{"id":1103,"date":"2014-07-17T16:16:01","date_gmt":"2014-07-17T19:16:01","guid":{"rendered":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/bioflocos-2\/"},"modified":"2021-04-20T12:24:09","modified_gmt":"2021-04-20T15:24:09","slug":"bioflocos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/bioflocos-2\/","title":{"rendered":"Bioflocos"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Sistemas de cultivo em meios heterotr\u00f3ficos (Bioflocos)<\/strong><\/h2>\n<p><strong>Por Andr\u00e9 Luiz Vicente<\/strong><\/p>\n<p><strong>Publicado em 17\/07\/14<\/strong><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1100\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/121145.jpg\" alt=\"\" width=\"383\" height=\"352\" srcset=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/121145.jpg 682w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/121145-300x275.jpg 300w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/121145-440x404.jpg 440w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/121145-627x576.jpg 627w\" sizes=\"(max-width: 383px) 100vw, 383px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00c1gua contendo bioflocos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Um dos grandes problemas ocasionados pela piscicultura e pela carcinicultura \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de volumes expressivos de \u00e1gua e a gera\u00e7\u00e3o de efluentes contaminados e com alto teor de nutrientes. O uso de sistemas n\u00e3o convencionais de cultivo de organismos aqu\u00e1ticos, em especial peixes e camar\u00f5es, pode representar para os produtores uma nova alternativa economicamente vi\u00e1vel e ambientalmente correta. Neste sentido, t\u00eam sido realizados diversos estudos que visam a produ\u00e7\u00e3o de organismos aqu\u00e1ticos com volumes reduzidos de \u00e1gua, dentre os principais destaca-se o sistema de bioflocos (BFT \u2013 <em>Bio Floc Technology<\/em>). O sistema de bioflocos tem sido empregado na aquicultura desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 90 e consiste na baixa ou mesmo na n\u00e3o renova\u00e7\u00e3o da \u00e1gua utilizada nos sistemas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sistemas de cultivo de peixes e camar\u00f5es com a presen\u00e7a de bioflocos assemelham-se aos sistemas com recircula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua nos quais n\u00e3o h\u00e1 presen\u00e7a de filtros mec\u00e2nicos ou biol\u00f3gicos. Os bioflocos caracterizam-se como part\u00edculas org\u00e2nicas que permanecem em suspens\u00e3o na \u00e1gua ou aderidas \u00e0s paredes dos tanques ou viveiros de produ\u00e7\u00e3o. Sobre estas part\u00edculas de material org\u00e2nico, desenvolve-se uma s\u00e9rie de organismos microsc\u00f3picos como protozo\u00e1rios, fungos, rot\u00edferos, oligoquetos e uma grande diversidade de microalgas e bact\u00e9rias heterotr\u00f3ficas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1101\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/634400.jpg\" alt=\"\" width=\"407\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/634400.jpg 778w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/634400-750x484.jpg 750w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/634400-300x194.jpg 300w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/634400-768x496.jpg 768w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/634400-440x284.jpg 440w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/634400-627x405.jpg 627w\" sizes=\"(max-width: 407px) 100vw, 407px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Fazenda de cultivo de camar\u00f5es em sistema de bioflocos em opera\u00e7\u00e3o no\u00a0Vietnan<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os res\u00edduos org\u00e2nicos provenientes da produ\u00e7\u00e3o, como fezes e sobras de ra\u00e7\u00e3o decomp\u00f5em-se e atuam como substrato para a multiplica\u00e7\u00e3o das bact\u00e9rias heterotr\u00f3ficas. Estas mesmas bact\u00e9rias s\u00e3o fundamentais para o sistema, pois utilizam compostos org\u00e2nicos nitrogenados, que s\u00e3o potencialmente t\u00f3xicos aos peixes e camar\u00f5es, como a am\u00f4nia, o nitrito e o nitrato, eliminando-os do sistema, ao incorpor\u00e1-los atrav\u00e9s da s\u00edntese de prote\u00ednas e biomassa microbiana. Este processo tamb\u00e9m pode ser utilizado para a melhoria da qualidade dos efluentes gerados pela atividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O acompanhamento dos n\u00edveis adequados de oxig\u00eanio, pH e alcalinidade nos tanques ou viveiros de cultivo \u00e9 necess\u00e1rio para que esses processos microbianos ocorram de forma eficaz e cont\u00ednua. O \u00eaxito no manejo do sistema depende do equil\u00edbrio entre a produ\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos org\u00e2nicos e a capacidade de assimila\u00e7\u00e3o do ambiente de cultivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o prop\u00f3sito de proporcionar a expans\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o das bact\u00e9rias heterotr\u00f3ficas atrav\u00e9s da alta rela\u00e7\u00e3o C\/N do meio, faz-se necess\u00e1rio o emprego ao sistema de uma fonte de carbono como a\u00e7\u00facar, mela\u00e7o ou farinhas com alto teor de carboidratos como as de trigo ou milho. A utiliza\u00e7\u00e3o destes produtos deve ser realizada levando-se em considera\u00e7\u00e3o a concentra\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio no ambiente de cultivo. A rela\u00e7\u00e3o C\/N ideal deve seguir a propor\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima de 20:1 e nunca inferior a 10:1, conforme observado em trabalhos realizados com o camar\u00e3o <em>Litopenaeus vannamei<\/em>, o camar\u00e3o de \u00e1gua doce <em>Macrobrachium rosenbergii <\/em>e com diversas esp\u00e9cies de peixes, como a til\u00e1pia-do-nilo <em>Oreochromis niloticus, <\/em>a tainha <em>Mugil <\/em>cf. <em>hospes<\/em> e o jundi\u00e1 <em>Rhamdia quelen<\/em>.