hidrocarbonetos de petr\u00f3leo"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por: Giorgi Dal Pont<\/strong><\/p>\n<p><strong>Publicado em: 19\/09\/2016<\/strong><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1557\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Imagem-capa3.jpg\" alt=\"Imagem capa3\" width=\"552\" height=\"345\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" srcset=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Imagem-capa3.jpg 2560w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Imagem-capa3-750x469.jpg 750w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Imagem-capa3-1140x713.jpg 1140w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Imagem-capa3-300x188.jpg 300w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Imagem-capa3-768x480.jpg 768w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Imagem-capa3-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Imagem-capa3-440x275.jpg 440w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Imagem-capa3-627x392.jpg 627w\" sizes=\"(max-width: 552px) 100vw, 552px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o petr\u00f3leo entra em contato com a \u00e1gua, em decorr\u00eancia de um derrame ou&nbsp;vazamento, ocorrem naturalmente v\u00e1rios processos qu\u00edmicos catal\u00edticos de&nbsp;evapora\u00e7\u00e3o e foto-oxida\u00e7\u00e3o. Em ambientes aqu\u00e1ticos marinhos, o \u00f3leo sofrer\u00e1 fortes&nbsp;interfer\u00eancias dos ventos e dos movimentos das ondas e mar\u00e9s, os quais estimulam&nbsp;processos de espalhamento e emulsifica\u00e7\u00e3o. Com isso, alguns componentes do \u00f3leo&nbsp;s\u00e3o solubilizados e dispersados na \u00e1gua, enquanto as fra\u00e7\u00f5es mais pesadas do \u00f3leo&nbsp;s\u00e3o sedimentadas. No ambiente aqu\u00e1tico, o destino da maioria das subst\u00e2ncias&nbsp;formadoras do petr\u00f3leo ser\u00e1, posteriormente, definido por processos naturais de&nbsp;biotransforma\u00e7\u00e3o e biodegrada\u00e7\u00e3o resultante de atividade microbiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, j\u00e1 foram identificadas aproximadamente uma centena de&nbsp;esp\u00e9cies de bact\u00e9rias e fungos capazes de utilizar os hidrocarbonetos de petr\u00f3leo&nbsp;para sustentar o seu crescimento e metabolismo. Em ambientes sem hist\u00f3rico por&nbsp;contamina\u00e7\u00e3o por petr\u00f3leo, as propor\u00e7\u00f5es desses microrganismos costumam&nbsp;representar 0,1 a 1,0 % da abund\u00e2ncia total de bact\u00e9rias heterotr\u00f3ficas. J\u00e1 em \u00e1reas&nbsp;polu\u00eddas por \u00f3leo cru essa parcela aumenta significativamente, alcan\u00e7ando valores&nbsp;entre 1 e 10 %. Entretanto, um dos principais fatores limitantes \u00e0 biodegrada\u00e7\u00e3o do&nbsp;\u00f3leo \u00e9 a sua baixa biodisponibilidade para os microrganismos. Isso ocorre devido \u00e0&nbsp;intera\u00e7\u00e3o dos hidrocarbonetos de petr\u00f3leo com componentes do solo, tornado esses agregados (\u00f3leo + solo) dif\u00edceis de serem removidos ou degradados.&nbsp;Al\u00e9m disso, os&nbsp;distintos grupos de hidrocarbonetos apresentam diferentes graus de&nbsp;susceptibilidade ao ataque microbiano. O grupo dos alcanos de cadeia linear&nbsp;apresenta a maior susceptibilidade e os HPAs, considerado o principal grupo&nbsp;determinante da toxicidade do petr\u00f3leo para organismos aqu\u00e1ticos, apresentam&nbsp;baixa biodisponibilidade e, dependendo do peso molecular, n\u00e3o sofrem nenhuma&nbsp;a\u00e7\u00e3o microbiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das caracter\u00edsticas do \u00f3leo e de seus componentes, a taxa de&nbsp;degrada\u00e7\u00e3o microbiana tamb\u00e9m \u00e9 dependente de fatores ambientais como a&nbsp;temperatura, a concentra\u00e7\u00e3o dos nutrientes e de oxig\u00eanio, pH, salinidade e, \u00e9 claro,&nbsp;a composi\u00e7\u00e3o e abund\u00e2ncia de