{"id":1130,"date":"2014-09-10T00:12:00","date_gmt":"2014-09-10T03:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/extrativismo-x-cultivo-comercial-do-siri-azul\/"},"modified":"2021-04-20T12:24:09","modified_gmt":"2021-04-20T15:24:09","slug":"extrativismo-x-cultivo-comercial-do-siri-azul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/extrativismo-x-cultivo-comercial-do-siri-azul\/","title":{"rendered":"Extrativismo x cultivo comercial do siri azul"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;\" align=\"center\"><strong>EXTRATIVISMO X CULTIVO COMERCIAL DO SIRI AZUL<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\" align=\"center\"><strong>Por Aline Horodesky<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\" align=\"center\"><strong>Publicado em 09\/09\/14<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">Uma das alternativas a se considerar, quando se pensa na sustentabilidade da explora\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies marinhas, \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o gradual do extrativismo pelo cultivo comercial dessas esp\u00e9cies. Nesse contexto, um crust\u00e1ceo que desponta com grande potencial para a maricultura \u00e9 o siri.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">Os crust\u00e1ceos dec\u00e1podes da fam\u00edlia Portunidae, infraordem Brachyura, do g\u00eanero <em>Callinectes<\/em> (popularmente conhecidos como siris azuis) <strong>(Figura 1)<\/strong> habitam regi\u00f5es costeiras e s\u00e3o considerados importantes recursos pesqueiros em diversos pa\u00edses, sendo que o principal meio de obten\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies \u00e9 atrav\u00e9s da pesca extrativista.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1126\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Figura__1.jpg\" alt=\"Figura  1\" width=\"595\" height=\"395\" \/><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 42.55pt;\" align=\"center\">Figura 1. Pesca do siri azul. (Fonte: Mesquita, 2014)<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">Os siris que habitam a costa brasileira s\u00e3o importantes recursos pesqueiros, principalmente para uma parcela mais carente da popula\u00e7\u00e3o de pescadores. Isso porque a pesca de siris n\u00e3o demanda equipamentos sofisticados, nem grandes embarca\u00e7\u00f5es ou altos investimentos de capital.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">Os petrechos comumente usados na captura do siri s\u00e3o os jerer\u00eas (pu\u00e7\u00e1s), o espinhel de iscas e os covos iscados. No caso dos jerer\u00eas e dos covos, embora esteja definido um tamanho m\u00ednimo de captura para a esp\u00e9cie (LC=120 mm), n\u00e3o existe ainda defini\u00e7\u00e3o do tamanho de malha ideal para que esses equipamentos n\u00e3o capturem os juvenis da esp\u00e9cie <strong>(Figura 2)<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1127\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Figura_2.jpg\" alt=\"Figura 2\" width=\"605\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Figura_2.jpg 1638w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Figura_2-750x486.jpg 750w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Figura_2-1140x739.jpg 1140w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Figura_2-300x195.jpg 300w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Figura_2-768x498.jpg 768w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Figura_2-1024x664.jpg 1024w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Figura_2-440x285.jpg 440w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Figura_2-627x407.jpg 627w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 42.55pt;\" align=\"center\">Figura 2. Armadilhas para captura do siri azul. (Fonte: NOAA, 2008)<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">Embora no Brasil ainda n\u00e3o se realize o cultivo de siris, em outras partes do mundo esta \u00e9 uma pr\u00e1tica muito comum. Na China, por exemplo, o cultivo de siris do g\u00eanero <em>Scylla<\/em> \u00e9 praticado h\u00e1 mais de 100 anos.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">Por\u00e9m, nesse caso, na maioria das vezes o fornecimento de formas jovens que s\u00e3o utilizadas nos cultivos ainda \u00e9 feito a partir de animais capturados na natureza. Os cultivos realizados na \u00c1sia esbarraram neste obst\u00e1culo. Conforme a demanda por animais come\u00e7ou a aumentar, rapidamente foram sentidos os sinais cl\u00e1ssicos da exaust\u00e3o dos estoques naturais: redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de animais na popula\u00e7\u00e3o e diminui\u00e7\u00e3o do tamanho m\u00e9dio dos siris capturados.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">Assim, a ideia de se substituir o extrativismo pelo cultivo comercial s\u00f3 passar\u00e1 a ser de fato sustent\u00e1vel a partir do momento em que os animais n\u00e3o forem mais provenientes dos estoques naturais. Caso contr\u00e1rio, o que se estaria fomentando n\u00e3o seria nada mais que a transfer\u00eancia da press\u00e3o de captura, que anteriormente era exercida sobre as popula\u00e7\u00f5es adultas, para os indiv\u00edduos jovens, o que aceleraria o estado de esgotamento dos estoques naturais <strong>(Figura 3)<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1128\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Figura_3.jpg\" alt=\"Figura 3\" width=\"598\" height=\"333\" \/><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 42.55pt;\" align=\"center\">Figura 3. Jovem e adulto do siri azul (<em>Callinectes<\/em> sp.). (Fonte: GIA)<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">Essa constata\u00e7\u00e3o e o crescente aumento da demanda pela carne de siri fez com que se iniciassem os estudos para o dom\u00ednio das t\u00e9cnicas de larvicultura, tanto visando o repovoamento dos estoques naturais de siris como tamb\u00e9m para abastecimento de empreendimentos aqu\u00edcolas com fins comerciais.