{"id":1207,"date":"2014-12-12T11:32:22","date_gmt":"2014-12-12T13:32:22","guid":{"rendered":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/pcbs1\/"},"modified":"2021-04-20T12:24:09","modified_gmt":"2021-04-20T15:24:09","slug":"pcbs1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/pcbs1\/","title":{"rendered":"Contamina\u00e7\u00f5es ambientais por PCBs"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>Origem dos PCBs e a sua Intera\u00e7\u00e3o com o Meio Ambiente<\/strong><\/h3>\n<p style=\"line-height: 150%;\"><strong><span style=\"font-size: 11pt; line-height: 150%;\">Por: Giorgi Dal Pont<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"line-height: 150%;\"><strong><span style=\"font-size: 11pt; line-height: 150%;\">Publicado em 12\/12\/14<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"line-height: 150%;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong style=\"line-height: 18px;\"><span style=\"font-size: 11pt; line-height: 22px;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1206\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Figura-capa.jpg\" alt=\"Figura capa\" width=\"692\" height=\"687\" srcset=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Figura-capa.jpg 897w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Figura-capa-75x75.jpg 75w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Figura-capa-750x745.jpg 750w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Figura-capa-200x200.jpg 200w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Figura-capa-300x298.jpg 300w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Figura-capa-768x763.jpg 768w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Figura-capa-440x437.jpg 440w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Figura-capa-627x623.jpg 627w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Figura-capa-100x100.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 692px) 100vw, 692px\" \/><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"line-height: 150%;\">Bifenilas Policloradas, ou PCBs, como s\u00e3o popularmente conhecidos, s\u00e3o compostos qu\u00edmicos de origem antr\u00f3pica que apresentam grande estabilidade, mesmo quando submetidos \u00e0 varia\u00e7\u00f5es severas de temperatura e press\u00e3o. Por esse motivo, desde sua descoberta no inicio da d\u00e9cada de 20, os PCBs passaram a ser amplamente utilizados como aditivos em l\u00edquidos e gases isolantes. Especificamente no que tange a utiliza\u00e7\u00e3o de \u00f3leos isolantes, a adi\u00e7\u00e3o de PCBs melhora o desempenho de caracter\u00edsticas relacionadas a seguran\u00e7a dos equipamentos aos quais s\u00e3o adicionados, uma vez que conferem aumento do poder diel\u00e9trico, do ponto de fulgor, da durabilidade e reduzem a inflamabilidade do equipamento. Essa melhora teve grande relev\u00e2ncia, principalmente, para equipamentos instalados em \u00e1reas com alto risco de inc\u00eandio como subesta\u00e7\u00f5es prediais, ve\u00edculos, trens, navios e em locais com circula\u00e7\u00e3o intensa de pessoas.<\/p>\n<p style=\"line-height: 150%;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ap\u00f3s algumas d\u00e9cadas de uso intenso dos PCBs, no in\u00edcio dos anos 60, um programa mundial de monitoramento ambiental implementado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) demostrou que esses compostos estavam globalmente dispersos nos compartimentos ecol\u00f3gicos. A partir desse resultado, os PCBs foram inclu\u00eddos na lista de Poluentes Org\u00e2nicos Persistentes (POPs) e, mais tarde, tiveram sua fabrica\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o amplamente discutidas na Conven\u00e7\u00e3o de Estocolmo. Alguns anos mais tarde ficava comprovado que os sintomas (cloroacne, hiperqueratose, bronquite, edema e entorpecimento dos membros, entre outros) apresentados pela popula\u00e7\u00e3o da Ilha de Yusho, no Jap\u00e3o, e do loteamento de Love Canal, nos EUA, estavam relacionados a exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica \u00e0 PCBs .<\/p>\n<p style=\"line-height: 150%;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 1979 a Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Americana (US-EPA) come\u00e7a a tomar provid\u00eancias quanto a utiliza\u00e7\u00e3o dos PCBs e, em 1979, o congresso Americano aprovou uma Lei que regulamentou o uso dos PCBs. Poucos anos depois o Brasil aprovou uma Portaria Interministerial que proibiu a comercializa\u00e7\u00e3o e o uso de PCBs em todo o seu territ\u00f3rio, sendo que os equipamentos j\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o que continham PCBs poderiam continuar a ser utilizados. Em 2005 o Decreto Federal n<strong><span style=\"font-family: 'Lucida Grande';\">\u00b0<\/span><\/strong> 5.472 estabeleceu um prazo de 20 anos para que o banimento total dos PCBs fosse realizado.