{"id":1259,"date":"2015-03-13T18:51:21","date_gmt":"2015-03-13T21:51:21","guid":{"rendered":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/e-voce-tambem-gosta-de-camarao\/"},"modified":"2021-04-20T12:24:09","modified_gmt":"2021-04-20T15:24:09","slug":"e-voce-tambem-gosta-de-camarao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/e-voce-tambem-gosta-de-camarao\/","title":{"rendered":"E voc\u00ea, tamb\u00e9m gosta de camar\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 9pt 0in; text-align: center;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong><span style=\"font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">E voc\u00ea, tamb\u00e9m gosta de camar\u00e3o?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 9pt 0in; text-align: center;\" align=\"center\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 9pt 0in 0.0001pt;\"><strong><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Por Rafael Fern\u00e1ndez de Alaiza G. M.<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 9pt 0in 0.0001pt;\"><strong><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Publicado em 13\/03\/15<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 9pt 0in 0.0001pt;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">A aprecia\u00e7\u00e3o ao camar\u00e3o e aos pratos elaborados a base de camar\u00e3o marinho parece ser comum em quase todo o planeta. Desde os mais ricos at\u00e9 os mais pobres, poucos s\u00e3o os que se recusam a saborear esta del\u00edcia. Contudo, seu alto pre\u00e7o o faz uma iguaria rara na mesa de pessoas com poucos recursos. Ent\u00e3o, h\u00e1 pouco camar\u00e3o? N\u00e3o \u00e9 este o ponto. \u00c9 verdade que a pesca deste crust\u00e1ceo vem diminuindo globalmente, mas simultaneamente o cultivo em fazendas de camar\u00e3o vem crescendo a n\u00edveis jamais sonhados. Apenas como exemplo, em 2010 a Rep. Pop. da China produziu 1,3 milh\u00f5es de toneladas de camar\u00e3o, sendo a maior parte dessa produ\u00e7\u00e3o consumida no pr\u00f3prio pa\u00eds. Quanto ao Brasil, em 2004 ainda se capturou 80.000 t de camar\u00f5es em pescarias marinhas. E j\u00e1 em fazendas de camar\u00e3o foram produzidas entre 60-90.000 t por ano, principalmente na regi\u00e3o nordeste do pa\u00eds, nos estados do Cear\u00e1, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco (Lopes, 2008; MPA, 2010).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Todo o camar\u00e3o que chega ao mercado \u00e9 vendido, seja localmente ou internacionalmente, e ainda assim uma demanda n\u00e3o atendida permanece. Mas o que impede a produ\u00e7\u00e3o do camar\u00e3o ser maior para que os pre\u00e7os baixem? Na minha opini\u00e3o, v\u00e1rios fatores conspiram contra isso. Vejamos:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">1. Os custos de produ\u00e7\u00e3o com a tecnologia atual.<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\"> Camar\u00f5es marinho s\u00e3o em sua maioria on\u00edvoros, ou seja, consomem uma grande variedade de alimentos, e por assim dizer, s\u00e3o como \u201cuma galinha no quintal da casa&#8221;. Mas os ingredientes utilizados na produ\u00e7\u00e3o da ra\u00e7\u00e3o (<em>pellets<\/em>) que \u00e9 usada para acelerar o crescimento em cativeiro, muitas vezes cont\u00eam farinha de trigo, soja ou milho, farinha ou \u00f3leo de peixe, vitaminas, minerais, etc.; mat\u00e9rias primas cujo pre\u00e7o \u00e9 alto. Al\u00e9m do mais, utiliza-se energia el\u00e9trica para o bombeamento e aera\u00e7\u00e3o da \u00e1gua em piscinas ou reservat\u00f3rios onde os camar\u00f5es s\u00e3o confinados. Fator que tamb\u00e9m aumenta o custo do cultivo, mas que por outro lado \u00e9 essencial para obten\u00e7\u00e3o de altos rendimentos, permitindo dezenas de camar\u00f5es em cada metro quadrado de viveiro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">2. Restri\u00e7\u00f5es ambientais.