Notícias

Por Diego Stevanato, Fabricio Salvador Vidal e Vitor Rossi

Publicado em 15/05/2017

 

A espécie Limnoperna fortunei (Dunker, 1857), popularmente conhecida como mexilhão dourado é originária do sudeste asiático. Aqui no Brasil, essa espécie é uma espécie não-nativa e de alto potencial invasivo devido a suas características biológicas como rápido poder reprodutivo, precocidade sexual, ciclo de vida curto e eficiente capacidade de dispersão.

 

01

Figura 1. Visão externa e interna de um exemplar de Limnoperna fortunei. Fonte: researchgate.net/publication/295550174

 

Essa, por sua vez, vem provocando diversos impactos de ordem ambiental, econômica e social. Nas usinas hidrelétricas brasileiras, estes impactos estão relacionados principalmente à sua capacidade de obstruir os ductos dos sistemas de resfriamento (filtros e trocadores de calor). Vale ressaltar que os problemas desincrustação dentro das usinas não são consequência apenas da presença dos mexilhões, mas  também de outros fatores, tais como: depósitos de sólidos suspensos, lama ferruginosa e a formação de biofilmes que, somados aos danos causados pelo mexilhão dourado, contribuem para acentuar os prejuízos econômicos presentes neste setor

 

11

Figura 2. Exemplares de mexilhão dourado fixados em estruturas do sistema de resfriamento de uma usina hidrelétrica. Foto: GIA, 2015.

 

A introdução dessa espécie na América do Sul ocorreu a partir da Bacia de Bagliard no rio do Prata , Argentina, onde os primeiros registros datam do ano de 1991  (Pastorino et al., 1993). Credita-se esta introdução ao despejo de água de lastro dos navios provenientes do sudeste asiático e que realizavam suas operações nos portos da Bacia do rio da Prata (Darrigram e Pastorino, 1995). Os primeiros registros do L. fortunei no Brasil ocorreram no ano de 1998 nos estados do Rio Grande do Sul e Matogrosso, tendo como via de acesso a Bacia do baixo rio Paraná (Darrigran, 2002). Devido à sua alta capacidade de dispersão, deslocando-se em um ritmo de 240 km por ano,  já no ano 2003sua presença foi detectada em usinas do estado de São Paulo, na bacia do rio Paraná e, ao longo do rio Paraguai (Oliveira et al., 2004).

2

Figura 3. Mapa das rotas de invasão do mexilhão dourado na América do Sul. Fonte: http://blog.ted.com/a-ted-fellow-wields-genes-to-protect-the-amazon/

Até o momento, não há um método de controle do mexilhão dourado que possa ser considerado definitivo. As diferentes tentativas de controle se baseiam em métodos físicos, químicos, controles biológicos e tintas anti-incrustantes. A eficácia dos métodos utilizados leva em consideração a correlação entre a eficiência, o custo de aplicação e os potenciais riscos ambientais.

Os métodos de controle físico mais aplicados são:

  • Remoção manual ou mecânica de populações encontradas nas estruturas internas e externas dos ductos de resfriamento;
  • Elevação da temperatura;
  • Utilização de filtros fixos e móveis;
  • Uso de correntes elétricas;
  • Uso de radiação ultravioleta (UV);

Velocidade da corrente de água.

Os métodos de controle químico estão entre os mais utilizados, devido a apresentarem uma resposta mais rápida e de fácil aplicação. No entanto, são os que mais apresentam restrições legais. Os tratamentos químicos são categorizados em agentes oxidantes e não oxidantes:

Oxidantes:

  • Cloro gasoso;
  • Dióxido de cloro;
  • Dicloroisocianurato de sódio, (Figura 04);
  • Hidróxido de sódio;
  • Ozônio;
  • Peróxido de hidrogênio.

Não oxidantes:

  • Quaternários de amônia;
  • Niclosamidas;
  • Hidrocarbonetos aromáticos;
  • Sulfatos de cobre;
  • Sais de potássio.

