Por Aline Horodesky

A água é uma fonte muito utilizada no setor industrial. Sua captação, tratamento e distribuição, a partir de Estações de Tratamento de Água (ETA) estão recebendo a visita indesejável de uma espécie que causa prejuízos ambientais e econômicos, o mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei).

Essa espécie é considerada invasora, pois apresenta alta capacidade reprodutiva, alta capacidade de dispersão, alta resistência e adaptabilidade à mudanças ambientais, ausência de predadores e é capaz de gerar danos, tanto ambientais quanto socioeconômicos (Uliano-Silva et al., 2015). O mexilhão-dourado é originário da Ásia e presume-se que chegou na América do Sul em 1991, no estuário do Rio da Prata, Argentina, através de água de lastro de navios mercantes (Pastorino et al. 1993). Após sua invasão no Brasil (no ano de 1999), ele já foi registrado nas regiões Sul, Sudeste, Centro-oeste e Nordeste (CBEIH, 2020) (Figura 1).

Figura 1. Localização dos registros de Limnoperna fortunei na América do Sul. Fonte: http://base.cbeih.org/

A incrustação do mexilhão-dourado pode causar o entupimento de bombas, filtros, grades e tubulações de sistemas de abastecimento de água, bem como, do sistema hidráulico de usinas hidrelétricas, de refinarias de petróleo, de fábricas de papel e celulose, entre outros setores industriais (Mansur et al., 2003). Mais especificamente, essa incrustação causa a redução do diâmetro e obstrução de tubulações, redução da velocidade de fluxo da água, provocando perdas de carga, aumento do processo de corrosão de tubulações, gosto e odor na água, aumento na frequência de limpeza e manutenção e consequentemente, aumento de custos (Nakano & Strayer, 2014).

Figura 2. Incrustação do mexilhão-dourado em tubulações. Fonte: GIA/UFPR.
Figura 3. Incrustação do mexilhão-dourado nas escadas da entrada de água de uma usina hidrelétrica. Fonte: GIA/UFPR.

O GIA vem realizando pesquisas em parcerias com diversas empresas de papel e celulose, companhias de saneamento básico e usinas hidrelétricas que estão apresentando esse problema. Para isso, os pesquisadores tem executado trabalhos para diagnosticar, detectar, prevenir e controlar o mexilhão-dourado. Além do mexilhão-dourado, o GIA também desenvolve estudos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) com outras espécies aquáticas invasoras que podem causar problemas para os sistemas hidráulicos, como por exemplo, o hidrozoário de água doce (Cordylophora caspia), a ameijôa-asiática (Corbicula fluminea), macrófitas (como Hydrilla verticillata, Egeria najas), entre outras espécies.

As principais atividades realizadas são:

  • Desenvolvimento de ferramentas moleculares para a detecção e quantificação de espécies invasoras;
  • Inspeção das estruturas hidráulicas para identificação e quantificação da presença do mexilhão-dourado ou da espécie-alvo e do estágio de colonização das estruturas hidráulicas;
  • Coleta de amostras de água para análises quantitativas e moleculares de última geração;
  • Identificação de pontos críticos de controle da presença do mexilhão-dourado ou da espécie-alvo;
  • Elaboração e execução de planos de monitoramento e de controle da espécie;

Abaixo, seguem imagens dos trabalhos realizados em estações de tratamento de água de empresas de fabricação de papel e celulose e em companhias de saneamento básico.

Figura 4. Imagem das bombas de captação de água do rio para abastecimento da Estação de Tratamento de Água. Fonte: GIA/UFPR.
Figura 5. Imagem das bombas de captação de água do rio para abastecimento da Estação de Tratamento de Água. Fonte: GIA/UFPR.
Figura 6. Imagem da entrada de água na Estação de Tratamento de Água. Fonte: GIA/UFPR.
Figura 7. Imagem da amostragem de água na Estação de Tratamento de Água para análise quantitativa do mexilhão-dourado. Fonte: GIA/UFPR.
Figura 8. Imagem de uma Estação de Tratamento de Água. Fonte: GIA/UFPR.
Figura 9. Imagem do mexilhão-dourado incrustado no processo de adução de uma Estação de Tratamento de Água. Fonte: GIA/UFPR.
Figura 10. Imagem do mexilhão-dourado incrustado em tubulação de entrada de água na Estação de Tratamento de Água. Fonte: GIA/UFPR.

Referências

 

Mansur, M. C. D., Santos, C. P., Darrigran, G., Heydrich, I., Callil, C. T., & Cardoso, F. R. 2003. Primeiros dados quali‐quantativos do mexilhão‐dourado, Limnoperna fortunei (Dunker), no Delta do Jacuí, no Lago Guaíba e na Laguna dos Patos, Rio Grande do Sul, Brasil e alguns aspectos de sua invasão no novo ambiente. Revista Brasileira De Zoologia, 20, 75– 84.

 

Nakano, D., Strayer, D. L. 2014. Biofouling animals in fresh water: biology, impacts, and ecosystem engineering. Frontiers in Ecology and the Environment 12(3): 167–175.

 

Pastorino, G., Darrigran, G. A., Lunaschi, L., Martín, S. M. 1993. Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) (Mytilidae), nuevo bivalvo invasor en aguas del Río de la Plata.

 

Uliano-Silva, M., Dondero, F., Dan Otto, T., Costa, I., Lima, N. C. B., Americo, J. A., Mazzoni, C. J., Prosdocimi F., Rebelo, M. D. F. 2017. A hybrid-hierarchical genome assembly strategy to sequence the invasive golden mussel, Limnoperna fortunei. GigaScience 7(2): gix128.