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Por Camila Prestes dos Santos Tavares

Publicado em 09 de outubro de 2017 

capa astaxantia

A astaxantina é um carotenoide amplamente distribuído na natureza, principalmente no meio marinho. Este pigmento carotenoide é abundante na carne de salmonídeos, carapaça de muitos crustáceos (camarão, caranguejo, lagostas e lagostins) e também em outros organismos marinhos, como micróbios e microalgas.

A astaxantina é usada principalmente como fonte de pigmentação na aquicultura e suplementos dietéticos na indústria de alimentos, bem como aplicações em nutracêuticos e farmacêuticos. Este pigmento é responsável pela coloração vermelho-rosado à carne de salmões, trutas, peixes ornamentais, camarão, lagostas e lagostins, que contribui com o preço e aceitação do produto no mercado consumidor. Os animais aquáticos geralmente apresentam pouca capacidade de sintetizar bioquimicamente a astaxantina e, portanto, exigem que o pigmento seja adicionado na dieta para adquirir a coloração desejada.

Além de ser uma ótima fonte de pigmentação, a astaxantina é um poderoso antioxidante, cerca de 10 vezes mais eficaz que outros carotenoides. A propriedade antioxidante superior em comparação com outros carotenoides é em grande parte atribuída à sua forte capacidade de doação de elétrons como redução para neutralizar os radicais livres produzidos de forma endógena e convertê-los em produtos mais estáveis ao mesmo tempo em que terminam a reação em cadeia dos radicais livres nos organismos vivos.

A astaxantina ganhou interesse comercial e científico devido às suas amplas implicações para a saúde em organismos aquáticos. Atualmente, existem muitas linhas de pesquisa que evidência que o uso da astaxantina na suplementação alimentar gera um impacto significativo no desempenho reprodutivo e na produção e qualidade de ovos de animais aquáticos (Tabela 1). Isso porque, a capacidade antioxidante da astaxantina evita a peroxidação ou dano oxidativo das células ou dos tecidos reprodutivos.

 

Tabela 1. Efeito da astaxantina no desempenho reprodutivo de animais aquáticos FONTE: (Lim et al. 2017). 

tabela 1

 

O papel benéfico da astaxantina também tem sido investigado como um aditivo essencial para o crescimento e sobrevivência de vários animais aquáticos. Algumas pesquisas revelaram correlações positivas significativas entre a suplementação dietética de astaxantina e crescimento ou sobrevivência, ou ambos, em diferentes peixes e crustáceos (Tabela 2). Pois, esse carotenoide desempenha um papel vital no metabolismo intracelular de animais aquáticos, que consequentemente, afeta as funções fisiológicas e aumenta a utilização ou a assimilação dos nutrientes, resultando em uma intensificação do desempenho do crescimento. Já a melhoria na sobrevivência, está intimamente ligada à sua propriedade antioxidante, que assegura as funções celulares e confere melhorias fisiológicas.

Tabela 2. Efeito da astaxantina no crescimento e sobrevivência de diferentes animais aquáticos. FONTE: (Lim et al. 2017).

tabela 2

Outro aspecto interessante da astaxantina é o seu papel no aumento dos níveis de ecdisteróides na hemolinfa que por meio de interações metabólicas são então hidroxiladas e transformadas em forma bioativa de hormônio estimulante da muda, tendo assim uma influência mensurável sobre a fisiologia da muda nos crustáceos.

Além dos benefícios citados, alguns estudos demonstraram que o uso da astaxantina na dieta minimiza o estresse e aumenta a imunidade de muitos animais aquáticos (Tabela 3). As doenças infecciosas na aquicultura, particularmente durante os estágios iniciais da produção, é a principal ameaça que contribui para impactos econômicos significativos em todo o mundo. A maioria dos estudos existentes sobre tolerância ao estresse e resistência a doenças tem sido dedicada aos camarões, principalmente as doenças mais letais como a síndrome da mancha branca (WSSV) e a Necrose Hipodérmica e Hematopoiética Infecciosa (IHHN).