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1102\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Bioflocs_-Acuicultura.jpg\" alt=\"\" width=\"384\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Bioflocs_-Acuicultura.jpg 350w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Bioflocs_-Acuicultura-300x268.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Bioflocos vistos no microsc\u00f3pio<\/strong><\/p>\n<p>Sistemas de cultivo com bioflocos apresentam uma s\u00e9rie de vantagens em rela\u00e7\u00e3o aos sistemas convencionais como, o aproveitamento de locais com restri\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o e disponibilidade de \u00e1gua, o uso reduzido ou inexistente de renova\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do sistema e o reduzido descarte de efluentes. Em condi\u00e7\u00f5es adequadas de manuten\u00e7\u00e3o, os bioflocos podem apresentar n\u00edveis bastante elevados de prote\u00edna bruta, condi\u00e7\u00e3o esta que permite com que as esp\u00e9cies cultivadas se beneficiem dos bioflocos como fonte de alimento, possibilitando a redu\u00e7\u00e3o do uso de alimento ex\u00f3geno e dos custos de produ\u00e7\u00e3o, caracterizando assim a principal vantagem do uso deste sistema de cultivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em contrapartida, sistemas de cultivo intensivos com bioflocos demandam maiores investimentos em especial, com m\u00e3o-de-obra, instala\u00e7\u00f5es e equipamentos como estufas, bombas, aeradores. A demanda por pesquisas com nutri\u00e7\u00e3o, estruturas de cultivo, sistemas de aera\u00e7\u00e3o, reuso de \u00e1gua, caracter\u00edsticas nutricionais dos bioflocos e dos microrganismos que comp\u00f5em o sistema e a utiliza\u00e7\u00e3o de diferentes fontes de carbono s\u00e3o fundamentais para que ocorram avan\u00e7os no desenvolvimento dos sistemas de cultivo com bioflocos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BIBLIOGRAFIA CONSULTADA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AVNIMELECH, Y. (ed.). <strong>Biofloc technology, second edition.<\/strong> World Aquaculture Society, Baton Rouge, LA. 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HARGREAVES, J. A.<strong> Biofloc production systems for aquaculture. <\/strong>SRAC Publication. No. 4503, p. 12, April 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JIMENEZ, M. A. V. <strong>Condi\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica e imunol\u00f3gica do camar\u00e3o-rosa do Golfo do M\u00e9xico <em>Farfantepenaeus duorarum<\/em> (Burkenroad, 1939) cultivado em Sistema BFT (<em>Bio-Floc Tecnology<\/em>). <\/strong>Disserta\u00e7\u00e3o mestrado. Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Aquicultura da Universidade Federal do Rio Grande. Rio Grande\/RS, Brasil. Dezembro, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KUBITZA, F. <strong>Cria\u00e7\u00e3o de til\u00e1pias em sistema com bioflocos sem renova\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. <\/strong>Panorama da Aquicultura, vol. 21, n<sup>o<\/sup>. 125, maio\/junho, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MEGAHED, M. E. <strong>The effect of microbial biofloc on water quality, survival and growth of the green tiger shrimp (<em>Penaeus semisulcatus<\/em>) fed with different crude protein levels. <\/strong>Journal of the Arabian Aquaculture Society, vol. 5, n<sup>o<\/sup>. 2, December, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ROCHA, A. F. da; ABREU, P. C.; WASIELESKY JR, W. &amp; TESSER, M. B. <strong>Avalia\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o de bioflocos na cria\u00e7\u00e3o de juvenis de tainha <em>Mugil cf. hospes <\/em>sem renova\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. <\/strong>Atl\u00e2ntica, Rio Grande, 34(1) 63-74, 2012<strong>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCHRYVER, P. de; CRAB, R.; DEFOIRDT, T.; BOON, N. &amp; VERSTRAETE, W.<strong> The basics of bio-flocs technology: The added value for aquaculture. <\/strong>Aquaculture 277, 125-137, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">XU, W-J. &amp; PAN, L-Q. <strong>Dietary protein level and C\/N ratio manipulation in zero-exchange culture of <em>Litopenaeus vannamei<\/em>: Evaluation of inorganic nitrogen control, bio\ufb02oc composition and shrimp performance. <\/strong>Aquaculture Research, 1\u201310, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>WASIELESKY, W.; ATWOOD, H.; STOKES, A.; BROWDY, C. <strong>Effect of natural production in a zero exchange suspended microbial floc based super-intensive culture system for white shrimp <em>Litopenaeus vannamei<\/em>.<\/strong> Aquaculture, v.258, p.396-403, 2006.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sistemas de cultivo em meios heterotr\u00f3ficos (Bioflocos) Por Andr\u00e9 Luiz Vicente Publicado em 17\/07\/14 \u00c1gua contendo bioflocos \u00a0Um dos grandes problemas ocasionados pela piscicultura e pela carcinicultura \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de volumes expressivos de \u00e1gua e a gera\u00e7\u00e3o de efluentes contaminados e com alto teor de nutrientes. 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