 

3

Figura 4. Esquema de um sistema de injeção e controle de dicloroisocianurato em tubulação do sistema de resfriamento de uma usina hidrelétrica. Fonte: https://pt.linkedin.com/pulse/digimed-lan%C3%A7a-analisador-de-cloro-org%C3%A2nico-para-combater-karina-souza

Os métodos de controle biológico consistem na introdução de espécies que são, comprovadamente, predadoras do L. fortunei. Este método é pouco usual devido aos riscos ambientais associados à introdução de novas espécies, o que pode acarretar em um desequilíbrio ambiental.

A utilização de tintas antiincrustantes como método de controle do L. fortunei é mais observada no recobrimento de embarcações. A composição química desses materiais apresenta componentes tóxicos a base de cobre, níquel e outros materiais organolépticos.

Por Camila Prestes dos Santos Tavares

Publicado em 04 de maio de 2017

 

Figura de capa

O siri-mole é obtido a partir da produção em cativeiro, baseada fundamentalmente na captura de siris em estágio de pré-muda (peelers) no ambiente natural, que depois são transferidos para sistemas de produção, onde são mantidos até realizarem a muda.

A produção de siri-mole é uma atividade aquícola utilizada para agregar valor ao siri em todos os locais em que os siris são pescados, nos Estados Unidos um siri-mole pode ser vendido por até sete vezes o preço que é pago por siris duros, o que torna a atividade um componente efetivo da indústria de frutos-do-mar.

Embora a produção de siri-mole seja lucrativa, grandes perdas financeiras também são comuns devido à alta mortalidade dos peelers durante o período de cativeiro. Assim, o valor da indústria de siri-mole é diretamente dependente da taxa de mortalidade dos peelers.

De acordo com Chaves e Eggleston (2003) em sistemas de cultivo de siri-mole, os siris geralmente sofrem taxas de mortalidade de 25% ou mais, essa taxa tem sido atribuída à má qualidade da água (Lakshmi, 1984; Hochheimer, 1988), ao estresse de coleta e transporte (Chaves e Eggleston, 2003) e a doenças e parasitas (Kennedy e Cronin, 2007). Entretanto, mais recentemente foi descoberto um vírus específico de siri que foi fortemente associado com a maioria dos eventos de mortalidade de siris em sistemas de cultivo (Bowers et al., 2011; Chung et al., 2015).

Este vírus, originalmente foi descoberto por microscopia eletrônica e chamado reo-like vírus (também chamado de RLV ou CsRV), pertence a família Reoviridae, possui uma forma icosaédrica associada a uma cápside de dupla camada, se replica no citoplasma das células infectadas, mede entre 60 e 80 nm de diâmetro e contêm um genoma que consiste em 10 a 13 segmentos de dsRNA (Tang et al., 2011). O vírus infecta os hemócitos, os tecidos hemopoiéticos e conjuntivos e causa patologia de tecidos em associação com a infiltração de hemócitos (Figura 1) e podem também ocasionar necroses (Figura 2).

Figura 1

Figura 1. Histologia de tecidos de Callinectes sapidus infectados pelo vírus reo-like. A) Muitas células têm volume citoplasmático aumentado (seta amarela) indicativo de inclusões de vírus em comparação com o volume citoplasmático mais normal (seta azul). Barra de escala = 10 μm. B) Microscopia eletrônica de hemócito cheio de viriões e material filamentoso (FONTE: Bowers et al. (2010)).

Figura 2

Figura 2. Histologia de tecidos de Scylla serrata infectados com vírus reo-like. A) Necrose de brânquia. As setas mostram inclusões virais (bar = 50 μm). B) Necrose do estômago (bar = 50 μm). C) Necrose do tecido conjuntivo de hepatopâncreas (bar = 50 μm). D) Tecido hepatopancrear de um siri saudável (bar = 50μm) (FONTE: Chen et al. (2011)).