Tabela 3. Efeito da astaxantina na tolerância ao estresse e resistência à doença de diferentes animais aquáticos. FONTE: (Lim et al. 2017).

tabela 3

Devido às diversas aplicações e benefícios da astaxantina, muitas empresas estão se concentrando na produção e comercialização desse pigmento, principalmente extraído da microalga Haematococcus pluvialis. O valor de mercado total excedeu US $ 447 milhões em 2014 com produção estimada de 280 toneladas, porém devido ao seu grande potencial na indústria aquícola estima-se que deverá superar US $ 1,1 bilhão em 2020, e uma produção equivalente a 670 toneladas.

 fig.1 astaxantia

Figura 1. Cultivo de Haematococcus pluvialis da Algatechnologies Ltd., empresa líder mundial na produção de astaxantina obtida a partir de microalgas. A empresa está localizada no deserto de Arave em Israel. FONTE: www.algatech.com.es

 

Literatura citada:

Lim, K. C., F. M. Yusoff, M. Shariff and M. S. Kamarudin (2017). Astaxanthin as feed supplement in aquatic animals. Reviews in Aquaculture: 1-36.

Por Aline Horodesky

Publicado em 03 de outubro de 2017

            As ostras estão entre os moluscos bivalves mais cultivados e comercializados no mundo [1]. Sua comercialização e até o consumo são, na maioria das vezes, realizados com o animal vivo e, seu armazenamento pode se estender por vários dias após a despesca [2, 3].

Fig1 comercioFigura 1. Ostras comercializadas expostas ao ar.

Fig2 comercio

Figura 2. Ostras comercializadas imersas em água.

         Por serem animais filtradores, as ostras retêm micro-organismos durante o processo de alimentação [4]. Quando expostas ao ar, elas fecham suas valvas e, como consequência, há diminuição dos níveis de oxigênio, alteração do pH e acúmulo de resíduos no líquido intervalvar, ocasionando alterações da microbiota bacteriana [5].

  Desta forma, a composição microbiana e as taxas de decomposição de ostras mortas são diretamente influenciadas pela microbiota normal (residente ou transitória) e pelas condições de armazenamento e de manuseio dos animais [6].

Fig3 comercio

Figura 3. Armazenamento e manuseio das ostras.

          Durante o armazenamento das ostras vivas, dependendo da temperatura e do tempo, pode haver predominância de algumas espécies de bactérias, tais como Vibrio, Shewanella, Alcaligenes, Enterobacter, Moraxella, Acinetobacter, Flavobacterium, Bacillus e Corynebacterium [7]. Tais micro-organismos podem induzir a deterioração da carne e afetar a qualidade do produto [8]. Pelo fato desses animais geralmente serem consumidos inteiros e in natura, bactérias potencialmente patogênicas podem ser ingeridas e causar doenças ao consumidor [9]. Entretanto, quando manuseadas, depuradas e armazenadas corretamente, o consumo dessas ostras representa um baixo perigo à saúde do consumidor.

Fig4 comercio

Figura 4. Consumo de ostras in natura.

 Literatura citada:

1. Fernandez, N.T., et al., Changes in the composition and diversity of the bacterial microbiota associated with oysters (Crassostrea corteziensis, Crassostrea gigas and Crassostrea sikamea) during commercial production. FEMS Microbiology Ecology, 2014. 88: p. 69-83.

2. Aaraas, R., et al., Sensory, Histological, and Bacteriological changes in flat oysters, Ostrea edulis L., during different storage conditions. Journal of Food Science, 2004. 69: p. 205-210.

3. Jiménez-Ruiz, E.I., et al., Impact of two commercial in vivo transport methods on physiological condition of the Japanese oyster (Crassostrea gigas). Journal of Chemistry, 2015: p. 6.

4. Wang, D., et al., Seasonal dynamics and diversity of bacteria in retail oyster tissues. International Journal of Food Microbiology, 2014. 173: p. 14-20.

5. Cook, D.W., Microbiology of bivalve molluscan shell-fish, in Microbiology of Marine Food Products, D.R. Ward and C.R. Hackney, Editors. 1991: New York. p. 19-39.

6. Fernandez-Piquer, J., et al., Molecular analysis of the bacterial communities in the live Pacific oyster (Crassostrea gigas) and the influence of postharvest temperature on its structure. Journal of Applied Microbiology, 2012. 112: p. 1134-1143.

7. Cao, R., et al., Microbiological, chemical, and sensory assessment of Pacific oysters (Crassostrea gigas) stored at different temperatures. Czech Journal of Food Sciences, 2009. 27: p. 102-108.

8. Chen, H., et al., Characterisation of the spoilage bacterial microbiota in oyster gills during storage at different temperatures. Journal of the Science of Food and Agriculture, 2013. 93(15): p. 3748-3754.

9. Cruz-Romero, M., A.L. Kelly, and J.P. Kerry, Effects of high-pressure treatment on the microflora of oysters (Crassostrea gigas) during chilled storage. Innovative Food Science and Emerging Technologies, 2008. 9: p. 441-447.