esp\u00e9cies de microrganismos degradantes. Os&nbsp;manguezais s\u00e3o um bom exemplo da complexidade apresentada por um&nbsp;ecossistema marinho costeiro. Esses ambientes apresentam uma grande varia\u00e7\u00e3o na&nbsp;temperatura, salinidade, aporte de mat\u00e9ria org\u00e2nica e grande diversidade&nbsp;microbiana , sendo que a presen\u00e7a de uma vasta microfauna \u00e9 fundamental para a&nbsp;manuten\u00e7\u00e3o dos mecanismos de produtividade prim\u00e1ria, conserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o&nbsp;deste ecossistema . Apesar da alta produtividade prim\u00e1ria, resultado de um sistema&nbsp;de reciclagem muito eficiente de nutrientes, esses ecossistemas &nbsp;eralmente&nbsp;apresentam falta de nutrientes, especialmente nitrog\u00eanio e fosfato , o que pode&nbsp;limitar a capacidade de resposta dos microrganismos em caso de contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em caso de acidente envolvendo a libera\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo ou derivados para&nbsp;ambientes aqu\u00e1ticos, v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es podem ser tomadas com o objetivo de evitar&nbsp;maiores danos a fauna e flora afetada. Essas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o normalmente tomadas&nbsp;lavando-se em considera\u00e7\u00e3o o tipo da \u00e1rea afetada (mar aberto, costas, presen\u00e7a de&nbsp;rochas, etc), o volume de \u00f3leo derramado (vazamento pesado, m\u00e9dio\/leve e quando&nbsp;n\u00e3o existe a presen\u00e7a vis\u00edvel de \u00f3leo), a localiza\u00e7\u00e3o do acidente (locais remotos e&nbsp;inacess\u00edveis) e a taxa de renova\u00e7\u00e3o de \u00e1gua do ambiente afetado. Considerando tais&nbsp;fatores, pode-se optar pela utiliza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias estrat\u00e9gias de limpeza. Dentre elas&nbsp;destacam-se os m\u00e9todos naturais, f\u00edsicos, qu\u00edmicos e de biorremedia\u00e7\u00e3o. Em geral,&nbsp;os m\u00e9todos f\u00edsicos (limpeza com materiais absorventes, remo\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica,&nbsp;lavagem, queima in situ) e qu\u00edmicos (dispersantes, desemulsificantes) s\u00e3o utlizados&nbsp;como primeira op\u00e7\u00e3o no combate \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o. M\u00e9todos naturais&nbsp;(biodegrada\u00e7\u00e3o, evapora\u00e7\u00e3o, foto-oxida\u00e7\u00e3o) s\u00e3o normalmente utilizados em locais&nbsp;com alta taxa de renova\u00e7\u00e3o de \u00e1gua ou em \u00e1reas de dif\u00edcil acesso. J\u00e1 os m\u00e9todos de&nbsp;bioremedia\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais utilizados como op\u00e7\u00e3o de tratamento secund\u00e1rio para a&nbsp;remo\u00e7\u00e3o de \u00f3leo. Os m\u00e9todos de biorremedia\u00e7\u00e3o v\u00eam ganhando espa\u00e7o desde sua&nbsp;aplica\u00e7\u00e3o bem sucedida ap\u00f3s o vazamento no petroleiro Exxon Valdez, em 1989 , e&nbsp;devido a sua a\u00e7\u00e3o efetiva na redu\u00e7\u00e3o de impactos em decorr\u00eancia de acidentes com&nbsp;petr\u00f3leo e o seu baixo custo de aplica\u00e7\u00e3o quando comparado \u00e0s outras tecnologias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Biorremedia\u00e7\u00e3o pode ser definida como a \u201cacelera\u00e7\u00e3o do processo de&nbsp;biodegrada\u00e7\u00e3o pela adi\u00e7\u00e3o de microrganismos espec\u00edficos, nutrientes e\/ou outras&nbsp;subst\u00e2ncias que aceleram a reprodu\u00e7\u00e3o destes microrganismos, desencadeando&nbsp;uma rea\u00e7\u00e3o de descontamina\u00e7\u00e3o do ambiente\u201d. A maioria das tecnologias de&nbsp;biorremedia\u00e7\u00e3o foram inicialmente desenvolvidas para imobilizar ou transformar&nbsp;hidrocarbonetos de petr\u00f3leo, tornando-os subst\u00e2ncias qu\u00edmicas menos t\u00f3xicas.