O RLV foi encontrado em mais de 50% dos siris Callinectes sapidus provenientes de sistemas de produção de siri-mole e também estava presente em pelo menos 5% das populações selvagens amostrados nas proximidades de Maryland e na costa do Golfo da Flórida, nos Estados Unidos. Em infecções laboratoriais de juvenis de C. sapidus, este vírus resultou em 100% de mortalidade entre uma a três semanas após a injeção do vírus.

O mesmo vírus também foi registrado em sistemas de cultivo do siri-da-lama Scylla serrata na China, reo-like vírus atingiu graves níveis de epidemia e causou taxas de mortalidade superior a 90% (Chen et al., 2011)

Pesquisas mais recentes revelaram que o vírus está presente em uma média de 20% dos siris desde Massachusetts até o Brasil (Flowers et al., 2016), e que o RLV é mais patogênico em temperaturas elevadas. Em um estudo controlado usando siris Callinectes sapidus de idade e condição idênticas, infecções experimentais mataram os siris mais em temperaturas de 29°C do que em 22° C (Chung et al., 2015). Isso sugere que quando os siris com infecções naturalmente adquiridas são mantidos em sistemas de produção de siri-mole sob temperaturas elevadas morrem mais rapidamente do que aqueles mantidos em água mais fria.

A mortalidade de peelers causa uma perda de tempo e dinheiro investidos na produção. Se calcularmos que nos últimos 10 anos a pesca de peelers nos Estados Unidos gerou um valor médio anual de US$ 12 milhões (dados NOAA, NMFS), e a metade da mortalidade nos sistemas de cultivo está associada ao vírus reo-like, a perda anual será de US$ 6 milhões.

A descoberta de um vírus que causa mortalidade em peelers e siris-moles quando cultivados em temperatura acima de 29 °C reforça a necessidade de se controlar as variáveis de qualidade da água, principalmente a temperatura. O uso de sistemas de recirculação no cultivo de siri-mole, devido ao maior controle das variáveis ambientais que esse sistema oferece, é a principal forma para minimizar as taxas de mortalidade (Gaudé e Anderson, 2011).

 

BIBLIOGRAFIA CITADA

BOWERS, H. A.  et al. A reo-like virus associated with mortalities of blue crab Callinectes sapidus:  development of tools to improve soft-shell crab aquaculture. Journal of Shellfish Research, v. 30, n. 2, p. 487,  2011. ISSN 0730-8000.  

BOWERS, H. A.  et al. Physicochemical properties of double-stranded RNA used to discover a reo-like virus from blue crab Callinectes sapidus. Diseases of aquatic organisms, v. 93, n. 1, p. 17-29,  2010. ISSN 0177-5103.  

CHAVES, J. C.; EGGLESTON, D. B. Blue crab mortality in the North Carolina soft-shell industry: Biological and operational effects. Journal of Shellfish Research, v. 22, p. 241-250,  2003. ISSN 0730-8000.  

CHEN, J. G.  et al. A Reo-like virus associated with high mortality rates in cultured mud crab, Scylla serrata, in East China. Diseases in Asian Aquaculture VII, p. 111-118,  2011.   

CHUNG, J. S.  et al. Elevated water temperature increases the levels of reo-like virus and selected innate immunity genes in hemocytes and hepatopancreas of adult female blue crab, Callinectes sapidus. Fish Shellfish Immunol. Fish and Shellfish Immunology, v. 47, n. 1, p. 511-520,  2015. ISSN 1050-4648.  

FLOWERS, E. M.  et al. PCR‐based prevalence of a fatal reovirus of the blue crab, Callinectes sapidus (Rathbun) along the northern Atlantic coast of the USA. Journal of Fish Diseases, Hoboken, v. 39, n. 6, p. 705-714, 2016. ISSN 0140-7775 1365-2761. Disponível em: < http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5324600/ >.

GAUDÉ, A.; ANDERSON, J. A. Soft shell crab shedding systems. SRAC Publication, Stoneville, Miss, v. 4306, p. 6, October 2011 2011.   