10. Postollec, F., et al., Recent advances in quantitative PCR (qPCR) applications in food microbiology. Food Microbiology, 2011. 28: p. 848-861.

11. Tringe, S.G. and E.M. Rubin, Metagenomics: DNA sequencing of environmental samples. Nature Reviews Genetics, 2005. 6: p. 805-814.

12. Hernández-Zárate, G. and J. Olmos-Soto, Identification of bacterial diversity in the oyster Crassostrea gigas by fluorescent in situ hybridization and polymerase chain reaction. Journal of Applied Microbiology, 2006. 100: p. 664-672.

Nathieli Cozer e Diego Junqueira Stevanato

Publicado em 04 de setembro de 2017

 

O Licenciamento Ambiental (LA) é uma exigência legal e uma ferramenta para o controle ambiental. É por meio do LA que o poder público, representado por órgãos ambientais, autoriza e acompanha a implantação e a operação de atividades, que utilizam recursos naturais ou as consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras. É obrigação do empreendedor, prevista em lei, buscar o LA, desde a etapa inicial de planejamento e instalação até a efetiva operação do empreendimento.

O processo de LA de empreendimentos dedicados à carcinicultura é constituído pela Lei nº 6938, de 31 de agosto de 1981 e pela Lei Complementar n°140/2011. Impõe ao carcinicultor, uma série de condicionantes e o seu não cumprimento pode gerar punições baseadas na Lei 9.605, conhecida como “Lei de Crimes Ambientais” ou “Lei da Natureza”. As penas para quem não respeitar essa lei vão desde simples advertências, multas, embargos temporários até ao fechamento definitivo do empreendimento, caso haja descumprimento das normas estabelecidas nos documentos emitidos durante o processo de licenciamento.

Via de regra, o LA de empreendimentos de carcinicul­tura é de responsabilidade dos órgãos ambientais estaduais, que irão exigir do interessado uma série de informações ambientais, econômicas e sociais relacionadas ao empreendimento.

Na Figura 1 estão representados os processos que envolvem o licenciamento ambiental realizado pelos órgãos ambientais brasileiros.

Figura 1. Fluxograma representativo 

Figura 1. Fluxograma representativos do processo de licenciamento ambiental. Fonte: (Ostrensky, Stevanato et al. 2017).

O licenciamento ambiental é um dos maiores desafios enfrentados pelos produtores de camarão marinho no Brasil, sendo considerado um fator limitante para o desenvolvimento da atividade de carcinicultura no país. O processo de licenciamento envolve prazos bastante extensos, elevada burocracia, complexidade e custos e, mesmo cumprindo todos os requisitos legais, o produtor não tem a garantia que irá conquistar suas licenças ao final desse processo. Diante desse fato, muitos produtores (principalmente os pequenos) desistem do empreendimento ou, como acontece na maioria das vezes, operam à margem da lei.

De acordo com a Associação Brasileira de Criadores de Camarão – ABCC, 71% dos produtores não contam com as licenças ambientais requeridas para que possam legitimar a implantação e a operação de seus empreendimentos.

E para piorar ainda mais a situação, as dificuldades e as exigências apresentadas pelos órgãos para o licenciamento ambiental têm sido maiores, empurrando cada vez mais os micro e pequenos produtores para a informalidade.

Na ausência das licenças, o produtor não consegue acessar os benefícios oriundos do licenciamento. Para os empreendedores, esses benefícios podem ser tanto operacionais quanto financeiros. Cada vez mais, o mercado consumidor exige produtos que durante o processo de produção respeitem o meio ambiente. Além disso, carcinicultores devidamente licenciados podem ter acesso a créditos em bancos públicos e privados, além de acesso a programas oficiais de fomento.

Para a sociedade, a participação de forma expressiva na tomada de decisões, via audiências públicas, por exemplo, poderia reduzir eventuais riscos e incertezas quanto aos impactos socioambientais e econômicos causados pelo empreendimento, garantindo maior legitimidade ao processo.

Referências consultadas

Araújo, A. M. M. (2015). Análise das Práticas de Gestão Ambiental e seus Impactos sobre a Produtividade da Carcinicultura na Ceará.

Cavalcanti, L. E. (2012). "Aspectos geoambientais da carcinicultura no Rio Grande do Norte e seus desdobramentos legais: a implementação da licença ambiental em defesa do meio ambiente." Revista dos Estudantes de Direito da UnB: 71-88.