<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\"> Depois de anos realizando cultivos com maior ou menor \u00eaxito, entre as diferentes esp\u00e9cies de camar\u00f5es marinho que vivem na zona tropical do planeta, foi escolhida como melhor esp\u00e9cie para cultivo o camar\u00e3o branco do Pac\u00edfico (<em>Litopenaeus vannamei<\/em>, tamb\u00e9m conhecido como camar\u00e3o cinza). Oriundo da costa oeste da Am\u00e9rica, desde o Peru at\u00e9 o M\u00e9xico, seu cultivo em outras regi\u00f5es do mundo tem deslocado ou diminu\u00eddo o cultivo de outras esp\u00e9cies nativas. Isso aconteceu com o famoso camar\u00e3o asi\u00e1tico tigre gigante (<em>Penaeus monodon<\/em>), tradicionalmente cultivado na China, \u00cdndia, Vietn\u00e3, Indon\u00e9sia, etc.; e tamb\u00e9m na costa atl\u00e2ntica da Am\u00e9rica, com o camar\u00e3o branco (<em>Litopenaeus schmitti<\/em>), bem como muitas outras esp\u00e9cies. Autoridades ambientais regulam de alguma forma o cultivo do camar\u00e3o branco do Pac\u00edfico em muitos pa\u00edses onde foi introduzido, exigindo medidas de controle para impedir sua fuga para o mar. Al\u00e9m disso, a constru\u00e7\u00e3o de fazendas de camar\u00e3o foi realizada em algumas regi\u00f5es, especialmente no in\u00edcio, sem o devido cuidado de seu potencial de impacto ambiental, sobre manguezais, etc. Isto levou a uma rejei\u00e7\u00e3o da atividade por organiza\u00e7\u00f5es e autoridades ambientais que s\u00f3 depois de muitos anos de trabalho com pr\u00e1ticas mais amigas do ambiente, busca reverter.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Em resumo, esses fatores t\u00eam impedido que a produ\u00e7\u00e3o da carcinicultura continue crescendo com pre\u00e7os mais baixos, for\u00e7ando os produtores a produzir principalmente para um mercado de elite: exporta\u00e7\u00e3o, restaurantes, turismo, etc. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Voltando a olhar para os camar\u00f5es &#8220;crioulos&#8221;<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Um aspecto que por vezes \u00e9 mencionado entre os produtores \u00e9 a desvantagem em trabalhar com uma \u00fanica esp\u00e9cie. Ou seja, se aparecer uma doen\u00e7a que afete <em>Litopenaeus vannamei<\/em>, a esp\u00e9cie de camar\u00e3o mais cultivada no momento, seria bom ter cultivo simult\u00e2neo com outras esp\u00e9cies de camar\u00e3o, quem sabe com alguma esp\u00e9cie com maior resist\u00eancia ao ataque de pat\u00f3genos espec\u00edficos? Esp\u00e9cies nativas de camar\u00e3o t\u00eam outra vantagem, n\u00e3o menos importante, podem ser cultivadas em gaiolas marinhas ou vendidas como isca viva para a pesca, ou p\u00f3s-larvas produzidas em grandes quantidades para repovoar lagoas onde a esp\u00e9cie j\u00e1 tenha diminu\u00eddo muito; tudo sem representar risco significativo de perturba\u00e7\u00e3o para o ambiente, uma vez que j\u00e1 est\u00e3o l\u00e1. \u00c9 por isso que h\u00e1 anos alguns pesquisadores t\u00eam tentado resgatar o cultivo de esp\u00e9cies nativas de camar\u00e3o. No estado do Cear\u00e1, por exemplo, experimentos foram conduzidos para comparar o crescimento e a convers\u00e3o alimentar do camar\u00e3o <em>Farfantepenaeus subtilis<\/em> com o <em>L. vannamei<\/em> em viveiros intensivos de engorda (Maia e Nunes, 2003).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1249\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig3.jpg\" alt=\"fig3\" width=\"355\" height=\"240\" \/>&nbsp;<img decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1250\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig4.jpg\" alt=\"fig4\" width=\"349\" height=\"240\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #303e46; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 9pt; text-align: justify; background-color: transparent;\">Figuras 1 e 2 &#8211; O camar\u00e3o cinza do Pac\u00edfico L. vannamei \u00e9 praticamente a \u00fanica esp\u00e9cie de camar\u00e3o marinho que se cultiva na franja tropical de Am\u00e9rica. Laborat\u00f3rio de produ\u00e7\u00e3o de p\u00f3s-larvas em Cienfuegos, Cuba; e esp\u00e9cimes na despesca no Brasil (fotos R. F. Alaiza).