HOCHHEIMER, J. Water Quality in Soft Crab Shedding.   University of Maryland, Sea Grant Extension Program, 1988. 6.

KENNEDY, V. S.; CRONIN, L. E. The Blue Crab: Callinectes Sapidus.   Maryland Sea Grant College University of Mary, 2007.

LAKSHMI, G. J. The Effect of ammonia accumulation on blue crab shedding success : final report, March, 1983 through December, 1983.  Ocean Springs, Miss.: Gulf Coast Research Laboratory, 1984.

TANG, K. F. J.  et al. Histopathological characterization and in situ detection of Callinectes sapidus reovirus. YJIPA Journal of Invertebrate Pathology, v. 108, n. 3, p. 226-228,  2011. ISSN 0022-2011.  

 

 

 

Publicado em 12 de abril de 2017

Por Aline Horodesky

 

A relação entre as funções vitais dos muluscos bivalves e o ambiente onde vivem faz desses animais excelentes bioindicadores da saúde ambientel [1]. 

Figura 1

Fig.1: Ostras cultivadas em ambientes estuarinos.

 

As ostras, além de habitarem naturalmente ambientes estuarinos, são amplamente cultivadas nestes locais, onde o alimento é abundante para o seu desenvolvimento [2]. Sua alimentação se dá através da filtração e captura de partículas em suspensão presentes na água. Ao passar pelas brânquias, ficam retidos organismos do fito e microzooplâncton, material orgânico e inorgânico dissolvido, além de micro-organismos, como as bactérias [3].

Tal mecanismo de alimentação faz com que toda a microbiota presente nas ostras esteja diretamente associada ao ambiente aquático que habitam, variando de acordo com os fatores ambientais, como a salinidade, a carga bacteriana na água, temperatura, alimentação, assim como, com as atividades antrópicas e o manejo durante a produção [4].

Figura 2

Fig.2: Ambiente estuarino utilizado para o cultivo de ostras.

 

As ostras abrigam naturalmente uma microbiota bacteriana diversificada, muitas vezes composta por bactérias patogênicas, principalmente pelas espécies pertencentes aos gêneros Vibrio, Pseudomonas, Alcaligenes, Aeromonas, Flavobacterium, Bacillus e Micrococcus [5]. Podem também incluir alguns patógenos que estão naturalmente presentes na água de cultivo, como o Vibrio parahemolyticus e V. vulnificus, enquanto outros são geralmente associados à presena de contaminação fecal nas águas, tais como V. cholerae, Salmonella sp., Escherichia coli, Shigella sp., Campylobacter jejum e Yersinia enterocolitica [6].

Essas bactérias podem representar risco à saúde pública quando as ostras são consumidas, além de proporcionar mortalidade aos animais cultivados, afetando drasticamente os empreendimentos em escala comercial [7].

Figura 3

Fig.3: Mortalidade de ostras contaminadas por bactérias.

 

As principais bactérias reconhecidas por causar mortalidade de ostras do gênero Crassostrea são: Vibrio [8], Nocardia [9], Mycoplasma [10], Rickettsia [11] e Chlamydia [12]. Um dos principais problemas para se identificar bactérias em ostras está relacionado à necessidade de multiplicação em laboratório. Estima-se que menos de 0,1% de todas as bactérias conhecidas sejam cultivadas por métodos tradicionais [13]. Neste contexto, métodos baseados no sequenciamento de genes bacterianos têm favorecido pesquisas de comunidades bacterianas em organismos e em ambientes marinhos, pois possibilita o completo mapeamento das bactérias presentes em uma determinada amostra a partir de uma análise direta [14], sem a necessidade de multiplicação das mesmas.