Ostrensky, A., D. J. Stevanato, G. D. Pont, G. G. Castilho-Westphal, M. V. F. Girotto, N. Cozer, R. F. d. A. García-Madrigal and U. d. A. T. d. Silva (2017). A produção integrada na carcinicultura brasileira: princípios e práticas para se cultivar camarões marinhos de forma mais racional e eficiente. Curitiba, Instituto GIA.

Silveira, I. M. d. M. (2017). Licenciamento ambiental e boas práticas de manejo na carcinicultura: estudo de caso nos Estados Rio Grande do Norte e Ceará, Brasil.

Por Gisela Castilho-Westphal

Publicado em 29 de setembro de 2017

 Fig.ura 1

Figura 1. Carcinicultura. Fonte: Santos 1.

 

Instrumentos legais vigentes no Brasil

Há em vigência no Brasil uma série de instrumentos legais que visam o controle sanitário e a prevenção de doenças na carcinicultura, conforme descritos abaixo:

  • INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 10 24/09/2015 - Prorroga o prazo para implantação da IN 4 MPA 04/02/2015 para 22 de setembro de 2017.
  • INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 04 04/02/2015 - Institui o Programa Nacional de Sanidade de Animais Aquáticos de Cultivo – “Aquicultura com Sanidade”, com a finalidade de promover a sustentabilidade dos sistemas de produção de animais aquáticos e a sanidade da matéria-prima obtida a partir dos cultivos nacionais.
  • PORTARIA Nº 19 04/02/2015 - Define na forma do anexo à Portaria, a lista de doenças de notificação obrigatória de animais aquáticos ao Serviço Veterinário Oficial.
  • INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 01 06/01/2015 - Altera a redação do art. 3º da IN 23, de 11 de setembro de 2014. Esta alteração modifica o início da vigência da IN 23 para 31 de agosto de 2015.
  • INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 30 30/12/2014 - Institui o Programa Nacional de Monitoramento de Resistência a Antimicrobianos em Recursos Pesqueiros.
  • INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 29 22/12/2014 - Institui o Programa de Controle Higiênico-Sanitário de embarcações pesqueiras e infraestrutura de desembarque de pescado.
  • INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 26 12/11/2014 - Estabelece normas para a habilitação de profissionais privados para a realização de coleta e remessa de amostras oficiais para laboratórios da Rede Nacional de Laboratórios do Ministério da Pesca e Aquicultura – RENAQUA, e dá outras providências.
  • INSTRUÇÃO NORMATIVA MPA Nº 23 11/06/2014 - Determina a obrigatoriedade da Guia de Trânsito Animal (GTA) para amparar o transporte de animais aquáticos e matérias-primas de animais aquáticos provenientes de estabelecimentos de aquicultura e estabelecimentos registrados em órgão oficial de inspeção e aprova o modelo de Boletim de Produção.
  • INSTRUÇÃO NORMATIVA MPA Nº 22 11/09/2014 - Institui o Plano Nacional de Certificação Sanitária de Estabelecimentos de Aquicultura - Produtores de Formas Jovens de Animais Aquáticos – “Plano Forma Jovem Segura”.
  • INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 21 11/09/2014 - Estabelece critérios e procedimentos para o controle do trânsito de organismos aquáticos com fins de ornamentação e aquariofilia no território nacional.
  • INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 17 11/08/2014 - Dispõe sobre a Licença de Empresa que Comercializa Organismos Aquáticos Vivos – ECOAV, no Registro Geral da Atividade Pesqueira – RGP.
  • INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 4 30/05/2014 - Estabelece a Nota Fiscal do Pescado, proveniente da atividade de pesca ou de aquicultura.
  • INSTRUÇÃO NORMATIVA N°10 11/07/2013 - Institui a Rede de Colaboração em Epidemiologia Veterinária do Ministério da Pesca e Aquicultura - AquaEpi.
  • INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 03 13/04/2012 - Institui a Rede Nacional de Laboratórios do Ministério da Pesca e Aquicultura - RENAQUA.
  • INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 18 13/05/2008 - Estabelece os procedimentos para importação de animais aquáticos para fins ornamentais e destinados à comercialização.
  • INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 53 02/07/2003 - Aprova o Regulamento Técnico do Programa Nacional de Sanidade de Animais Aquáticos.
  • PORTARIA Nº 573, de 04/06/2003 - Institui o Programa Nacional de Sanidade de Animais Aquáticos.
  • INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 39 04/11/1999 - Suspende temporariamente a entrada no território nacional de todas as espécies de crustáceos, seja de água doce ou salgada, em qualquer etapa do seu ciclo biológico, inclusive seus produtos frescos e congelados, assim como os cozidos, quando inteiro em suas carapaças ou partes delas, de qualquer procedência.