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">No caso do <em>Litopenaeus schmitti<\/em> acima mencionado (camar\u00e3o-branco, camar\u00e3o barba-roxa, camar\u00e3o verdadeiro ou leg\u00edtimo), popula\u00e7\u00f5es naturais est\u00e3o distribu\u00eddas a partir de Belize at\u00e9 o sul do Brasil e nas ilhas do Caribe, a partir de Cuba at\u00e9 as Ilhas Virgens Americanas, pr\u00f3ximo de Porto Rico. Associados a fundo com substrato macio, lamacento, t\u00edpicos de manguezais e estu\u00e1rios, esta esp\u00e9cie chegou a ser capturada em quase 2.400 toneladas por ano na \u00e1rea acima citada, entre os anos de 1986 e 2005, conforme relatado pela FAO (2013). Na \u00faltima d\u00e9cada suas pescarias tem se reduzido a valores m\u00ednimos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1251\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig5.jpg\" alt=\"fig5\" width=\"378\" height=\"244\" \/>&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1252\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig6.jpg\" alt=\"fig6\" width=\"336\" height=\"228\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Figuras 3 e 4 &#8211; Distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do camar\u00e3o branco Litopenaeus schmitti e capturas&nbsp;&nbsp; relatadas da pesca da esp\u00e9cie na regi\u00e3o (FAO, 2013).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">No entanto, existem formas mais sustent\u00e1veis e mais amig\u00e1veis ao meio ambiente para usufruirmos deste recurso pesqueiro. Por exemplo, podemos citar o cultivo extensivo de camar\u00e3o branco (<em>L. schmitti<\/em>) e camar\u00e3o marrom (<em>Farfantepenaeus subtilis<\/em>) realizado por agricultores da Rep\u00fablica Cooperativa da Guiana (antiga Guiana Inglesa), a partir de p\u00f3s-larvas selvagens, aproveitando a not\u00e1vel diferen\u00e7a da mar\u00e9, t\u00edpica desta regi\u00e3o da costa atl\u00e2ntica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">N\u00e3o menos interessante \u00e9 o caso da Rep\u00fablica Bolivariana da Venezuela, onde o governo desenvolveu um laborat\u00f3rio apenas para o trabalho com o camar\u00e3o branco (<em>L. schmitti<\/em>), com uma capacidade de 10 milh\u00f5es de p\u00f3s-larvas de camar\u00e3o\/m\u00eas, com o objetivo de &#8220;repovoar as lagoas costeiras do leste do pa\u00eds, aumentar a produ\u00e7\u00e3o de camar\u00e3o, al\u00e9m de contribuir para melhora socioecon\u00f4mica das popula\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas as lagoas&#8221; (INSOPESCA, 2013). Para a concep\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o do projeto do laborat\u00f3rio foram contratados t\u00e9cnicos cubanos, tendo em vista que a ilha Caribenha cultivou em escala comercial esta esp\u00e9cie de camar\u00e3o entre 1983-2003, atingindo mais de 3.000 t despescadas anualmente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Al\u00e9m disso, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pesca do camar\u00e3o branco, devemos esclarecer que a redu\u00e7\u00e3o dos desembarques de frotas de camar\u00e3o n\u00e3o significa que este tenha deixado de ser pescado. Mesmo que a frota industrial deixe de pescar esta esp\u00e9cie, a pesca artesanal continua atuando ao longo dos mais de 6000 km por onde a esp\u00e9cie \u00e9 naturalmente distribu\u00edda, quer seja sob o controle das autoridades ou furtivamente (Andrade <em>et al<\/em>., 2006).