Um dos métodos analíticos mais avançados para este fim é o pirosequenciamento. Utilizado especialmente na caracterização mais aprofundada de comunidades bacterianas complexas, o método permite a identificação de bactérias em amostras obtidas diretamente do ambiente, eliminando-se assim a necessidade de isolamento e cultivo, com resultados rápidos, seletivos e de alta sensibilidade, por ser capaz de detectar fragmentos específicos de genes [15].

 

Referências

 

1. Kim, Y. and E.N. Powell, Relationships among parasites and pathologies in sentinel bivalves: Noaa status and trends "mussel watch" program. Bulletin of marine science, 2006. 79(1): p. 83-112.

2. Dame, R.F., Bivalve filter feeders: in estuarine and coastal ecosystem processes, ed. S. Publishing. Vol. 33. 2012, New York. 579.

3. Kach, D. and J.E. Ward, The role of marine aggregates in the ingestion of picoplankton size particles by suspension feeding molluscs. Marine Biology, 2008. 153: p. 797-805.

4. Prieur, D., et al., Interactions between bivalve molluscs and bacteria in the marine environment. Oceanography and Marine Biology, 1990. 28: p. 277-352. 

5. Paillard, C., F. Le Roux, and J.J. Borrego, Bacterial disease in marine bivalves, a review of recent studies: Trends and evolution. Aquatic Living Resourses, 2004. 17: p. 477-498.

6. FDA, F.a.D.A., Fish and fishery products hazards and controls guidance. 2011.

7. Fernandez, N.T., et al., Changes in the composition and diversity of the bacterial microbiota associated with oysters (Crassostrea corteziensis, Crassostrea gigas and Crassostrea sikamea) during commercial production. FEMS Microbiology Ecology, 2014. 88: p. 69-83.

8. Le Roux, F., et al., Comparative analysis of Vibrio splendidus related strains isolated during Crassostrea gigas mortality events. Aquatic Living Resources, 2002. 15: p. 251-258.

9. Friedman, C.S., et al., Investigation of the relationship between the presence of a Gram positive bacterial infection and summer mortality of the Pacific oyster, Crassostrea gigas Thunberg. Aquaculture, 1991. 94: p. 1-15.

10. Azevedo, C., Occurrence of an unusual branchial mycoplasma-like infection in cockle Cerastoderma edule (Mollusca, Bivalvia). Diseases of Aquatic Organisms, 1993. 16: p. 55-59.

11. Azevedo, C. and A. Villalba, Extracellular giant rickettsiae associated with bacteria in the gill of Crassostrea gigas (Mollusca, Bivalvia). Journal of Invertebrate Pathology, 1991. 58: p. 75-81.

12. Renault, T. and N. Cochennec, Chlamydia-like organisms in ctenidia and mantle cells of the Japanese oyster Crassostrea gigas from the French Atlantic coast. Diseases of Aquatic Organisms, 1995. 23: p. 153-159.

13. Nocker, A., J.E. Lepo, and R.A. Snyder, Influence of an oyster reef on development of the microbial heterotrophic community of an estuarine biofilm. Applied and environmental microbiology, 2004. 70(11): p. 6834-6845.

14. Postollec, F., et al., Recent advances in quantitative PCR (qPCR) applications in food microbiology. Food Microbiology, 2011. 28: p. 848-861.

15. Petrosino, J.S., et al., Metagenomic pyrosequencing and microbial identification. Clinical Chemistry, 2009. 55: p. 5856-5866.

 

 

 

 

Por Diego Junqueira Stevanato

Em 18 de abril de 2017

 

O lambari-do-rabo-amarelo Astyanax altiparanae é um peixe de água doce, presente em rios, lagos e represas e possui hábito alimentar amplo, comendo praticamente qualquer tipo de alimento que estiver pela frente. Sua principal característica é a coloração amarelada principalmente na nadadeira anal e caudal. 

