Por Diego Stevanato, Fabricio Salvador Vidal e Vitor Rossi

Publicado em 15/05/2017

 

A espécie Limnoperna fortunei (Dunker, 1857), popularmente conhecida como mexilhão dourado é originária do sudeste asiático. Aqui no Brasil, essa espécie é uma espécie não-nativa e de alto potencial invasivo devido a suas características biológicas como rápido poder reprodutivo, precocidade sexual, ciclo de vida curto e eficiente capacidade de dispersão.

 

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Figura 1. Visão externa e interna de um exemplar de Limnoperna fortunei. Fonte: researchgate.net/publication/295550174

 

Essa, por sua vez, vem provocando diversos impactos de ordem ambiental, econômica e social. Nas usinas hidrelétricas brasileiras, estes impactos estão relacionados principalmente à sua capacidade de obstruir os ductos dos sistemas de resfriamento (filtros e trocadores de calor). Vale ressaltar que os problemas desincrustação dentro das usinas não são consequência apenas da presença dos mexilhões, mas  também de outros fatores, tais como: depósitos de sólidos suspensos, lama ferruginosa e a formação de biofilmes que, somados aos danos causados pelo mexilhão dourado, contribuem para acentuar os prejuízos econômicos presentes neste setor

 

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Figura 2. Exemplares de mexilhão dourado fixados em estruturas do sistema de resfriamento de uma usina hidrelétrica. Foto: GIA, 2015.

 

A introdução dessa espécie na América do Sul ocorreu a partir da Bacia de Bagliard no rio do Prata , Argentina, onde os primeiros registros datam do ano de 1991  (Pastorino et al., 1993). Credita-se esta introdução ao despejo de água de lastro dos navios provenientes do sudeste asiático e que realizavam suas operações nos portos da Bacia do rio da Prata (Darrigram e Pastorino, 1995). Os primeiros registros do L. fortunei no Brasil ocorreram no ano de 1998 nos estados do Rio Grande do Sul e Matogrosso, tendo como via de acesso a Bacia do baixo rio Paraná (Darrigran, 2002). Devido à sua alta capacidade de dispersão, deslocando-se em um ritmo de 240 km por ano,  já no ano 2003sua presença foi detectada em usinas do estado de São Paulo, na bacia do rio Paraná e, ao longo do rio Paraguai (Oliveira et al., 2004).

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Figura 3. Mapa das rotas de invasão do mexilhão dourado na América do Sul. Fonte: http://blog.ted.com/a-ted-fellow-wields-genes-to-protect-the-amazon/

Até o momento, não há um método de controle do mexilhão dourado que possa ser considerado definitivo. As diferentes tentativas de controle se baseiam em métodos físicos, químicos, controles biológicos e tintas anti-incrustantes. A eficácia dos métodos utilizados leva em consideração a correlação entre a eficiência, o custo de aplicação e os potenciais riscos ambientais.

Os métodos de controle físico mais aplicados são:

  • Remoção manual ou mecânica de populações encontradas nas estruturas internas e externas dos ductos de resfriamento;
  • Elevação da temperatura;
  • Utilização de filtros fixos e móveis;
  • Uso de correntes elétricas;
  • Uso de radiação ultravioleta (UV);

Velocidade da corrente de água.

Os métodos de controle químico estão entre os mais utilizados, devido a apresentarem uma resposta mais rápida e de fácil aplicação. No entanto, são os que mais apresentam restrições legais. Os tratamentos químicos são categorizados em agentes oxidantes e não oxidantes:

Oxidantes:

  • Cloro gasoso;
  • Dióxido de cloro;
  • Dicloroisocianurato de sódio, (Figura 04);
  • Hidróxido de sódio;
  • Ozônio;
  • Peróxido de hidrogênio.

Não oxidantes:

  • Quaternários de amônia;
  • Niclosamidas;
  • Hidrocarbonetos aromáticos;
  • Sulfatos de cobre;
  • Sais de potássio.

 

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Figura 4. Esquema de um sistema de injeção e controle de dicloroisocianurato em tubulação do sistema de resfriamento de uma usina hidrelétrica. Fonte: https://pt.linkedin.com/pulse/digimed-lan%C3%A7a-analisador-de-cloro-org%C3%A2nico-para-combater-karina-souza

Os métodos de controle biológico consistem na introdução de espécies que são, comprovadamente, predadoras do L. fortunei. Este método é pouco usual devido aos riscos ambientais associados à introdução de novas espécies, o que pode acarretar em um desequilíbrio ambiental.

A utilização de tintas antiincrustantes como método de controle do L. fortunei é mais observada no recobrimento de embarcações. A composição química desses materiais apresenta componentes tóxicos a base de cobre, níquel e outros materiais organolépticos.

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