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"line-height: 150%;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <span class=\"hps\">Apesar dos<\/span> <span class=\"hps\">PCBs<\/span> <span class=\"hps\">n\u00e3o serem fabricados<\/span> <span class=\"hps\">comercialmente<\/span> <span class=\"hps\">e do descarte daquele presente em equipamentos<\/span> <span class=\"hps\">industriais<\/span> <span class=\"hps\">ser fortemente regulamentado<\/span>, atualmente ainda existem v\u00e1rias <span class=\"hps\">fontes potenciais que podem<\/span>, acidentalmente, <span class=\"hps\">liberar res\u00edduos para o ambiente<\/span>. <span class=\"hps\">Estas fontes incluem<\/span> <span class=\"hps\">a)<\/span> <span class=\"hps\">o uso e elimina\u00e7\u00e3o<\/span> <span class=\"hps\">de produtos contendo<\/span> <span class=\"hps\">PCBs<\/span> de equipamentos <span class=\"hps\">fabricados<\/span> <span class=\"hps\">antes de 1981<\/span>, <span class=\"hps\">b)<\/span> <span class=\"hps\">a combust\u00e3o<\/span> <span class=\"hps\">de<\/span> <span class=\"hps\">materiais contendo<\/span> <span class=\"hps\">PCBs,<\/span> <span class=\"hps\">c)<\/span> <span class=\"hps\">a reciclagem de produtos<\/span> <span class=\"hps\">contaminados<\/span> <span class=\"hps\">com PCBs<\/span> <span class=\"hps\">e,<\/span> d) <span class=\"hps\">emiss\u00f5es de PCB de locais destinados ao armazenamento e<\/span> <span class=\"hps\">elimina\u00e7\u00e3o de res\u00edduos. <\/span><span class=\"hps\">Segundo pesquisa da <\/span>National Response Center Database da Agencia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Americana (US-EPA-CG), entre 1989 e 2001, mais de 2600 vazamentos de PCBs ocorreram somente nos EUA. Isso \u00e9 consequ\u00eancia da grande quantidade de PCBs ainda em utiliza\u00e7\u00e3o. Por exemplo, at\u00e9 1998, cerca de 54 mil toneladas de PCBs ainda eram utilizados em equipamentos el\u00e9tricos, evidenciando o grande risco para a ocorr\u00eancia de novos acidentes.<\/p>\n<p style=\"line-height: 150%;\"><span class=\"hps\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os<\/span> <span class=\"hps\">PCBs<\/span> <span class=\"hps\">s\u00e3o<\/span> <span class=\"hps\">compostos qu\u00edmicos<\/span> <span class=\"hps\">complexos<\/span> e, por isso, o conhecimento de <span class=\"hps\">suas propriedades<\/span> <span class=\"hps\">qu\u00edmicas e f\u00edsicas<\/span> <span class=\"hps\">s\u00e3o necess\u00e1rias para entender<\/span> <span class=\"hps\">os seus mecanismos de transporte e destino no ambiente<\/span> e sua <span class=\"hps\">toxicidade para organismos vivos. Os PCBs apresentam biodegrada\u00e7\u00e3o no ambiente extremamente lenta. Al\u00e9m disso, ap\u00f3s sua libera\u00e7\u00e3o no ecossistema, os PCBs podem ocorrer na atmosfera, \u00e1gua e no solo, devido \u00e0 caracter\u00edsticas qu\u00edmicas e f\u00edsicas espec\u00edficas. Especificamente na \u00e1gua, o processo de adsor\u00e7\u00e3o da mol\u00e9cula de PCB na mat\u00e9ria org\u00e2nica faz com que a part\u00edcula resultante fique mais pesada, depositando-se na camada superficial do sedimento aqu\u00e1tico. No solo e na \u00e1gua, sua biodisponibilidade \u00e9 fortemente influenciada pela composi\u00e7\u00e3o f\u00edsica e qu\u00edmica daqueles compartimentos, principalmente, pela presen\u00e7a de mat\u00e9ria org\u00e2nica. Nesse contexto, apesar poder estar presente no sedimento, essa intera\u00e7\u00e3o torna a mol\u00e9cula de PCB menos biodispon\u00edvel para flora e fauna<\/span>, ou seja, apesar da mol\u00e9cula estar presente ela fica presa a um substrato e n\u00e3o \u00e9 absorvida por organismos vivos.<\/p>\n<p style=\"line-height: 150%;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa quest\u00e3o relacionada a intera\u00e7\u00e3o entre os PCBs e a mat\u00e9ria org\u00e2nica \u00e9 especialmente relevante quando consideramos os ambientes de mangue. Os manguezais s\u00e3o ecossistemas que apresentam uma din\u00e2mica com grande acumulo de mat\u00e9ria org\u00e2nica no seu sedimento em consequ\u00eancia da degrada\u00e7\u00e3o e decanta\u00e7\u00e3o de nutrientes de oriundos do continente.<\/p>\n<p style=\"line-height: 150%;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m da mat\u00e9ria org\u00e2nica, outras caracter\u00edsticas da regi\u00e3o de mangue podem interferir diretamente nos processos de intera\u00e7\u00e3o, biodisponibiliza\u00e7\u00e3o e ressuspens\u00e3o de PCBs, como as demais caracter\u00edsticas qu\u00edmicas e f\u00edsicas do solo de origem. Essas caracter\u00edsticas s\u00e3o influenciadas pelo tipo de sedimento de origem, pelos os movimentos hidrodin\u00e2micos que ocorrem na coluna d\u2019\u00e1gua e pela movimenta\u00e7\u00e3o de organismos bioativos no sedimento (revolvimento do sedimento). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, pode-se afirmar que o conhecimento acerca das caracter\u00edsticas fisiogeogr\u00e1ficas, ecol\u00f3gicas e hidrol\u00f3gicas da regi\u00e3o onde ocorreu a libera\u00e7\u00e3o de PCBs se caracteriza como uma demanda essencial para a tomada de decis\u00e3o quanto as a\u00e7\u00f5es de recupera\u00e7\u00e3o e de biomonitoramento que devem ser adotados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Origem dos PCBs e a sua Intera\u00e7\u00e3o com o Meio Ambiente Por: Giorgi Dal Pont Publicado em 12\/12\/14 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Bifenilas Policloradas, ou PCBs, como s\u00e3o popularmente conhecidos, s\u00e3o compostos qu\u00edmicos de origem antr\u00f3pica que apresentam grande estabilidade, mesmo quando submetidos \u00e0 varia\u00e7\u00f5es severas de temperatura e press\u00e3o. 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