{"id":1050,"date":"2014-04-09T17:34:22","date_gmt":"2014-04-09T20:34:22","guid":{"rendered":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/uma-agencia-especializada-em-conduzir-o-pais-por-agua-abaixo\/"},"modified":"2021-04-20T12:24:10","modified_gmt":"2021-04-20T15:24:10","slug":"uma-agencia-especializada-em-conduzir-o-pais-por-agua-abaixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gia.org.br\/portal\/uma-agencia-especializada-em-conduzir-o-pais-por-agua-abaixo\/","title":{"rendered":"Uma ag\u00eancia especializada em conduzir o pa\u00eds por \u00e1gua abaixo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1048\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/agua.jpg\" alt=\"agua\" width=\"572\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/agua.jpg 572w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/agua-300x178.jpg 300w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/agua-440x262.jpg 440w\" sizes=\"(max-width: 572px) 100vw, 572px\" \/><\/p>\n<p style=\"margin: 9pt 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Mesmo algu\u00e9m sem nenhum conhecimento de economia sabe, intuitivamente, que tudo aquilo que existe em excesso tem pequeno ou nenhum valor e tudo que existe em menor quantidade que a demandada pode custar muito caro.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 9pt 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Entretanto, n\u00f3s, brasileiros, que vivemos em um pa\u00eds com uma (te\u00f3rica) abund\u00e2ncia de \u00e1gua talvez nunca tenhamos nos dado conta de que essa lei da oferta e da procura tamb\u00e9m se aplica a esse importante recurso natural. No m\u00e1ximo, utiliz\u00e1vamos nossa cota de compaix\u00e3o com o drama das fam\u00edlias do sert\u00e3o nordestino, andando por quil\u00f4metros e quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia para disputar um pouco de \u00e1gua barrenta e contaminada com bois, vacas ou porcos. Por\u00e9m, como esse problema vem desde que o Brasil foi descoberto, ach\u00e1vamos normal. Era uma coisa que parecia natural, uma vontade divina.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 9pt 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Mas, h\u00e1 muito a quest\u00e3o de \u00e1gua deixou de ser mero problema ambiental e passou a ser um tema de extrema import\u00e2ncia econ\u00f4mica, pol\u00edtica e, principalmente social.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 9pt 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Para enfrentar essa realidade, em 17 de julho de 2000 foi criada a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA), uma autarquia federal, vinculada ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, e respons\u00e1vel pela gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos brasileiros. Quando foi criada, a proposta era que a ANA iria solucionar todos os problemas enfrentados na gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos. Os objetivos eram ambiciosos e o palavr\u00f3rio bonito.&nbsp; A ado\u00e7\u00e3o do sistema de ag\u00eancia aumentaria a efici\u00eancia, pois o tema \u00e1gua \u201cseria incorporado como princ\u00edpio norteador da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablico (Emenda Constitucional n\u00ba 19\/98)\u201d; haveria uma neutralidade pol\u00edtica e especializa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica na gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos; haveria a participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os na gest\u00e3o da coisa p\u00fablica, como express\u00e3o do pluralismo pol\u00edtico.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 9pt 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Agora, prestes a completar seu d\u00e9cimo quarto anivers\u00e1rio, em um momento em que as quest\u00f5es relacionadas \u00e0 \u00e1gua deixam de ser apenas uma ladainha que sai da boca dos profetas do apocalipse ou de complexos relat\u00f3rios t\u00e9cnicos escritos por pesquisadores ligados \u00e0 ONU e bate \u00e0s nossas portas, o que a ANA tem a mostrar de resultados para o povo brasileiro?&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 9pt 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Vamos enumerar apenas alguns: Uma cidade, a maior do pa\u00eds, vivendo sob a amea\u00e7a concreta de um racionamento de \u00e1gua. Um conflito declarado entre S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro pelas imprescind\u00edveis mas limitadas \u00e1guas do rio Para\u00edba do Sul e que est\u00e1 longe de ser o \u00fanico conflito por \u00e1gua no pa\u00eds atualmente.&nbsp; Apag\u00f5es cada vez mais frequentes. Uma amea\u00e7a, tamb\u00e9m muito real, de racionamento de luz (depois da copa, \u00e9 claro), apesar do brasileiro ter que pagar (depois das elei\u00e7\u00f5es, obviamente) uma bilion\u00e1ria conta pelo acionamento das poluidoras termoel\u00e9tricas e nem mesmo assim ter garantias de que haver\u00e1 uma luz no fim do t\u00fanel&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 9pt 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Ser\u00e1 que a quest\u00e3o da \u00e1gua no Brasil se resume apenas a chover ou n\u00e3o chover? Se sim, para que precisamos de uma ag\u00eancia reguladora? Cad\u00ea a gest\u00e3o? Cad\u00ea o planejamento? Cad\u00ea a mobiliza\u00e7\u00e3o dos diferentes setores da sociedade? <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 9pt 0cm; text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\">Voltando \u00e0 primeira frase deste texto, no caso da ANA, certamente est\u00e1 sobrando ag\u00eancia e faltando resultados. Com toda a imensa \u201cefici\u00eancia\u201d reguladora demonstrada ao longo de sua exist\u00eancia, s\u00f3 nos resta a certeza de que a \u00e1gua ser\u00e1 um recurso cada vez mais demandado em processos urbanos e industriais, e que todos pagaremos cada vez mais por ele. Enquanto isso, a ag\u00eancia que deveria zelar pelo seu uso ter\u00e1 cada vez menos valor, isso se ainda lhe restou algum depois de 14 anos de muita burocracia e pouco planejamento.<\/span><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Arial, sans-serif;\"><\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1049\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Menina-e-porco.jpg\" alt=\"Menina-e-porco\" width=\"764\" height=\"401\" srcset=\"https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Menina-e-porco.jpg 659w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Menina-e-porco-300x157.jpg 300w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Menina-e-porco-440x230.jpg 440w, https:\/\/gia.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Menina-e-porco-627x328.jpg 627w\" sizes=\"(max-width: 764px) 100vw, 764px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por: Jos\u00e9 Roberto Borghetti e Antonio Ostrensky<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo algu\u00e9m sem nenhum conhecimento de economia sabe, intuitivamente, que tudo aquilo que existe em excesso tem pequeno ou nenhum valor e tudo que existe em menor quantidade que a demandada pode custar muito caro. 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