&nbsp;Dentre as v\u00e1rias t\u00e9cnicas j\u00e1 desenvolvidas, as mais utilizadas em cen\u00e1rios reais de&nbsp;acidentes com libera\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo ou derivados, destacam-se as de&nbsp;bioaumenta\u00e7\u00e3o e bioestimula\u00e7\u00e3o. Em ambos os m\u00e9todos o objetivo \u00e9 aumentar a&nbsp;concentra\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias degradantes no ambiente. Entretanto, no processo de&nbsp;bioaumenta\u00e7\u00e3o, o aumento \u00e9 obtido por meio da introdu\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias&nbsp;degradadoras de \u00f3leo complementares \u00e0s j\u00e1 existentes e, na bioestimula\u00e7\u00e3o, pela&nbsp;inocula\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias no ambiente com o objetivo de fornecer nutrientes para&nbsp;as bact\u00e9rias j\u00e1 existentes ou alterar condi\u00e7\u00f5es ambientais para favorecer seu&nbsp;crescimento.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma que est\u00e3o biodispon\u00edveis para a a\u00e7\u00e3o bacteriana, as&nbsp;subst\u00e2ncias formadoras do petr\u00f3leo (HPAs, BTEX, alcanos e metais pesados, por&nbsp;exemplo) tamb\u00e9m ficam biodispon\u00edveis para os organismos de maior complexidade&nbsp;zool\u00f3gica dos ecossistemas aqu\u00e1ticos; como moluscos, crust\u00e1ceos e peixes.&nbsp;Organismos aqu\u00e1ticos podem se contaminar com petr\u00f3leo derramado por diferentes&nbsp;vias: tanto pelo contato direto do contaminante com as superf\u00edcies de trocas&nbsp;gasosas, como br\u00e2nquias e pele, quanto pela ingest\u00e3o de alimentos contaminados.&nbsp;Nesse sentido, o monitoramento da concentra\u00e7\u00e3o dos agentes t\u00f3xicos ou de seus&nbsp;metab\u00f3litos, resultantes dos processos desintoxica\u00e7\u00e3o realizado principalmente pelo&nbsp;f\u00edgado, ou \u00f3rg\u00e3o correspondente, se caracterizam como uma ferramenta bastante&nbsp;precisa para se realizar um diagn\u00f3stico de contamina\u00e7\u00e3o ambiental. Esse m\u00e9todo \u00e9&nbsp;considerado muito eficiente, pois fornece um diagn\u00f3stico prematuro da presen\u00e7a e&nbsp;das concentra\u00e7\u00f5es do poluente no ambiente e nos organismos vivos e, dessa forma,&nbsp;evitando que os efeitos sobre a comunidade sejam observados somente em est\u00e1gios&nbsp;de contamina\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ados, podendo interferir em caracter\u00edsticas&nbsp;reprodutivas e comportamentais das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"background-color: transparent;\">A a\u00e7\u00e3o complexa e interligada dos fatores que influenciam os processos de&nbsp;<\/span>biodegrada\u00e7\u00e3o aliados a grande variabilidade de composi\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e dos&nbsp;ambientes aqu\u00e1ticos, tornam a compara\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o dos dados dispon\u00edveis sobre&nbsp;as taxas de biodegrada\u00e7\u00e3o do \u00f3leo nesses ecossistemas extremamente dif\u00edcil . Dessa&nbsp;forma, a utiliza\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de avalia\u00e7\u00e3o dos processos de distribui\u00e7\u00e3o e&nbsp;degrada\u00e7\u00e3o dos componentes do petr\u00f3leo no ambiente aqu\u00e1tico e no sedimento,&nbsp;associadas \u00e0 determina\u00e7\u00e3o da toxicidade e da capacidade de bioconcentra\u00e7\u00e3o de tais&nbsp;componentes pelo fauna, pode proporcionar o desenvolvimento de uma importante&nbsp;ferramenta diretamente aplic\u00e1vel em situa\u00e7\u00f5es reais de acidentes com petr\u00f3leo ou&nbsp;derivados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por: Giorgi Dal Pont Publicado em: 19\/09\/2016 Quando o petr\u00f3leo entra em contato com a \u00e1gua, em decorr\u00eancia de um derrame ou&nbsp;vazamento, ocorrem naturalmente v\u00e1rios processos qu\u00edmicos catal\u00edticos de&nbsp;evapora\u00e7\u00e3o e foto-oxida\u00e7\u00e3o. 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