&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Os esfor\u00e7os atuais no litoral do Paran\u00e1, Brasil<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">No litoral do Paran\u00e1 e, em geral, no litoral sul do Brasil, este recurso \u00e9 de grande import\u00e2ncia para muitas fam\u00edlias de pescadores. O camar\u00e3o branco (<em>L. schmitti<\/em>), junto com seu parente de menor comprimento &#8220;sete barbas&#8221; (<em>Xiphopenaeus kroyeri<\/em>), s\u00e3o alvos da pesca artesanal durante todo o ano, desde canoas de fibra de vidro com motor a diesel, com redes de \u201ccaseio\u201d ou arraste. O governo mant\u00e9m o controle da pesca atrav\u00e9s de uma proibi\u00e7\u00e3o, que impede a pesca de motor entre os meses de mar\u00e7o e maio (Franco <em>et al<\/em>., 2009). A pesca do camar\u00e3o de arrasto \u00e9 autorizada apenas a mais de uma milha da costa, e \u00e9 um dos principais produtos de pesca comercializados em pequenas bancas na praia. Os juvenis e pr\u00e9-adultos, tamb\u00e9m capturados, s\u00e3o vendidos como isca-viva para pesca esportiva e o turismo n\u00e1utico.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1253\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig12.jpg\" alt=\"fig12\" width=\"349\" height=\"260\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1254\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig12b.jpg\" alt=\"fig12b\" width=\"349\" height=\"260\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 9pt; line-height: 115%; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Figuras 5 e 6 &#8211; A pesca de camar\u00f5es com redes de arrasto, al\u00e9m de pouco eficiente, afeta outros peixes e invertebrados marinhos (fotos R. F. Alaiza).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Dada a import\u00e2ncia do camar\u00e3o branco (<em>L. schmitti<\/em>) para o equil\u00edbrio do ecossistema marinho e sua relev\u00e2ncia econ\u00f4mica para a regi\u00e3o, desde 2003 foi apresentado um projeto ao governo do estado do Paran\u00e1 com o objetivo de construir um laborat\u00f3rio para a produ\u00e7\u00e3o de p\u00f3s-larvas da esp\u00e9cie com o objetivo de repovoar o litoral do Paran\u00e1 (Silva, 2006). No entanto dificuldades na obten\u00e7\u00e3o de local para instala\u00e7\u00e3o (doado pela Prefeitura de Pontal do Paran\u00e1) e a pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o e conclus\u00e3o do laborat\u00f3rio atrasaram seu funcionamento, iniciado praticamente entre 2013-2014. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Para a concep\u00e7\u00e3o deste plano levou-se em conta o sucesso do Grupo Integrado de Aquicultura e Estudos Ambientais (GIA-UFPR), em pesquisas e desenvolvimento de pacotes de tecnologia para a produ\u00e7\u00e3o artificial de larvas de diversas esp\u00e9cies aqu\u00e1ticas com fins de repovoamento. Um exemplo not\u00e1vel foi obtido pela primeira vez com larvas e juvenis do caranguejo-u\u00e7\u00e1 <em>Ucides cordatus<\/em>, que permitiu a libera\u00e7\u00e3o de milhares de animais desta esp\u00e9cie em 2003-2006 (Silva, 2006), com o objetivo de mitigar os efeitos adversos causados por um derramamento de \u00f3leo em 2002, no estado do Rio de Janeiro. Tamb\u00e9m alevinos e juvenis de robalo &#8220;peva&#8221; (<em>Centropomus paralellus<\/em>), produzidos no laborat\u00f3rio do GIA em Curitiba, foram liberados nas ba\u00edas de Guaratuba e Antonina em 2004 (Ostrensky, 2006).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Atualmente no Laborat\u00f3rio CAMAR (Centro de Aquicultura Marinha e Repovoamento, GIA-UFPR), al\u00e9m de trabalho com o camar\u00e3o, vem sendo feitas experi\u00eancias com siris (principalmente <em>Callinectes ornatus<\/em>, <em>C. sapidus<\/em>, <em>C. danae<\/em> e <em>Arenaeus cribarius<\/em>), e ostras (<em>Crassostrea rhizophorae<\/em>, <em>C. gasar<\/em> e <em>Crassostrea<\/em> sp.). Para estes estudos, t\u00eam-se o apoio de projetos e bolsas de estudo de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, promovidos por institui\u00e7\u00f5es governamentais, como PETROBRAS, CNPq e outras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1255\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig8.jpg\" alt=\"fig8\" width=\"351\" height=\"261\" srcset=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig8.jpg 