Programa Nacional de Sanidade de Animais Aquáticos (PNSAA)

O PNSAA trata da sanidade de organismos aquáticos, independente de qual regime e qual sistema sejam cultivados.

Este programa foi instituído pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), pela Portaria n°573, de 4 de junho de 2003 e posteriormente aprovado pela Instrução Normativa MAPA nº53, de 2 de julho de 2003. O programa prevê o controle sanitário de estabelecimentos de aquicultura que desenvolvem atividades relacionadas com a reprodução, o cultivo, a comercialização e outras atividades dos animais aquáticos, bem como impedir a introdução de doenças exóticas e controlar ou erradicar aquelas existentes no país.

O PNSAA também visa padronizar as ações profiláticas, métodos de diagnósticos e o saneamento dos estabelecimentos de aquicultura 2. Contém ainda, informações sobre a caracterização e o cadastro de estabelecimentos de aquicultura, a notificação de suspeita ou ocorrência de doença, a fiscalização e o controle sanitário de estabelecimentos de aquicultura sobre a importação e exportação de animais, os procedimentos a serem adotados em um foco de doença e sobre o trânsito dos animais.

 Na IN nº53 são apresentadas as competências do PNSAA, cabendo ao Departamento de Defesa Animal (DDA), da Secretaria de Defesa Agropecuária (DAS), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) sua normalização, coordenação e execução das atividades do programa. As ações de campo são de responsabilidade do Serviço/Seção/Setor de Sanidade Animal, da Delegacia Federal de Agricultura - DFA, e das Secretarias Estaduais de Agricultura ou de seus órgãos de defesa sanitária animal, por meio de convênios firmados com o MAPA.

São disposições do PNSAA:

  • O DDA coordena medidas de prevenção das doenças de notificação obrigatória pela Portaria n°19, de 04 de fevereiro de 2015, para impedir a introdução de doenças exóticas e controlar ou erradicar as existentes no território nacional.
  • Proíbe a entrada em todo o território nacional de animais aquáticos acometidos ou suspeitos de estarem acometidos de doenças, direta ou indiretamente transmissíveis, mesmo estando aparentemente hígidos (saudáveis) e, ainda, dos portadores de parasitos externos ou internos, cuja disseminação possa constituir ameaça à população nacional de animais aquáticos.
  • Proíbe o ingresso em território nacional de produtos, subprodutos, despojos de animais aquáticos, vísceras, alimento vivo ou qualquer outro material presumível veiculador dos agentes etiológicos de doenças contagiosas.
  • Animais aquáticos procedentes de países onde haja doenças endêmicas de notificação obrigatória pela Portaria n°19, de 04 de fevereiro de 2015,só poderão ingressar no país mediante prévia autorização do DDA.

Todo o estabelecimento de aquicultura está sujeito à fiscalização do SVO e caso sejam identificados casos de inobservância das exigências da Instrução Normativa MAPA nº53, de 2 de julho de 2003, poderão ser adotadas as seguintes sanções:

  • Suspensão da autorização para importação, exportação, comercialização e da emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA).
  • Interdição do estabelecimento.
  • Aplicação de outras medidas sanitárias estabelecidas pelo DDA.

Na IN 53 são definidas as regras para a importação e exportação e o trânsito de animais, bem como as medidas a serem tomadas sempre que houver a notificação de suspeita de foco de doença de notificação obrigatória. Sendo estas:

