Por Fabrício Salvador Vidal

Desde a regulamentação da Lei Federal nº6.938/1981, o monitoramento ambiental é um dos processo fundamentais entre as mais de 64 mil normas ambientais brasileiras que visa identificar e avaliar as condições dos recursos naturais, criando critérios para que o órgão ambiental permita que em um determinado local passe a ter interferência legal exercida por atividades humanas.

É necessário reconhecer a importância das técnicas amostrais convencionais que foram e, ainda são utilizadas, no campo do monitoramento ambiental. A substituição de técnicas confiáveis e desenvolvidas por pesquisadores competentes parece não ser a razão do problema, isto é, novos métodos devidamente consolidados, testados e validados são importantes para consolidar o conhecimento necessário para as tomadas de decisões referentes à gestão da biodiversidade.

A determinação individual dos organismos, a partir de técnicas de sequenciamento de DNA, tem evoluído constantemente, a ponto de conseguirmos retratar comunidades inteiras com base em uma única amostra. A detecção de espécies usando o DNA ambiental (eDNA) permite a caracterização desses organismos (1) ,bem como, fornecem informações sobre populações extintas (2). As técnicas convencionais para a captura de organismos-alvos, acabam sendo ferramentas confiáveis apenas para espécies que, relativamente, se encontram em densidades média e/ou alta. Por outro lado,(3) comentam que as ferramentas convencionais apresentam baixa probabilidade de detecção para espécies raras, levando a um erro de inferência, ou seja, determinar a ausência de uma determinada espécie quando ela realmente está presente.

O método do eDNA é mais sensível do que as ferramentas tradicionais, diminuindo a necessidade de grandes amostragens a fim de alcançar resultados com probabilidade de detecção útil, sem risco de prejudicar as espécies em estudo. Segundo (4) o método de monitoramento por eDNA tem uma vantagem, principalmente em ambientes aquáticos, pois no meio aquoso tecidos descamados ficam suspensos, facilitando a amostragem e detecção de DNA de espécies raras, presentes no ambiente, mas não aparente aos métodos tradicionais. Outro aspecto relevante, quanto ao método de eDNA, é a possibilidade da determinação do risco de invasão precocemente, pois a detecção de organismos invasores pode ocorrer, devido a sensibilidade do método, nos estágios iniciais da chegada do organismo invasor, servindo como uma ferramenta preventiva na proteção da biodiversidade.

Os resultados positivos do eDNA a respeito de uma determinada espécie indica apenas a presença dessa espécie, no entanto, não define a sua abundância ou, ainda, características individuais e / ou populacionais da espécie-alvo. Por isso, se faz necessário a consolidação de métodos que permitam compreender as variáveis que limitam as respostas a tais características.

A grande sensibilidade do método de eDNA permite um monitoramento eficaz da biodiversidade sendo uma ferramenta eficaz no monitoramento de espécies raras ou de difícil captura. Porém, o avanço inovador desse método exige a necessita de um processo de reflexão sobre os sistemas responsáveis pelas decisões fundamentais sobre o monitoramento da biodiversidade. A validação das novas metodologias só ocorrerá a partir do alicerçamento técnico científico, que permitirá uma mudança no paradigma dos órgãos responsáveis, no que diz respeito a definição dos métodos utilizados nos estudos ambientais necessários para a conservação da biodiversidade.

 Referências Consultadas:

Venter JC, Remington K, Heidelberg JF, Halpern AL, Rusch D, Eisen JA, et al. Environmental genome shotgun sequencing of the Sargasso Sea. science. 2004;304(5667):66–74

Ficetola GF, Miaud C, Pompanon F, Taberlet P. Species detection using environmental DNA from water samples. Biol Lett. 2008;4(4):423–425.

Gu W, Swihart RK. Absent or undetected? Effects of non-detection of species occurrence on wildlife–habitat models. Biol Conserv. 2004;116(2):195–203.

CL J, Mahon AR, Chadderton WL, Lodge DM. Sight-unseen” detection of rare aquatic species using environmental DNA. Conserv Lett. 2011;4:150–157.