649w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig8-300x224.jpg 300w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig8-440x328.jpg 440w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig8-627x468.jpg 627w\" sizes=\"(max-width: 351px) 100vw, 351px\" \/>&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1256\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig9.jpg\" alt=\"fig9\" width=\"350\" height=\"261\" srcset=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig9.jpg 886w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig9-750x560.jpg 750w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig9-300x224.jpg 300w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig9-768x574.jpg 768w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig9-440x329.jpg 440w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig9-627x468.jpg 627w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 9pt; line-height: 115%; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Figuras 7 e 8 &#8211; Tanques na \u00e1rea de reprodu\u00e7\u00e3o de camar\u00e3o no CAMAR, e mudas (ecdises) das f\u00eameas (fotos R. F. Alaiza).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">No caso do camar\u00e3o, est\u00e3o sendo capturadas matrizes (machos e f\u00eameas) na \u00e1rea costeira do PR, entre os balne\u00e1rios de Praia de Leste e Shangri-l\u00e1, com aux\u00edlio de pescadores locais. Uma vez no laborat\u00f3rio, os camar\u00f5es s\u00e3o mantidos em tanques de matura\u00e7\u00e3o, sob condi\u00e7\u00e3o controlada de luz, foto-per\u00edodo, etc. O consumo dos alimentos fornecidos e as frequentes ecdises (mudas) s\u00e3o um reflexo da adapta\u00e7\u00e3o dos animais ao novo ambiente, essencial antes de induzir a reprodu\u00e7\u00e3o artificial para obten\u00e7\u00e3o de ovos e larvas. Em paralelo, tamb\u00e9m estamos fazendo uma compara\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es naturais de camar\u00e3o branco distantes entre si, utilizando metodologia de medi\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica e gen\u00e9tica. Esta informa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 \u00fatil para compreens\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o biogeogr\u00e1fica da esp\u00e9cie, bem com para identificar futuros melhores reprodutores.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1257\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig7.jpg\" alt=\"fig7\" width=\"446\" height=\"590\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Fig. 9 &#8211; Captura de camar\u00f5es em Shangri-l\u00e1, litoral do Paran\u00e1 (foto D. Hungria).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Embora ainda falte um longo caminho de esfor\u00e7os para obten\u00e7\u00e3o dos objetivos propostos, prosseguiremos com grande esfor\u00e7o para um dia contribuirmos com o repovoamento, com larvas de camar\u00e3o branco em extensas \u00e1reas costeiras atualmente quase desabitadas por eles. Nossos aliados, pescadores artesanais, lembram-nos continuamente, dizendo a n\u00f3s, como naquela entrevista: &#8220;A pesca est\u00e1 acabando&#8230; e botar caranguejo, camar\u00e3o e peixes na ba\u00eda (em Guaratuba), isso seria uma coisa boa!&#8221; <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">(GIA, 2006).<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1258\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/fig10.jpg\" alt=\"fig10\" width=\"526\" height=\"390\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 9pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Fig. 10 &#8211; Viveiros de camar\u00e3o na Fazenda Borges, ba\u00eda de Paranagu\u00e1. Esta instala\u00e7\u00e3o oferece facilidades para a realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas, tais como acompanhamento comportamento das vari\u00e1veis f\u00edsico-qu\u00edmicas no \u00e1gua, e a diversifica\u00e7\u00e3o no cultivo com esp\u00e9cies nativas (foto R. F. Alaiza).