  1. Visita ao foco: visita inicial, coleta de material e remessa ao laboratório, com preenchimento de formulários próprios;
  2. Rastreamento epidemiológico: baseado na obtenção de informações que levem o profissional médico veterinário a encontrar a origem do foco, visando definir sua extensão, evolução, difusão e consequências;
  3. Interdição da área focal e perifocal: conforme a gravidade da doença, os estabelecimentos ou zonas de cultivo serão interditados, assim como as propriedades vizinhas e microbacias;
  4. Comunicação do foco: o foco será comunicado ao SVO local e este comunicará ao estadual, por meio de formulário próprio, para a apreciação epidemiológica e tomada de decisão frente à gravidade requerida; a comunicação deverá ser imediata quando a suspeita for de doenças previstas no art. 8º da IN 53;
  5. Abate sanitário: dependendo da doença, os animais existentes no estabelecimento ou zona de cultivo serão abatidos e o aproveitamento condicional será definido pelo SVO;
  6. Tratamento terapêutico: nos casos em que for viável, irá se proceder o tratamento dos animais doentes;
  7. Desinfecção: constatando-se a necessidade de desinfecção, será feita a despesca, com esvaziamento completo e desinfecção adequada, pelo período necessário ao extermínio do agente causador da doença, tomando-se todas as medidas necessárias para impedir que este agente chegue aos corpos d’água naturais;
  8. Acompanhamento do foco: o estabelecimento ou zona de cultivo, bem como os demais estabelecimentos pertencentes à área perifocal e microbacia, deverão ser periodicamente visitados para monitorar à evolução da doença e à execução das medidas que foram recomendadas bem como à adoção de outras providências, visando o controle ou erradicação total da doença existente;
  9. Encerramento do foco: uma vez constatada a inexistência de agentes patogênicos, bem como o tempo de despovoamento dos estabelecimentos (vazio sanitário) ou zona de cultivo e o sucesso das desinfecções realizadas, o foco será encerrado e a interdição suspensa.

Benefícios da Produção Integrada para o controle e a prevenção de doenças na carcinicultura:

Existem vários fatores que estão relacionados à sanidade de camarões. Dentre eles, pode-se destacar a incapacidade biológica do grupo em desenvolver memória imunológica e, associado a isto, a grande variedade de enfermidades infecciosas relatadas. Por estes motivos, enfermidades em camarões podem se disseminar com rapidez, principalmente em situações de estresse ambiental.

As doenças de notificação obrigatória, quando introduzida em um cultivo, geralmente resultam em perdas econômicas e restrições de mercado, já que na maioria dos casos não são tratáveis. Neste cenário, o controle e a prevenção de doenças na carcinicultura têm papel fundamental na redução de perdas e desperdícios por mortalidades ou desuniformidade dos camarões produzidos.

Para reduzir tais problemas, a produção deve ser sustentada por princípios fundamentais relacionados à qualidade ambiental, laboral e à gestão do processo produtivo. Entretanto, cada um dos princípios básicos da Produção Integrada (PI) pode promover a higidez dos camarões durante o cultivo, minimizando perdas, conforme apresentado na Tabela 6.


Tabela 1. Princípios fundamentais da Produção Integrada (PI) na carcinicultura e seus benefícios para a sanidade dos animais produzidos.

Princípios básicos

Descrição

Benefícios

  1. Estabilidade ambiental

A PI deve assegurar a estabilização dos ecossistemas, isto é, garantir a menor perturbação possível desses recursos para que seu equilíbrio possa ser mantido.

Com o equilíbrio ambiental, o efeito imunossupressor da exposição a fatores estressantes para os camarões produzidos passa a ser menor e, consequentemente, a predisposição às doenças oportunistas é reduzida. Ao mesmo tempo, também são reduzidas as alterações na qualidade da água da área de produção e do entorno, bem como o desequilíbrio da cadeia trófica no entorno do cultivo, que poderiam facilitar o aparecimento de patógenos emergentes.

  1. Redução de perdas e desperdícios

O regime de PI deve garantir a melhoria e o desenvolvimento contínuo do empreendimento, assegurar eficiência e eficácia do sistema de produção, reduzir perdas no processo produtivo e melhorar a sua gestão e ainda, tornar a organização altamente competitiva, com produtos em conformidade com as normas técnicas. 

O aumento da eficiência e eficácia produtivas envolve a adequação às boas práticas de manejo e à nutrição equilibrada, por exemplo, resultado na produção de animais saudáveis e, consequentemente, menos suscetíveis a enfermidades.

  1. Capacitação

A atualização e a capacitação técnica dos produtores e demais profissionais envolvidos com a PI devem ser continuas.

Os técnicos devem transmitir aos produtores conhecimento sobre educação ambiental, princípios da produção integrada e avanços nos processos das cadeias produtivas como pré e pós-colheita, com o intuito de obter e manter a certificação de qualidade dos produtos. Ao aprimorar o conhecimento dos produtores é possível não só enfatizar a importância de uma produção de camarões que atenda aos padrões de qualidade sanitária, mas também implementá-la.

  1. Manejo Integrado

A aplicação de medidas de controle deve dispor das ferramentas mais avançadas disponíveis, como por exemplo, os métodos de prognóstico e os limiares cientificamente validados.