DSC 1582.1

Figura 1. Exemplar de Astyanax altiparanae

 

Uma característica importante para sua criação comercial é seu rápido crescimento, podendo atingir a maturidade sexual em apenas quatro meses de cultivo. Além disso, essa espécie apresenta outra característica crucial e desejada dentro da piscicultura, a rusticidade. Esses animais toleram diversas faixas de temperaturas, resistem a diversos patógenos porem, caso o produtor se esqueça de alimentá-los, com certeza praticarão o canibalismo.

A temperatura de cultivo varia entre 24 e 28 graus. Em condições controladas (laboratório), a espécie pode ser reproduzida o ano inteiro, desde que, durante o período de manutenção desses animais (cultivo), mantenha os sob temperatura e fotoperíodo controlados. Apresenta dimorfismo sexual, sendo as fêmeas maiores que os machos, podendo essas a chegar a 60 g de peso final.

DSC 0044

Figura 2. Reprodução induzida de Astyanax altiparanae. Dimorfismo sexual: fêmea (esquerda) e macho (direita).

 

DSC 0154

Figura 3. Procedimento de sutura em fêmeas durante a reprodução induzida para maior controle na hora da desova.

O cultivo dessa espécie no Brasil é destinado principalmente para o comércio de iscas vivas. Hoje, mais de 50 milhões de indivíduos são comercializados por ano. 

 

DSC 8249

Figura 4. Alevinos do lambari Astyanax altiparanae em tamanho ideal de comércio.

 

Segundo alguns dados da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo (maior estado produtor da espécie), a produção poderá aumentar para 600 milhões de unidades/ano. Esse é um mercado ainda muito promissor e em plena extensão no país, abrindo portas para o cultivo em sistemas menores, uma alternativa para pequenos e médios produtores. 

Por: Felipe Kacham de Carvalho e Nathieli Cozer

03/04/2017

 

Os salmões são peixes migratórios que pertencem à família Salmonídea, bem como as trutas. São peixes bastante estudados, pois possuem uma grande relevância na aquicultura e na pesca comercial.

O ciclo de vida do salmão é um tema bastante curioso e está sintetizado na Figura 1.

figura 1

Figura 1. Ciclo de vida do salmão. Fonte: http://minadeciencia.blogspot.com

Encontrados naturalmente nos oceanos Atlântico (Figura 2) e Pacífico (Figura 3), retornam à água doce na época de desova. Embora os salmões do Atlântico possam se reproduzir mais de uma vez, o salmão do Pacífico morre após a reprodução.

Figura 2

Figura 2. Salmão do Atlântico. Fonte: http://espacepourlavie.ca/en/file/4256

 Figura 3

Figura 3. Salmão do Pacífico. Fonte: http://nomarprofundo.blogspot.com.br

Ainda hoje, não se sabe ao certo como esses salmonídeos conseguem encontrar o caminho de volta para mesmo rio onde nasceram. Uma teoria é que os salmões possam usar o campo magnético da terra como forma de navegação.

Outra possível explicação para tal fenômeno é que antes de sua migração para o mar, o salmão juvenil memoriza os odores químicos e físicos associados com seu local natal e mais tarde, como adultos, utilizam essas memórias de odor para o homing (retorno ao lar). 

Estudos recentes demonstraram que os salmões se movem dentro de certas microestruturas nas camadas da água, e são particularmente sensíveis à estímulos de baixa frequência na gama de 0,1 a 10Hz (ou seja, infra-sons). Este fato implica no fato do salmão poder detectar a aceleração linear à qual está exposto quando se desloca de uma camada para outra. Com base nesses conhecimentos, propõe-se o seguinte cenário para a orientação do homing: Em mar aberto, o salmão se move de uma camada, com um cheiro particular, para uma camada adjacente e assim, obtém informações sobre as diferenças químicas entre as camadas.

Assim, o salmão pode detectar as características (movimentos e odores) de uma camada particular e pode se orientar em uma direção em contracorrente dessa camada. Se esta camada contém odores característicos da corrente doméstica, tal comportamento conduzirá, eventualmente, os peixes às fontes dos sinais químicos atrativos. No entanto, nem todos os salmões apresentam esse comportamento como o caso do salmão anósmico (que teve perda total do olfato) que não demonstra este comportamento, nem em água doce, nem em água salgada.

