Por Aline Horodesky e Diego Junqueira Stevanato

Muitos ecossistemas dulcícolas foram completamente modificados após a construção de barragens de usinas hidrelétricas. Após a formação dos reservatórios, muitas espécies de peixes perdem seus habitats de reprodução, tanto pelo comprometimento dos cursos de água usados na migração das espécies reofílicas como pela fragmentação genética da população. 

Para avaliar os impactos sobre os peixes, muitos programas ambientais utilizam a identificação taxonômica e a quantificação de ovos e larvas para fornecer informações sobre que são usadas para deduzir o período reprodutivo de cada espécie bem como a localização das desovas, podendo ainda ser usado para quantificar a biomassa dos reprodutores presentes nesses reservatórios.

Figura 1. Utilização de redes de ictioplâncton como técnica de amostragem de ovos e larvas de peixes. Fonte: Booth et al., 2017.

Apesar do método convencional ser muito utilizado, muitas são as limitações técnicas para a realização dos procedimentos de identificação e quantificação, uma vez que muitas espécies de peixes possuem ovos e larvas morfologicamente semelhantes entre si. 

Além disso, poucas espécies tiveram sua taxonomia descrita em detalhes na fase inicial de ontogenia, o que torna os processos de triagem lentos e muitas vezes imprecisos. Os procedimentos que antecedem o processo de triagem também pode ser limitantes, como o procedimento de coleta e preservação de amostras. Na coleta, alguns manejos errados com a rede de ictioplâncton podem resultar no esmagamento do material coletado. No procedimento de preservação, a falta de fixadores ou o excesso do mesmo pode afetar todo o material, além de que, em alguns reservatórios, muitos sedimentos acabam vindo junto com os ovos e larvas, o que pode dificultar no processo de fixação.

Figura 2. Triagem de ovos e larvas de peixes para identificação taxonômica. Fonte: https://swfsc.noaa.gov/textblock.aspx?Division=FRD&id=6210&ParentMenuId=436

Essas dificuldades encontradas por muitos pesquisadores levaram à um aumento no uso de ferramentas moleculares para a identificação de ovos e larvas. Com a montagem de um banco de dados genético, a identificação molecular de qualquer estágio de desenvolvimento de uma determinada espécie é direta, contando apenas com métodos de PCR, seguido pelo sequenciamento de DNA e a comparação da sequência com o banco de dados. A partir disso, todas as espécies presentes no reservatório podem ser identificadas.

Muitos trabalhos têm demostrado resultados eficientes na aplicação de técnicas moleculares para a identificação de espécies, mesmo em regiões com uma fauna muito diversificada. Por isso, esse método começa a ser utilizado com uma frequência cada vez maior, proporcionando resultados rápidos, muito mais precisos que aqueles obtidos através dos métodos convencionais e aliado a facilidade de coleta, pode ter seus custos reduzidos.

Referências consultadas

Booth, A. M., Kubowicz, S., Beegle-Krause, C.J., Skancke, J., Nordam, T., Landsem, E., Throne-Holst, M., Jahren, S. 2017. Unrestricted Report Microplastic in global and Norwegian marine environments: Distributions, degradation mechanisms and transport. Sintef Ocean AS. 1-147p.

Frantine-Silva, W., Lima, S., Orsi, M. L., Almeida, F. 2016. DNA barcoding na análise de ictioplâncton: protocolos e métodos. In: Orsi, M. L., Almeida, F. S., Swarça, A. C., Claro-García, A., Vianna, N. C., Garcia, D. A. Z., Bialetzki, A. Ovos, larvas e juvenis dos peixes da bacia do rio Paranapanema: Uma avaliação para a conservação. Triunfal Grafica & Editora.

Gleason, L. U., Burton, R. S. 2012. High-throughput molecular identification of fish eggsusing multiplex suspension bead arrays. Molecular Ecology Resources. 12, 57-66.

Graner, F. 2015. Coho Salmon hatching. U.S. Fish & Wildlife Service. https://www.youtube.com/watch?v=dnX4ZKvYTHs

Lima, M. C. C., Lima, S. C., Savada, C. S., Suzuki, K. M., Orsi, M. L., Almeida, F. S. 2020. Use of DNA barcode in the identification of fish eggs in tributaries of the Paranapanema River basin. Genetics and Molecular Biology.