O uso de fertilizantes, pesticidas, antibióticos, entre outros, deve ser o último recurso, utilizado unicamente se as perdas forem economicamente inaceitáveis e não puderem ser impedidas por mecanismos reguladores naturais. Deste modo, os animais produzidos terão mínimo risco de contaminação química em seu organismo e, portanto, menor influência negativa destes compostos sobre parâmetros fisiológicos e imunológicos.

  1. Diversidade biológica

A diversidade biológica, que inclui a diversidade genética das espécies e das comunidades biológicas, na área de produção e em seu entorno devem ser consideradas em um regime de PI.

Isso não significa, por exemplo, que não se possa utilizar espécies exóticas em um sistema da PI, mas que devem ser assegurados mecanismos para garantir que as espécies cultivadas não interfiram na diversidade biológica natural local ou regional. Havendo, em consequência desta interferência, intercâmbio de agentes patogênicos.

  1. Excelência

A PI deve estimular a busca pela excelência, levando em consideração os parâmetros ecológicos, sociais e econômicos do sistema de produção e os requisitos estabelecidos para a certificação do processo.

Com a excelência na PI, haverá maior qualidade e inocuidade do produto final, do processo produtivo, de uso dos recursos naturais, de abate, de transporte dos produtos ao longo da cadeia produtiva e das condições de trabalho das pessoas envolvidas no processo.

  1. Rastreabilidade

A PI deve ser realizada e operada de forma holística, ou seja, as cadeias de produção e distribuição devem ser gerenciadas de maneira sistêmica, com o monitoramento, a caracterização e a rastreabilidade de todas as etapas que as envolvem (desde a produção até o consumidor final).

Dessa forma, quando ocorrer algum problema com lotes do produto, será possível identificar onde e porque esse problema ocorreu, viabilizando a sua correção.


Em suma, com a produção integrada pode-se reduzir problemas com doenças pela implantação das Boas Práticas de Manejo (BPM), redução da carga ambiental, arraçoamento correto e eficiente balanço nutricional da ração, monitoramento e preservação da área do entorno a propriedade, diminuindo a probabilidade de disseminação de doenças e garantindo a sustentabilidade da atividade. Em outras palavras, a ocorrência de doenças é ainda mais grave e elas são mais facilmente disseminadas quando os cultivos são realizados em alta densidade, deficiência na implantação das BPM, falta de rastreabilidade da cadeia produtiva, deficiência no manejo higiênico-sanitário com produção e lançamento de altas cargas de efluentes no ambiente, por exemplo. Ao integrar o cultivo com o ambiente, melhorando sua qualidade, haverá um menor nível de estresse e, consequentemente, os camarões serão mais saudáveis e terão um sistema imune mais eficiente. Minimizando, assim, as perdas decorrentes de enfermidades.

 

Referências:

1              SANTOS, J. Viveiros de camarão em Canguaretama. http://grupocernov.com.br/brasilaquicultura/2016/04/03/historia-da-carcinicultura-no-brasil/ 2016.

2              MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, P. E. A. Instrução Normativa Nº 53. AGROPECUÁRIA, S. D. D. Brasília: 14 p. 02 de julho de 2003.

 

Por Tiago Leal

Publicado em 04 de setembro de 2017

 

Geralmente mediada pela atividade humana, a bioinvasão se caracteriza como um dos graves problemas ambientais da atualidade. Pode ser definida como ato de um ou mais organismos invadirem e se estabelecerem em ambientes onde não havia registros anteriores para a espécie. É subdividida em dois tipos de invasões: 1) expansões, onde os organismos se dispersam por mecanismos naturais e 2) introduções onde os organismos são introduzidos por meios antropológicos, intencionais ou não. Esse processo pode causar perda da diversidade biológica. Outro fator afetado pelos processos de bioinvasão está relacionado a atividades econômicas. Nesse contexto, podemos citar como exemplo os danos à atividade pesqueira, riscos sanitários e gastos com manutenção de turbinas em hidroelétricas (Figura 1). O impacto gerado pela introdução de espécies invasoras é tão relevante que esse processo está sendo considerado a segunda maior ameaça à perda de biodiversidade, após a destruição dos habitats, afetando diretamente as comunidades biológicas e a economia.

Figura 1 tiago

Figura 1. Imagem da incrustação do mexilhão dourado (Limnoperna fortunei) em estruturas de usinas hidrelétricas. A espécie apresenta alta prolificidade aderindo-se a diversos tipos de materiais os quais são completamente obstruídos (barragens, tubulações, filtros, sistemas de drenagens, canais de irrigação, etc.). Fonte: GIA, 2017.