Para avaliar a capacidade migratória por meio do olfato, salmões de prata foram capturados em armadilhas em Issaquah Creek e em East Fork, pequenos córregos dos Estados Unidos. Os poços olfatórios de metade dos peixes foram ocluídos antes que todos fossem deslocados para o Issaquah cerca de uma milha abaixo da junção dos dois córregos. Os salmões do grupo controle, ao contrário daqueles com poços olfatórios ocluídos, mostraram uma excelente capacidade de repetir sua escolha original na junção dos córregos. Isso é interpretado como significando que os peixes operados não foram capazes de diferenciar entre as duas correntes, mas estavam distribuindo-se de forma aleatória. Os resultados, portanto, estão de acordo com aqueles que seriam esperados se os peixes estivessem confiando em seu olfato ao fazer esta escolha.

Referências

Bentzen, P., J. B. Olsen, J. E. McLean, T. R. Seamons and T. P. Quinn (2001). "Kinship Analysis of Pacific Salmon: Insights Into Mating, Homing, and Timing of Reproduction." Journal of Heredity 92(2): 127-136.

Døving, K. B. and O. B. Stabell (2003). Trails in Open Waters: Sensory Cues in Salmon Migration. Sensory Processing in Aquatic Environments. S. P. Collin and N. J. Marshall. New York, NY, Springer New York: 39-52.

Quinn, T. P. (1980). "Evidence for celestial and magnetic compass orientation in lake migrating sockeye salmon fry." Journal of comparative physiology 137(3): 243-248.

Wisby, W. J. and A. D. Hasler (1954). "Effect of olfactory occlusion on migrating silver salmon (O. kisutch)." Journal of the Fisheries Board of Canada 11(4): 472-478.

  • Controle de mexilhão dourado em usinas hidrelétricas brasileiras

  • Descoberta de um vírus associado à mortalidade de siris: implicações para a produção de siri-mole

  • O lambari: uma espécie promissora

  • Metagenômica de ostras cultivadas em ambientes estuarinos

  • Aspectos da vida do salmão

  • Produção de siri-mole: Cuidados com a qualidade da água

  • Mexilhão dourado - Parte 2

  • Segurança alimentar para consumidores de ostras

  • Partenogênese em peixes cartilaginosos

  • O uso de sulfitos na conservação de camarões

Lançamentos

Destaques

Publicações Científicas mais Recentes

Projetos em Andamento

A produção integrada na carcinicultura brasileira

A produção integrada na carcinicultura brasileira

Biologia e desenvolvimento de tecnologia para o cultivo de siris de interesse comercial no litoral paranaense

Biologia e desenvolvimento de tecnologia para o cultivo de siris...

A indústria como agente da conservação dos recursos hídricos na bacia do Alto Iguaçu e afluentes do Alto Ribeira

A indústria como agente da conservação dos recursos hídricos na...

Centro de Análise e Informação Estratégica da Aquicultura - INFOAQ

Centro de Análise e Informação Estratégica da Aquicultura - INFOAQ

Monitoramento de Limnoperna fortunei (mexilhão dourado) e do hidrozoário Cordylophora capia em reservatórios no estado do Paraná

Monitoramento de Limnoperna fortunei (mexilhão dourado) e do hidrozoário Cordylophora...

Boas práticas de produção, sanidade e rastreabilidade de ostras

Boas práticas de produção, sanidade e rastreabilidade de ostras

Monitoramento da qualidade de ostras no litoral paranaense.

Monitoramento da qualidade de ostras no litoral paranaense.

Marcadores Moleculares e Biológicos Aplicados a Incidentes em Ambientes Aquáticos Continentais

Marcadores Moleculares e Biológicos Aplicados a Incidentes em Ambientes Aquáticos...

Conheça...

Imagens de Projetos

Videos