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">Os pre\u00e7os que os siris atingem no mercado internacional dependem basicamente da forma de comercializa\u00e7\u00e3o e do tamanho dos animais. Eles podem ser comercializados vivos, inteiros e congelados, com a casca mole (siri mole) ou ent\u00e3o na forma de carne beneficiada.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">No estado do Paran\u00e1, o extrativismo de siris com fins comerciais envolve uma s\u00e9rie de esp\u00e9cies, entre elas o siri azul (<em>C. sapidus<\/em>) <strong>(Figura 4)<\/strong>, o siri remador (<em>Ovalipes trimaculatus<\/em>), o siri chita (<em>Arenaeus cribrarius<\/em>), o siri de mangue (<em>Callinectes exasperatus<\/em>), o siri nema (<em>C. bocourti<\/em>), o siri de coroa (<em>C. danae<\/em>), o siri tinga (<em>C. ornatus<\/em>), o siri vermelho (<em>Cronius ruber<\/em>) e o siri canela, tamb\u00e9m chamado de siri boia (<em>Portunus spinimanus<\/em>).<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;\">&nbsp;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1129\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Figura_4.jpg\" alt=\"Figura 4\" width=\"612\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Figura_4-300x169.jpg 300w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Figura_4-440x247.jpg 440w\" sizes=\"(max-width: 612px) 100vw, 612px\" \/><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 42.55pt;\" align=\"center\">Figura 4. Esp\u00e9cime de siri azul (<em>Callinectes<\/em> sp.). (Fonte: GIA)<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">Neste contexto, a primeira etapa de um processo de desenvolvimento de tecnologias para cultivo de siri \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o do potencial t\u00e9cnico e biol\u00f3gico que estas esp\u00e9cies possuem para o cultivo comercial e a sele\u00e7\u00e3o da(s) mais apta(s) para este fim. Somente desta forma, ser\u00e1 poss\u00edvel se desenvolver tecnologias para o cultivo de siris em escala comercial em bases t\u00e9cnica e ambientalmente s\u00f3lidas.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\">A partir disso, o Grupo Integrado de Aquicultura e Estudos Ambientais, em parceria com o CNPQ, iniciar\u00e1 um estudo para avaliar a viabilidade do cultivo de esp\u00e9cies de siris nativas do litoral paranaense objetivando desenvolver tecnologias que permitam a manuten\u00e7\u00e3o e a engorda desses animais em condi\u00e7\u00f5es de cultivo em larga escala (mais informa\u00e7\u00f5es: <a href=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/crustaceos-biologia-e-desenvolvimento-de-tecnologia-para-o-cultivo-de-siris-de-interesse-comercial-no-litoral-paranaenses\/\">https:\/\/gia.org.br\/legado\/22-trabalhos-t%C3%A9cnicos\/162-biologia-e-desenvolvimento-de-tecnologia-para-o-cultivo-de-siris-de-interesse-comercial-no-litoral-paranaense<\/a> ).<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias consultadas<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: 150%;\">Coelho, P. A. &amp; Ramos-Porto, M. 1992. Sinopse dos crust\u00e1ceos dec\u00e1podos brasileiros (Portunidae). Revista Brasileira de Zoologia 9(3\/4):291-298.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: 150%;\">Lima, R. E. &amp; Negrelle, R. R. B. 1998. Meio Ambiente e Desenvolvimento no litoral do Paran\u00e1: Diagn\u00f3stico. Editora da UFPR, Curitiba, 266p.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: 150%;\">Maya De La Cruz, E., Chan-Vadillo, T.A., G\u00f3mez-Mendoza, G. y Arzola-Gonz\u00e1les, J.F. 2007. Proceso Productivo de Jaiba Suave (Callinectes Sapidus) En Ciudad del Carmen Campeche. Vol. 3 No. 4 P 16 -19.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: 150%;\">Melo, G.A.S. 1996. Manual de Identifica\u00e7\u00e3o dos Brachyura (caranguejos e siris) do Litoral Brasileiro. Pl\u00eaiade\/FAPESP, S\u00e3o Paulo, Brasil. 604pp.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;\">Mesquita, J. L. 2014. APA e ESEC de Guaraque\u00e7aba, Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o marinhas do norte do Paran\u00e1. In: <a href=\"http:\/\/marsemfim.com.br\/apa-e-esec-de-guraquecaba\/#.VA9zT_ldXeD\">http:\/\/marsemfim.com.br\/apa-e-esec-de-guraquecaba\/#.VA9zT_ldXeD<\/a>. Dispon\u00edvel em: 08\/09\/2014.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: 150%;\">Narchi, W. 1973. Crust\u00e1ceos. S\u00e3o Paulo: EDUSP. 116p.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%; background-image: initial; background-color: white; background-position: initial; background-repeat: initial;\">NOAA. 2008. Commerce Secretary Determines Blue Crab Disaster in Chesapeake Bay. In: <a href=\"http:\/\/www.noaanews.noaa.gov\/stories2008\/20080923_bluecrab.html\">http:\/\/www.noaanews.noaa.gov\/stories2008\/20080923_bluecrab.html<\/a>. Dispon\u00edvel em: 08\/09\/2014.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; line-height: 150%;\">Scharam, F. R. 1986. Crustacea. New York: Oxford University Press, 606p.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EXTRATIVISMO X CULTIVO COMERCIAL DO SIRI AZUL Por Aline Horodesky Publicado em 09\/09\/14 Uma das alternativas a se considerar, quando se pensa na sustentabilidade da explora\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies marinhas, \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o gradual do extrativismo pelo cultivo comercial dessas esp\u00e9cies. Nesse contexto, um crust\u00e1ceo que desponta com grande potencial para a maricultura \u00e9 o siri. 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