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\">Literatura consultada<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Andrade, G., Salas, S., Seijo, J.C. (2006) Interacciones entre las flotas artesanal e industrial del camar\u00f3n blanco en el occidente de Venezuela. pp. 122-131. En S. Salas, M.A. Cabrera, J. Ramos, D. Flores y J. S\u00e1nchez. (eds.). Memorias Primera Conferencia de Pesquer\u00edas Costeras en Am\u00e9rica Latina y el Caribe. <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Evaluando, Manejando y Balanceando Acciones. M\u00e9rida, Yucat\u00e1n, 4-8 octubre, 2004.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">FAO (2013) FAO Catalogue Vol. 1- Shrimps and Prawns of the World. An Annotated Catalogue of Species of Interest to Fisheries. L. B. Holthuis 1980. FAO Fisheries Synopsis No. 125, Volume 1. <a href=\"http:\/\/www.fao.org\/fishery\/species\/3403\/en.\">http:\/\/www.fao.org\/fishery\/species\/3403\/en.<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Franco, A.C.N.P., R. Schwarz Jr. e N. Pierri (2009) Levantamento, sistematiza\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise da legisla\u00e7\u00e3o aplicada ao defeso da pesca de camar\u00f5es para as regi\u00f5es sudeste e sul do Brasil. B. Inst. Pesca, S\u00e3o Paulo, 35(4): 687 &#8211; 699, 2009.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">GIA (2006). Um retrato em branco e preto do pescador artesanal do litoral paranaense. <\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Revista do GIA. Edi\u00e7\u00e3o 01 Ano 01-No. 3. Novembro 2006. 6-7 pp.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">INSOPESCA (2013) Asistencia T\u00e9cnica para la construcci\u00f3n y operaciones del Laboratorio de camar\u00f3n <em>Litopenaeus schmitti<\/em> y dise\u00f1o del Centro y formulaci\u00f3n del Programa de Mejoramiento Gen\u00e9tico del camar\u00f3n en el oriente del pa\u00eds. Proyectos de Acuicultura. INSOPESCA, Venezuela. C\u00f3digo INPA 074. <a href=\"http:\/\/www.insopesca.gob.ve\/?page_id=646.\">http:\/\/www.insopesca.gob.ve\/?page_id=646.<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Lopes, P. F. M. (2008) Extracted and farmed shrimp fisheries in Brazil: economic, environmental and social consequences of exploitation. Environ. Dev. Sustain. DOI 10.1007\/s10668-008-9148-1. Springer Science + Business Media B.V. 2008.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Maia, E. de P. e A. J. P. Nunes (2003) Cultivo de <em>Farfantepenaeus subtilis<\/em>. Resultados das performances de engorda intensiva. Panorama da AQ\u00dcICULTURA. Setembro\/outubro 2003. 36-41 pp.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">MPA (2010) Produ\u00e7\u00e3o pesqueira e aqu\u00edcola: estad\u00edstica 2008 e 2009, Bras\u00edlia (DF), Minist\u00e9rio da Pesca e Aquicultura, 2010.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Ostrensky, A.N. (2006). Repovoamento de robalos. Revista do GIA. Edi\u00e7\u00e3o 01-Ano 01-No. 3. Novembro 2006. 12-14 pp.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Silva, U. T. da (2006). Ele s\u00f3 anda para frente. Revista do GIA. Edi\u00e7\u00e3o 01-Ano 01-No. 3. Novembro 2006. 28-31 pp.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 9pt 0in; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #303e46;\">Silva, U. T. da (2006). Um sonho prestes a se tomar realidade. Revista do GIA. Edi\u00e7\u00e3o 01-Ano 01-No. 3. Novembro 2006. 48-52 pp.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E voc\u00ea, tamb\u00e9m gosta de camar\u00e3o? &nbsp; Por Rafael Fern\u00e1ndez de Alaiza G. M. Publicado em 13\/03\/15 &nbsp; A aprecia\u00e7\u00e3o ao camar\u00e3o e aos pratos elaborados a base de camar\u00e3o marinho parece ser comum em quase todo o planeta. 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