 

No Brasil, a introdução de organismos em ambientes aquáticos é comum há muito tempo e está intimamente relacionada aos avanços tecnológicos. Dessa forma, um histórico das bioinvasões aquáticas no Brasil pode ser dividido em três fases: 1º) do descobrimento ao final do século XIX, referente à época da colonização e tráfico de escravos e se caracteriza pela chegada de navios da Europa e da África, introduzindo o mexilhão Perna perna, o vibrião do cólera Vibrio cholerae e a ascídia Styela plicata; 2º) durante o século XX, marcada por uma intensificação do comércio marítimo e quando a água de lastro (Figura 2) passou a ser utilizada amplamente, aumentando o transporte de organismos que já era efetuado via incrustação; 3°) se inicia na última década do século XX e perdura até os dias atuais, caracterizando-se pela intensificação das pesquisas científicas e pelo aumento dos registros de espécies exóticas invasoras introduzidas no Brasil.

Figura 2 tiago

Figura 2. Imagem de um navio descartando água de lastro. Processo pelo qual os tanques dos navios captam água do mar para garantir a segurança operacional e a estabilidade e que acaba possibilitando a captura e o transporte acidental de espécies exóticas.

 

No caso da fauna de água doce, o transporte de espécies de uma bacia hidrográfica para outra, mesmo que no mesmo continente, representa um dos maiores riscos para a biota aquática. As introduções de peixes, tanto de espécies nativas (sendo introduzidas em diferentes regiões) quanto espécies exóticas são, ainda, bastante comuns no Brasil e resultam da falta de informação sobre os problemas que a bioinvasão pode causar. Em estudo sobre o problema da bioinvasão no Parque Estadual do rio Doce, pesquisadores utilizaram dados dos últimos 50 anos e demonstraram que a riqueza de espécies de peixes vem declinando em todos os lagos do parque em que houve introdução de espécies exóticas. Os peixes amazônicos, por exemplo, estão entre as espécies mais introduzidas em outras bacias hidrográficas no Brasil. Na bacia do rio Paraná, espécies de hábito alimentar piscívoro são as que alcançam maior sucesso adaptativo. O tucunaré (Cichla spp.) (Figura 3), por exemplo, é um dos peixes mais comuns em introduções por ser uma espécie muito utilizada na prática da pesca esportiva. No entanto, devido sua agressividade, tamanho e hábito trófico (predador), acaba diminuindo significativamente as populações de peixes nativos.

Figura 3 tiago

Figura 3. Exemplar de tucunaré (Cichla spp.). É oriundo das Bacias amazônica e Araguaia-Tocantins e podem medir 30 cm ou mais de 1 m de comprimento total. Alimentam-se principalmente de peixes e camarões e são as únicas espécies de peixes da Amazônia que perseguem a presa, o que os torna um dos peixes de maior interesse esportivo no Brasil. Fonte: http://revistapescaecompanhia.com.br/uploads/2013/03/TUCUNAS6.jpg.

 

A disseminação de espécies invasoras acaba por promover o fenômeno chamado de "homogeneização antropogênica". Lentamente as bioinvasões vão promovendo a substituição de comunidades com elevada diversidade por comunidades monoespecíficas, compostas predominantemente por espécies invasoras, ou com diversidade reduzida. Tais alterações são exemplificadas pelas modificações dos ciclos hídricos e de nutrientes, da produtividade, da cadeia trófica e dos processos evolutivos. No ambiente marinho este efeito já é observado e embora tenha havido um aumento na diversidade estrutural e funcional causado pelas espécies exóticas invasoras e mediado pela intervenção humana, é possível observar que a composição da biota marinha de todo o mundo tem ficado mais similar.

Nos últimos onze anos, invasões biológicas receberam mais atenção no Brasil do que em qualquer outro período. O crescimento no número de pesquisas sobre invasões biológicas e a publicação de decisões legais vêm rapidamente preenchendo a lacuna existente. Porém, o que se tem observado nos últimos anos foi que os pesquisadores focaram predominantemente em aspectos básicos e acabaram negligenciando o potencial desse conhecimento para a gestão do tema, que pode ter sido refletido para que gestores realizassem ações práticas e desenvolveram marcos legais com visão desvinculada do conhecimento científico. Para sanar o problema e integralizar os aspectos teóricos e aplicados à gestão pública, ainda se faz necessária a inclusão da problemática em níveis de ensino básico e médio, em cursos profissionais, e mais oportunidades para estudos de pós-graduação na área.

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